Não confio
Cem por cento
No que penso
Parece conflito
Há um suspiro
Antes do modelo
Um sentir primeiro
Parece suplício
Dispenso o peso
Do controle excessivo
Essas rédeas curtas
Que apertam o infinito
Confio, sim,
Na intuição que sussurra
Num ancião idioma
Que gesticula por mim
Em prol da dissolução
Da autocobrança que lesiona
Em prol da dissolução
Da rigidez que petrifica
Em prol da dissolução
Do medo da culpa
Feridas se ativam
Não como punição
Mas como cura
Em prol da dissolução
Dispenso os dois mil quilos
Do domínio impossível
Essas pedras invejosas
Que vedam o céu da tarde
E a escolha se mostra:
Verdade selvagem
Ou segurança conhecida
E o número da poltrona da nave?
Sigo a rebeldia da sina
Recuso heranças de acessos
Frutos de responsabilidades
Que nunca foram minhas
Assisto à morte do ego velho
Morte silente, morte precisa
Enquanto a mente de outro século
É desfeita na poeira dos meses e dias
Há uma saída do torpor:
Lenta, viva, inevitável
E, entre escombros férteis, estou
No clarão do breu
No começo ou no meio
Da construção de um novo eu
Agora sei que cresço
Quando solto o controle
Agora sei que cresço
Quando abraço o que não sei hoje
Agora sei que cresço
Quando ajo com coragem
E deixo minha verdade
Respirar no universo
Ao compartilhar, deixo
De ser por completo
Quem precisava ser
Amado para enfim me converter
Em quem sempre fui destinado a ser
Para dissolver o medo do erro
Não confio cem por cento
Nos meus pensamentos
Mas na voz em silêncio.
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