quinta-feira, 16 de abril de 2026

Agora sei que cresço



Não confio

Cem por cento

No que penso

Parece conflito

Há um suspiro


Antes do modelo

Um sentir primeiro

Parece suplício 

Dispenso o peso

Do controle excessivo


Essas rédeas curtas

Que apertam o infinito

Confio, sim,

Na intuição que sussurra

Num ancião idioma


Que gesticula por mim

Em prol da dissolução 

Da autocobrança que lesiona

Em prol da dissolução

Da rigidez que petrifica


Em prol da dissolução

Do medo da culpa

Feridas se ativam

Não como punição 

Mas como cura


Em prol da dissolução

Dispenso os dois mil quilos

Do domínio impossível

Essas pedras invejosas

Que vedam o céu da tarde


E a escolha se mostra:

Verdade selvagem

Ou segurança conhecida

E o número da poltrona da nave?

Sigo a rebeldia da sina


Recuso heranças de acessos

Frutos de responsabilidades 

Que nunca foram minhas

Assisto à morte do ego velho

Morte silente, morte precisa


Enquanto a mente de outro século

É desfeita na poeira dos meses e dias

Há uma saída do torpor:

Lenta, viva, inevitável

E, entre escombros férteis, estou


No clarão do breu

No começo ou no meio

Da construção de um novo eu

Agora sei que cresço

Quando solto o controle


Agora sei que cresço

Quando abraço o que não sei hoje

Agora sei que cresço

Quando ajo com coragem

E deixo minha verdade


Respirar no universo

Ao compartilhar, deixo

De ser por completo 

Quem precisava ser 

Amado para enfim me converter


Em quem sempre fui destinado a ser

Para dissolver o medo do erro

Não confio cem por cento

Nos meus pensamentos

Mas na voz em silêncio. 



 

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