Torra o suado dinheirinho
Num litro de gim
Mas dispensa um livro
Que nem é de latim
A farmácia nunca fecha
Remédio se transforma em veneno
Drogaria não mofa de eterna
Até vinte nove de novembro
De dois mil e vinte e quatro
Eu estava mal, triste e bem longe
Acordava cansado
E adormecia insone
Esquecia que o sentido
Estava escondido me lendo
No fundo sabia onde
Perambulava o bom senso
Nas barbas do horizonte
Gastando o salário pequeno
Com noitadas sem fim
Nenhum níquel
Pelo livro escrito por mim
A dor se transmuta em cura
E a intuição, em jardim
Para que se cubra
De flores sem floreios
Não adquire uma obra
Que nem é de latim
Se o idioma for vodka
Seca todo o dindim
A biblioteca não fica aberta
O dia inteiro
Porém a gente tropeça
Pelos nevoeiros
Das lojas e pelejas
De coisas ilógicas, supérfluas.