terça-feira, 17 de abril de 2018

Porque quis

Eu não a deixei pra trás
Você não foi comigo
Porque quis
E o tempo sempre traz
Tempestade e abrigo
Antena e raiz
Guerra e paz
Afinal somos amigos
E do mesmo país.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Os meus sonhos

Aos bocejos
Os meus sonhos
Acordaram cheios
De medos estranhos
E velhos desejos
Resolvendo sonhar comigo
Deles sou o melhor amigo
E o pior inimigo
Eis onde dormem o perigo
E o alívio que espreguiço.

sábado, 7 de abril de 2018

Identidades

sou esquerdopata
sou petralha
sou Rubens Paiva
sou da África
sou Carlos Lamarca
sou da senzala
sou Amarildo
sou Betinho
sou Nelson Rodrigues Filho
sou índio
sou do Brasil
sou Jorge Amado
sou Olga Benário
sou operário
sou humano
sou Graciliano Ramos
sou Marielle Franco
sou Raquel de Queiroz
sou Vladimir Herzog
sou Stuart Angel
sou Gandhi
sou militante
sou Ulysses Guimarães
sou Castro Alves
sou Chico Buarque
sou Bob Marley
sou Martin Luther King
sou Eduardo Suplicy
sou Darcy Ribeiro
sou quilombola
sou Leonel Brizola
sou Chico Mendes
sou da Venezuela
sou Tiradentes
sou Marighella 
sou da favela
sou trabalhador
sou Nelson Mandela
sou do amor
sou mortadela
sou Nise da Silveira
sou da resistência
sou você
sou negro
sou LGBT
sou Freixo
sou Pablo Neruda
sou de Cuba
sou da luta
sou Lula.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Do lado certo

Apesar da morte
Da democracia
Os créditos
Dos telejornais de falsas notícias
Não sobem quietos
Como quando alguém importante morre
Apesar da violência mais perto
E do seletivo holofote
Saber que estou do lado certo
Da História me mantém forte.

quarta-feira, 28 de março de 2018

É preciso falar

É preciso falar sobre política
Qual é a sua ideologia?
É preciso falar no seio da família
Alienadamente feliz na apatia
Apenas o diálogo edifica
Não pode existir o tijolo da tirania
Há tempos que não como margarina
Há quantos amigos e parentes fascistas?

terça-feira, 27 de março de 2018

Jorge

Vascaíno
Mas é fã mesmo de automobilismo
De Led Zeppelin
Questão de pele
E de sangue
Bom e outros dons
Filho de São Gonçalo, de nordestinos
Faz caipirinha, churrasquinho
E uma feijoada
Achocolatadamente carregada
Caçador no mangue
De carros e sons
Do signo de Áries
Quebra-galho e arquiteto dos lares
Ouve o repertório de Big Boy
De um tempo que não foi
Ao tocar de novo, garante
O filho feliz do aniversariante.

domingo, 25 de março de 2018

A depender da linha

Toda vez que me ducho
Eu escuto
Um grito obscuro
De gol
Ou de dor
A depender da linha
Do Equador
Ou do editor
Do jornal de ladainha
Com aquele discurso
E o mesmo susto
Que tenho quando
Eu me banho
Sem condicionador.