quinta-feira, 9 de junho de 2011

Relógio cósmico

O tempo não é uma coisa
Para ser ganha
Trocada ou perdida
O tempo não se pega

O tempo é causa
E consequência que nos banha
Antes, durante e após a vida
O tempo nunca se desespera

Preciso voltar - ou começar - a seguir o relógio
Que não seja o mecânico
Mas o cósmico
Como ensinou meu avô

Eu me mato enquanto
Não vem o instante lógico
Em que estarei sempre me tornando
No que sou

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sobre a minha pessoa

Não me importa
O que os outros pensam
Sobre a minha pessoa
Há uma celestial abóbada
E as estrelas que despencam
Belas como moças

Não me interessa
O que o mundo acha
Do que se passa na minha cabeça
Correntes elétricas
Coerentes e inexatas
Para que os sonhos aconteçam

Porém já me preocupa
O que os meus hóspedes refletem
Com o coração e a cuca
A olho nu ou coberta de lupa em vez de culpa
A resposta correta não está na internet
Nem nos livros de autoajuda.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A semana

O meu humor não mais me afunda
Hoje miraculosamente não é segunda
Torço para que a bonança aconteça
Logo nas primeiras horas de terça
Sei que a vida será melhor e farta
Quando acordo numa quarta
E a semana começa a ficar linda
A folhinha indica que é quinta
Já quero festa e tudo quanto não presta
Acertou quem pensou na sexta
Reconheço que agora os ponteiros passam rápidos
O sábio Vinícius degustou com poesia o sábado
E chega o dia em que nunca me resigno
Não é tão espetacular e fantástico o domingo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Atrás de carne onde só há osso

Embora a segunda-feira esteja solar
Ainda sinto o sabor das cinzas
Do fim de semana

Eu apenas penso em voltar
Para me desintegrar na sua língua
Ao me entregar na sua cama

Daqui a pouco
É a hora do almoço
Talvez o tempo passe veloz
E eu não fique mais louco
Atrás de carne onde só há osso
A sobremesa é para depois.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Eterno circo vicioso

Além do vale-transporte e do vale-refeição
Vou pedir ao setor de benefícios da região
O vale-a-pena

Aos domingos, é matinê:
Um pão no chip com manteiga
E uma comédia, por gentileza.

É melhor pecar no exagero do que na omissão
Ágora de beber, ágora de beber, camará!
É o eterno circo vicioso sob a lona, no chão.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Salvem as balelas

Salvem as balelas
E o disse me disse
É o que alegam
As artes vistas do Greenpeace
Os ativistas também erram
Por mais que a cobiça pise
Nas raízes demovidas da terra
A certeza não é mais palpite
Salvemos as bruxas de Bruxelas
E os broxas resignados e tristes
Pintando aquela aquarela
Para que não se extinguem
Os stings, os raonis e os poetas
Após o sexo vinte.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Meu coração

Apesar da tarde gris
Meu coração está corado
E ancorado numa raiz
Que rasga a calçada e o asfalto
Onde se atropelam os pedestres
Os pediatras e os padrastos
Sob a chuva de sangue e confete
Meu coração está curado.