Antigamente as mídias televisivas
Nao eram mais do que sete
Não tinha Internet
E com a cabeça na barriga
Do meu pai eu assistia
Ao Jornal da Manchete
Agora cada pessoa
É uma emissora
Globo, Bandeirantes, Record
A Bíblia é só um livro histórico
Eu podia estar pior
Entretanto cantava o repertório
Com os primos, tios e avós
Nas poltronas, programas de auditório
Hoje cada pessoa anda absorta
Na tela, na cela, na bolha
Ninguém mais sai pra dançar
Ninguém mais usa telefone fixo
Ninguém espera mais
A estreia do clipe daquele disco
No Ponto Zero da MTV
Ou no derradeiro bloco do Fantástico
Eu poderia estar nem aí
Porém viajo nas estações do rádio
As mídias eram pouquíssimas
Não passam de livros históricos
Os almanaques e a bíblia
Eu poderia vendar os olhos
Todavia estou na vigília
A pele é apenas uma parede
Apelo, espelho, legado
Arte é mais do que mero enfeite
Veículo significado
Palavra minério
Infância substância
Fissura caramelo
A dor da anestesia se amansa
Mistura de apatia, silêncio e medo
Uma loucura de gincana
Quem será o primeiro?
Agora sei ler seus lábios
Depois de tantas lições
Edições do dicionário
Eu me dispo das ilusões
Que não me deixam ver direito
O canal com imagem boa era o quatro
Imaginação, memória e ônibus de leito
Sempre me levam embora, é o contrato.