Mais do que uma
Palavra ou duas
Se falasse o que urra
Na alma da criatura
Não faltariam dúvidas
À poesia que ondula
A noite se fez
Pouco depois das três
No meio da tarde, mudou
O céu de humor e de tez
Tempestade se tornou
E entornou os ateliês
Os estúdios e os platôs
Como água represada
Na nuvem pesada
Mais do que a fazenda de robôs
Tenho algo pra contar
E raios pra conter
Pra regar o mar
E bater os braços até o rio
Mais do que embarcado
Sou a quilha do navio,
Modelando uma trilha violável
Eu mudei do vinho para a água
Estou bem melhor subvertendo
O provérbio e outras máximas
Mais do que dois poemas eu tenho
Antes das quatro, veio apenas nada
Aquele instante arranhado
Da faixa do velho vinil
Mais do que funcionário
Sou a quilha do navio.