Abandono do pensamento
De como a vida deveria ser cinema
Abraço do novo tempo
Tentando se jogar na consciência
Os jornaleiros não têm mais conhecimento
Dos nomes dos logradouros
Há quem ignore o número do seu aparelho
Inegavelmente, os tempos são outros
Livramento do túmulo do passado
Palavras de raiva e arrependimento
Como pedras no sapato
Descalço na terra, no cimento
Não é mamão com açúcar
Embora saiba andar há tempos
Tropeço e tombo em algumas ruas
Tomara que fique o ensinamento
A vontade nua e a realidade crua
Vociferam rara relevância
Revelam-se várias ruas
Que se rebelaram pela distância
A boa educação só parece
Uma espécie de submissão
Os ecos do novo século estão aos pés
Não são netos da imaginação
O desperdício foi um cego investimento
E a perda, um tipo de tesouro
Os jornaleiros perderam o conhecimento
Dos nomes dos logradouros
Renúncia do habitual tormento
Na cuca, o ritual na velocidade em dobro
Com tempo eu gosto e contemplo
Agora entendo, são jogos loucos
Tanto na selva quanto na jaula
Névoas da missão em emissão
Colegas da nova era chegaram
Não são nuvens nem legos da ilusão
Não sou novinho em folha
Tampouco nasci no dia anterior
Renasci anteontem com uma força
E uma fome de paz e amor
Aniquilamento do meu papel pequeno
E dos seus conselhos tolos
Foram apelos, bilhetes, momentos
Furo pedra por leite, os tempos são outros
Largo os dias cinzentos
Sei como a vida é milagrosa e livre
Abraço do novíssimo tempo
Nos passos de quem goza e vive
A juventude vem e vai como vento
O bom senso evita o socorro
Os jornaleiros sem mais conhecimento
Dos nomes dos logradouros
Não é mamão com açúcar
Ter a noção do que se passa cá dentro
Passado na sala escura e úmida
Outrora, os segundos eram mais lentos
Ao longo da desconexão jovem
Talvez sejam néctares vindouros
De mil novecentos e setenta e nove
Feliz ânimo novo, os tempos são outros.
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