sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Os arcos, o campo e o canto

Os arcos
Da Lapa
Não podem ser largados
Às moscas larápias
Que alegam legados
Nos elefantes brancos que se alastram
O campo
E o canto
Estão amplos
Portanto, como ambos,
Não me acanho
E continuo ampliando
O arco
Íris
Nunca será tão prosaico
Quanto o pires
Manchado de café fraco
Nas manhãs tristes
Eu enxergo
Mas não quebro
Não é de vidro
O que me deixa envolvido
É algo etéreo
Que trago no ar cheio de mistério
O arco
Da velha
Não pode ser tão arcaico
Quanto o barco
De priscas eras
O mar não se sossega quando bravo.


sábado, 30 de julho de 2016

O preço do barril de ódio



Deve estar bem acessível
O preço do barril de ódio
O pré-sal é inimigo
Da refeição do capitalismo
Rumo ao lugar mais alto do pódio
Para cantar o hino
Em plenos porões
Da senzala
- Casa grande é para os outros -
A medalha
É de couro
Ilegítimo
E de novo o velho sol se põe
Olímpico
No país de muros onde moro
E morro a cada noticiário
Da realidade ao contrário
Ficção barata de ouro.
 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

À outra margem

Dos rostos
Vitrais
Aos restos
Mortais

Atravesso
Avenidas
Rios e versos
Em vida.

E antes de chegar
À outra margem
Olho para os sinais
Para quem é paisagem.

domingo, 3 de julho de 2016

Seríamos brasilianos

Seríamos
Brasilianos
Se não desse trabalho
E suor como tempero
Ser brasileiro
Ofício sem salário
Na América
Do Sul fixo
Por ameaças homéricas
Saqueando em nome do confisco
Surreal da casta da moeda
Estados descarados e metafísicos.



domingo, 19 de junho de 2016

Entre quatro paredes e dez dimensões especulatórias


Na rede
Social, não a do futebol,
Pelo lado de fora
Pode ser gol
Ideias verdes
Não caem agora
Nem quando se perdem
E derretem sob o sol
Néscio de sua força
Ao passo que vários
Entre quatro paredes
E dez dimensões especulatórias
Colaboram com memes e corações atentos
Dentro da rede
Da rua, do rito, do rádio
E da roda da história
Em busca do tento
Da utopia toda.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Para que a dor meça

Que adormeça
De forma profunda
A tristeza em debate

Para que a dor meça
Os gritos na altura
Da silenciosa base

E as cores na tela
Correndo entre a pintura
E a própria face

A fim de que se acorde
Da letárgica postura
Em pôr a culpa no quase

Talvez as cores deem
Um pouco de mistura
À cinzenta fase

E às flores na terra
Contra a monocultura
Antes que tudo se devaste.