sexta-feira, 15 de junho de 2018

Quem é vivo sempre perece

Quem é vivo
Sempre perece
Quem é morto
Apenas parece
Que respira
Quem não é vívido
Não aparece
No ar o tempo todo
Quem não é insosso
Com as mãos em prece
Sai da zona de conforto
Em caso oposto, pira.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Das almas nucleares

Eu não entro em acordo
Só no sonho
Das almas nucleares
Enquanto os corpos
Carregam confissão e confusão
Aos lugares
Eu espero o calor todo
Da fissão e da fusão
Dos núcleos atônitos
Não fico neutro à energia
Contra a letargia.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Por motivo de fossa maior

Por motivo de fossa maior
Eu não vejo o sol
Muito menos amor
Entre as pessoas
Ao meu redor
Somos coisas
Por motivo de bossa, melhor
É seguir só
Com uma cota de humor
Mesmo que corroa
A ponte Rio-Niterói
Aponto nós como forças.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Marcos

Lufada de vento
Virando a folha
Onde se agenda o tempo
Onde se anota
Para que não escoem as coisas
Pelo ralo do esquecimento
Na infância eram mais lentos
Os dias em que brincávamos juntos
Fazendo gol nos muros
Eu gostava dos estudos
Quando não tinha que decorar luto
Raiva, dor e lamento
Agora eu aprendo
Um pouco de tudo
Os beijos e abraços extensos
Dados ao meu primo do Barreto
Como se fossem os últimos
Acabaram sendo, muito cedo.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Que o tempo deu

Quase todos os meus
Amigos de infância
Seguem na distância
Que o tempo deu
Entre o que sou
E o que se tornaram:
Vencedores, nos apogeus
Do egoísmo e da ganância
Amizades em vacância
Coleguismo no breu
Onde não bateu o sol
Só a realidade na minha cara.

domingo, 20 de maio de 2018

Revolução ruça

A revolução será ruça
A revolução será na raça
Antes que a vaca tussa
O leite da vitória na taça
A revolução será expulsa
Dos grilhões às praças
Do Brasil à Prússia
A revolução será esparsa
E que reúna
Rebeldes e reaças
Milicos e comunas
Elites e massas.

Tudo depende

Tudo depende
De vir de repente
Um happy end