segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Comigo, com quem sonha

Piada pronta
Na prática desconta
Pitada eletrônica
Despistada onda
Pirada conta
Os paióis e os contras
Quando se encontra
Comigo, com quem sonha
Com solares sombras
Tampouco se sondam
No Santos Dumont
Marechal, hold on,
Ao virar copos
Num gole de Galeão
E revirar corpos
Patada atônita
No aeroporto de Noronha
Ou no de Congonhas

Doenças e drogarias

Minha cabeça tenta
Saber o que se pensa
Sobre a consciência
Diante dos problemas
Que se inventam
Como doenças
E drogarias
Meu coração realiza
Coisas imprecisas
E pessoas indecisas
De outras vidas
Não sabem ainda.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Desde os tempos de Dom João Sexto

O símbolo da polícia militar
criada por Dom João Sexto
não poderia ser mais manifesto:
traz um pé de açúcar,
um pé de café,
duas armas e a coroa do Império.

Ou seja, é um braço armado para defender
a propriedade e o poder,
é a corporação que tem mais êxito
em matar e morrer
desde os tempos de Dom João Sexto
contra os mesmos pobres e pretos.

A notícia é de dois mil e antigamente
mas segue urgente:
a ONU diz que a polícia militar
do Brasil precisa se desmilitarizar

Enquanto não acaba a peleja
mais tetos e famílias inocentes desabam
quem mama na teta, deseja
continuar na aba
e se prorroga
a guerra às drogas

O gelo se enxuga
e quem lucra é sociopata
tem as mãos sujas de sangue
em forma de arma
apontando, da urna eleitoral e funerária,
com os dedos fumegantes
para a criança Ágatha
e às outras que desencarnaram antes.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Como se normal fosse

Defensivo agrícola
É o apelido
Inapelavelmente cínico
De agrotóxicos
Que defendem
Tão-somente
Os lucros sórdidos
Dos óbvios delinquentes
Na praia há vários
Empreendedores
Sem salários
Há dias e noites
Nos semáforos
Nos corredores
Dos camelódromos
Como se normal fosse
Uma salva de aplausos
Dos apresentadores
De sorrisos falsos
Tentando romantizar os horrores
Do nosso mísero estado
Agora vêm os anunciadores.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Pintam cores

Por nunca saber
Que dia é hoje
Eu amo você
As horas fogem
Na matinê
Antes da noite
Tarde blasé
Pintam cores
No ateliê
Em qualquer onde
No alvorecer
Desde ontem
E cadê
Quem pode
Me responder?
Quem responde?

terça-feira, 10 de setembro de 2019

O Brasil

Os forasteiros pensam que estamos de bobeira
Até expormos na praça as suas cabeças
O Brasil não é só futebol e carnaval
E vai se despertar do delírio tropical

A resistência reside nas escolas
A residência resiste nas escolhas
O Brasil precisa deixar de ser quintal
Dos gringos famintos pela Amazônia e pré-sal

Livros, músicas e filmes atiram
Mais do que o cio armamentista
O Brasil há de saber que é grande, igual
À sua dimensão continental

Conservatórios, museus e bibliotecas
Em vez de liceus de guerras
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Um dia vai tornar-se um imenso Bacurau.

sábado, 7 de setembro de 2019

Perguntar não ofende

Quão gratuito é um sexo?
Por quanto vende sua nudez?
Qual é o preço das drogas lícitas?

Quando haverá acesso
Para quem nunca teve vez?
Por que é proibido falar de política?

Em que dia encontro o nexo?
Trinta, vinte e cinco ou dez?
Quem somos nesta vida fictícia?