quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Borda bamba

A decisão está tomada
E é irrevogável:
Não decido mais nada
Do que pertence ao tempo hábil

O que não me cabe
Eu despejo na rede e na rua
Antes que acabe
O desejo que continua

O que não mais fica
Em mim eu derramo
Nos rumos sem prumo da rima
Nas melhores casas do ramo

E o que permanece
É apenas a mudança
Dos temas em xeque
Na borda bamba.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Um sorriso, um feitiço

Passa um sorriso
Solar
Sozinho
Pelo ar
Feminino
A me filmar

Traz um feitiço
No olhar
Felino
Tenaz
Tinindo
A me fumar.

domingo, 10 de agosto de 2008

A hora viva

Não mais contemplo
Por não estar com tempo

Se bem que tento
Tanto quanto um sedento

Mas depois eu retorno
À realidade sem adornos

Sem os contornos
Com que me transtorno

E fico na expectativa
De fincar a hora viva

De fazer saliva
Parecer lascívia.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Fora onde entro

Eu me percebo fora do enredo
Só agora depois do final falaz
Ao passo que rola a fita, escrevo
E sou passado por quem me faz

Eu me filmo fora do eixo
E me abaixo pra ver se me acho
Se me deixo cair no seu beijo
Facho de luz no marasmo

Eu me observo fora do espelho
Onde entro pra saber quem me vê
Entre a contumácia e o desleixo
Mexo na farsa para que seja você.

Refúgio, porto e abrigo

Proclamo-te refúgio
Do meu martírio
Enquanto de mim fujo
Para qualquer paraíso
Que estiver no fluxo

Declaro-te porto
Do meu naufrágio
Enquanto de mim corro
Para qualquer estágio
Que estiver em jogo

Anuncio-te abrigo
Da minha tempestade
Enquanto de mim desligo
Por qualquer personagem
Que estiver comigo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Se não agora

Eu fui embora
Crente que voltaria
A qualquer hora
Feito feitiçaria

Sigo em frente
O que não significa
Adiante para sempre
Diante da vida cíclica

O tempo sem queixa passa
Deixando as cinzas
Fechando a cara
De quem sorri ainda

Contudo continuo indo
A despeito da nostalgia
Tudo fica certo e lindo
Se não agora, nalgum dia.

domingo, 3 de agosto de 2008

Deve ser

Deve ser coisa boa
O que altera
O que escoa
Do espírito à matéria

O que sei é que só deve
Admito que não ajuda muito
Mas eu me janto leve
E faminto como um minuto

O que sinto eu considero
Que nem um sorriso de criança
No meio das luzes do cemitério
Na ilusão que anima e cansa

Deve ser alguma coisa
O que parece
O que ecoa
Do espaço à parede.