quarta-feira, 1 de abril de 2026

Pelos Nevoeiros

 

Torra o suado dinheirinho 

Num litro de gim

Mas dispensa um livro

Que nem é de latim

A farmácia nunca fecha


Remédio se transforma em veneno 

Drogaria não mofa de eterna

Até vinte nove de novembro

De dois mil e vinte e quatro

Eu estava mal, triste e bem longe


Acordava cansado

E adormecia insone 

Esquecia que o sentido

Estava escondido me lendo

No fundo sabia onde


Perambulava o bom senso

Nas barbas do horizonte

Gastando o salário pequeno 

Com noitadas sem fim

Nenhum níquel 


Pelo livro escrito por mim

A dor se transmuta em cura

E a intuição, em jardim 

Para que se cubra

De flores sem floreios


Não adquire uma obra

Que nem é de latim

Se o idioma for vodka 

Seca todo o dindim

A biblioteca não fica aberta


O dia inteiro

Porém a gente tropeça 

Pelos nevoeiros 

Das lojas e pelejas

De coisas ilógicas, supérfluas.