sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Pintam cores

Por nunca saber
Que dia é hoje
Eu amo você
As horas fogem
Na matinê
Antes da noite
Tarde blasé
Pintam cores
No ateliê
Em qualquer onde
No alvorecer
Desde ontem
E cadê
Quem pode
Me responder?
Quem responde?

terça-feira, 10 de setembro de 2019

O Brasil

Os forasteiros pensam que estamos de bobeira
Até expormos na praça as suas cabeças
O Brasil não é só futebol e carnaval
E vai se despertar do delírio tropical

A resistência reside nas escolas
A residência resiste nas escolhas
O Brasil precisa deixar de ser quintal
Dos gringos famintos pela Amazônia e pré-sal

Livros, músicas e filmes atiram
Mais do que o cio armamentista
O Brasil há de saber que é grande, igual
À sua dimensão continental

Conservatórios, museus e bibliotecas
Em vez de liceus de guerras
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Um dia vai tornar-se um imenso Bacurau.

sábado, 7 de setembro de 2019

Perguntar não ofende

Quão gratuito é um sexo?
Por quanto vende sua nudez?
Qual é o preço das drogas lícitas?

Quando haverá acesso
Para quem nunca teve vez?
Por que é proibido falar de política?

Em que dia encontro o nexo?
Trinta, vinte e cinco ou dez?
Quem somos nesta vida fictícia?

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Relendo

Relendo
Poesias antigas
Ao relento
Todas minhas
E de outrem
Ralando
Dia após dia
Raiando
Sol ou ventania
De ontem.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

O projétil de porte de trauma

No cotidiano da vida
A alma quiçá parta cedo
Conquanto haja alegria
Ela não é falsa nem de brinquedo
Embora possa ser ígnea
A alma não é apenas de fogo
Apesar de ser íntegra
A alma pode entrar no jogo
Como um fuzil, espingarda
Carabina, garrucha, rifle
Revólver e pistola, a alma
Possui calibre
O projétil de porte de trauma
Já anda a pleno pavor
Sob a supressão da flora, da fauna
Da humanidade, da paz e do amor.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Tem cada uma

Sob boas-vindas à fase adulta
A vida é dura
Desde que a morte durma
A vida dura
Mais do que a densa bruma
Ou a dança das nuvens de dúvidas
Uma nova atitude saúda
Se a situação não muda
Para a realidade plúmbea
Ficar dourada dura uma chuva
Uma tempestade na cuca
Uma linguagem oculta
Nas notas da música
Nas anotações malucas
Tem cada uma mais lúcida
Do que qualquer consulta.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Uma cisma

A partida
Não está ganha
Ainda
Joguemos com gana
A realidade desanima
E dilui a esperança
Já tão ínfima
E estranha
Eu tenho uma cisma
Desde a infância
Apesar do clima
Atual de ignorância
A vida
É uma grande montanha
Vamos subi-la
Talvez fique plana.