sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O rito aguenta

O rito aguenta
A reta adianta
A rota é nojenta
O arroto é da janta
Que nunca houve

A tarraqueta é plena
A torrada é uma planta
A rataria reina
A Terra é plana
A quem não vê e nem ouve.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Com poesia talvez

Ainda bem
Que não me sinto bem
Que bom
Que me ponho no lugar de outrem

Empatia
Apesar de tanta apatia
E antipatia
Não há maciez
Em nenhum dia
De qualquer mês
Como vou adiante?
Com poesia talvez

Eu vejo tanques
E gritos estanques
São tempos infames
Os mesmos de antes.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Pela natureza dos animais

Você sabe para onde direciona
A sua antena na captação dos sinais?
As instituições não funcionam
E alegam que os dias andam normais
A culpa é sempre da azeitona
Nunca é porque se bebe demais
As pessoas se detonam
Com as lavagens cerebrais
Pensam que estão livres mas se aprisionam
No WhatsApp dos jornais
Com editorias isentas da realidade medonha
Que se avizinha cada vez mais
Desprovida de liberdade e Amazônia
Apenas lobotomia em doses letais
Se você concorda com Madonna
Com Roger Waters e com as dicas papais
Se você ainda vive ao que sonha
Pela natureza dos animais
Poderá votar no domingo contra
As propostas de barbárie atuais
Desta figura agônica
Que deveria estar num desses psiquiátricos hospitais.

sábado, 13 de outubro de 2018

Para os canalhas, canalhas, canalhas

Quando penso
Com calma
Sobre ter calma
Nestes tempos

Sem amor nem alma
Fico bem tenso
Com suor nas palmas
Sem o xis no mapa

Do país que perdemos
Para os canalhas,
Canalhas, canalhas
Desde mil e quinhentos

Confundo a calma
Com a total falta
De conhecimento
Do que está acontecendo

Não é fábula
Mas uma tocaia
Que não caia no esquecimento
Da sombra da fábrica

Nas ondas da praia
Quem se diz isento
É tão sanguinolento
Quanto os crápulas

Que quebram a placa
Que matam à faca
Que metem a porrada
Que cospem na cara

Notícias falsas
Com fundamento
No ressentimento
No ódio, na raiva.

Vou-me embora pra Pasárgada
Eu vou para Maracangalha
Eu vou com o documento
Carimbado de esperança até na mala.

Antes fosse

Estou com pena
Antes fosse só
Aquela para desenhar letras
Que já sei de cor
Agora são coisas obsoletas
Vazias e sozinhas
Estou com medo
Quem me dera
Se fosse o mesmo
Receio na época
Em que passei a andar de bicicleta
Sem as rodinhas.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Jane

Vinte e cinco de setembro
É aniversário de um monumento
De quem me conhece há mais tempo
Até mais do que eu mesmo
Mulher de fibra
Do signo de Libra
Da faculdade de Letras
São suas obras completas
Uma fotógrafa enfermeira
E um radioperador poeta
Na hora da pose, eu não gosto
Mas sou-lhe grato pelas fotos
Ela é professora
Embora possa ser vereadora
Inclusive no Paraguai
É reconhecida por estudantes
É a esposa do meu sortudo pai
E me ajuda a não entrar em pane
Meu coração fica tranquilo
Por ser o filho
Da jovem Dona Jane.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Até

Até um sabonete
Tem uma opinião
Que pode ser sujeira
Até uma parede
Possui audição
Na discussão ligeira
Até um tapete
Faz parte da aviação
Nesta viagem passageira
Até uma marionete
Consegue emancipação
Com as xepas da feira
Até um alfinete
Pensa que tem condição
De sair da areia
Até um bilhete
Carrega uma revelação
Desde que se leia.