A intuição é a bússola
Em mares nunca singrados
A perdição é uma busca
E o perdão, um crédito caro
Para quem se debruça
Em ondas, frequências e abraços
Fica o sino da sorte
Presente de tia Nelsina,
Irmã de vovó Joanna
E mãe de Leninha
Tia Nelsina ia com mamãe ainda criança
Ao auditório da Rádio Nacional
Na Praça Mauá
Mil novecentos e cinquenta nove
Artistas sensacionais
O sino da sorte
Toca os seus sinais
Dá os seus toques
Aos ouvintes ancestrais
Plateia interna
Aplausos, assobios
Lágrimas simpáticas e sinceras
Na cabeceira da sala o sino
Badala e ressoa
Rádio que ouço desde menino
Orações, hinos, canções, bichos e pessoas
Além da voz baixa que passa
Com quase volume nenhum
Sim, eu acho que Dona Jane passeava
Com tia Nelsina por volta de sessenta e um.