Conexão com quem me acende
A própria luz na escuridão
Meus olhos no mar da mente
Meus olhos no chão
Meus olhos coração
Meus olhos coerentes
Meus olhos sãos
Meus olhos sirenes
Meus olhos desejam
E me deitam e deixam
Que meus olhos vejam
Meus olhos querem voar
Para mim, para você, para lá
Meus olhos querem nadar
E pegar umas ondas
Meus olhos desenham
Pequenas bombas
Dezenas de quadrinhos
Meus olhos cinemas
Meus olhos sós, sóis
Meus olhos sombras
Meus olhos submarinos
Meus olhos escafandristas
Meus olhos antes e após
Nos corredores e arredores
Meus olhos gritam
Temores, tumores e tremores
Meus olhos vomitam
Amigos de infância
Canastrões, capangas
Amargos os antigos doces
Meus olhos sangram
Meus olhos na rua
Meus olhos singram
Nas poças, nos poços
Meus olhos suam
Meus olhos próximos
Meus olhos imitam
Meus olhos molham
Meus olhos citam
Ancestrais memórias
Meus olhos nadam
Meus olhos imploram
Meus olhos sujam
Meus olhos choram
E falam nada
Meus olhos na porta
No petróleo, na estrada
Meus olhos cortam
Entre lágrimas
Meus olhos colam
Meus olhos páginas
Em caso de lástima
A gargalhada é canalha
Meus olhos calam
Cospem na cara
E dormem longe de casa
Meus olhos irritam
Meus olhos enormes
Meus olhos espiam
Por dentro, ao norte
Meus olhos expiam
Abandonam e sonham
Meus olhos correm
Meus olhos somam
Meus olhos oram e aram
As estrelas não removem
A noite macabra
Mas permitem atravessá-la
Meus olhos sobrevivem
Meus olhos nos livros
Meus olhos livres.