sábado, 3 de dezembro de 2016

Tudo é mistério


Tudo é mistério
Até os tombos
Dos esotéricos
E do eleitor
De preferências
Hediondas
Nada é real
Até o sonho
Virar o canal
Do seletor
De frequências:
Que onda!







segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A facção científica

A facção científica
Não vende a cura
Porque lucra
Com a ficção centrífuga
Placebos e sebos
Abraços e beijos
Confraternização protocolar
Para o ano próximo, olá
Com o tempero
Destes tempos
Da pós-verdade
Quando os sentimentos
Superam a realidade
Dos fatos
Vontade de voar
Com os pés alimentados
De alpiste importado
E gesso no jantar.


domingo, 6 de novembro de 2016

Filme noir no ar

Não se exige
Algo que não existe
Perfeccionismo
É dançar
Como se não houvesse
Amanhã nem abismo
Não se pede
Algo que não compete
Ao existencialismo
Filme noir no ar
Na infinda sessão das dez
Nem todos os dias são domingo.







quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Equipamentos de prostração individual

Cabos de fibra caótica
Submergem a conversa
Ao pé do ouvido
Ao longo da vida controversa
São entregues os equipamentos
De prostração individual
Que expressamente dispenso
Eu quero decorar a minha casa
Com capacetes cheios de outros pensamentos
Para a teimosia larga e criatividade escassa
Conforme a ocasião
Filtros coloridos e máscaras
Na falta de yoga e de natação
Para uma melhor respiração
Óculos e viseiras
Ajudam a enxergar a alma inteira
Abafadores de ruídos
E protetores auriculares
Diante dos mexericos
Luvas e calçados maleáveis
Em caso de troca dos pés pelas mãos
Cintos de segurança
Evitam a queda numa depressão
Quando chega a mudança?

domingo, 23 de outubro de 2016

Por mais que a raiva dure

A cor
Do rancor
Tem cor de rã
E sabor de derrame
Por mais que a raiva dure
Remoendo as coisas
Rimando carne com osso
Remando fora do cardume
De pessoas no fundo do poço
De pus
De sangue
De perfume
Um dia tudo escoa
Em choro
Em suor
Em chorume



sábado, 15 de outubro de 2016

O Aquarius não está vazio

O filme Aquarius é o Brasil
Onde os cupins 
São os estupros na democracia
Virando motivos chinfrins
Para a demolição do edifício
Pena que o lanterninha foi spoiler
Abrindo as portas da sala do cinema
Antes de pintarem os créditos
O longa de cento e quarenta e um minutos
Não parecia que acabaria ali
No prédio da construtora Bonfim
Nome cimentado de ironia
O Aquarius não está vazio
Porque nós nadamos ainda

Aqui
Apesar da cupinização seletiva
E das fezes rolando pela escada
Somos os peixes no mar de lânguidas
Águas e ondas piratas.



terça-feira, 4 de outubro de 2016

A primavera

Eu acredito em duendes
E em agnomes
Estudo não é tudo
O que não existe mais

Diariamente, o sol ascende
Acende e se põe
Ainda que esteja escuro
Um dia, não muito longe, iluminará

Plantas e pessoas, até as ausentes
E sem sobrenome
O processo em curso
Não está tão devagar

A primavera é carioca, é fluminense
É de quem tem fome
E sabe que luto
Não é substantivo, mas o verbo a conjugar.