Hoje é dia de fazer algo
Pela primeira vez
O silêncio revela do alto
Caminhos inefáveis
Confie: você está
Onde precisamente precisa estar
Com a colheita de guimbas
Ao longo do dia
Um menor abandonado
Confecciona um cigarro
Faces cansadas na fila
Frases causadas da fala
Engajamento na anestesia
Paraíso de plástico
Paraíso da hipocrisia
Do trágico elástico
Paraíso dos infelizes
De cujo elenco
Eu era membro
As armas estão no ar
Ainda me lembro
De como voltava
Ondulante do mar
Ia e vinha, ia e vinha, ia e vinha....
Sonho como se fosse amanhã
Eu tirava, com a minha irmã,
A pele descascada de papai
A memória é um ímã
Barca lotada
Passageiros de pé
Ponte engarrafada
E na tevê o show da fé
Noites
Pedras
Poesias
Cadê elas?
Onde ficam?
Por onde andam?
Almas lacradas na apatia
Eu gostava daquela banda
Mas o exímio guitarrista
É desafinadamente antivacina
Os retratos não podem ver
Contudo pelo que sei
As retratações têm
A possibilidade de rever
As pistas largas
Da Avenida Presidente Vargas
Foram lavadas
Com água, sabão e prudência
Para a remoção das obras equinas
Após o desfile da independência
Um mendigo da Avenida Rio Branco
Em frente a um banco
Ouve um hip-hop
Bebe um milk-shake do Bob's
E pita um cigarro de Jah
Ao lado do seu fiel cão sem horizonte
E da placa, onde se lê fome
Em inglês, em espanhol e no olhar.