quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Botar fogo

 

Botar fogo

Nas lixeiras

Da cachola

Sair do jogo

E das trincheiras

Furar a bola

Virar a chave

O futuro chega

Chegando suave

Igual a uma tormenta

Agora é tarde

Alegar que não aguenta.




quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

A liberdade

 

A liberdade

É um estado derelito

É quase

Um delito

Não fica a nave

Sob controle

Sem alarde

Não é de hoje

Que vai embora

Como um sonho

Uma memória

Um abandono

Um pensamento

Uma epifania

Um desenho

Um barco à deriva.



quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Apesar da urgência

 

Apesar da urgência

Vamos com calma

Somos seres que pensam

E que possuem alma

Mesmo com a mão

Invisível do mercado

Eu preciso usar meu coração

Antes de ser pescado

Um passo para trás

Ou para qualquer lado

Ainda é mais eficaz

Do que o tempo atropelado.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Uma queda

 


Uma queda

Faz bem à cabeça

Melhor que seja

De cachoeira


O rio passeia

Por entre as pedras

E massageia

As dores das perdas


As lágrimas

Amaciam os traumas

As águas

Amansam a alma.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Entre os departamentos da loja

Entre os departamentos da loja

Sentem os pensamentos a lógica

Que cai na realidade em gotas

Numa decoração barroca ou gótica

Chinelo,sapato, descalça ou com bota

A humanidade caminha à robótica

Os mercados se escondem na horta

Nem servem os produtos da ótica

Ou elevadores diante da lama

Só o sol lança sua luminosa lâmina.



sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Só pra lembrar

Humor ácido

Em vez de humor negro

Ovelha desgarrada

Ao invés de ovelha negra

Mercado clandestino

E não mercado negro

Tempos difíceis

Em vez de tempos negros

Lista maldita

No lugar de lista negra

Só pra lembrar

Não se celebra

O vinte de novembro

Dia da consciência negra

Porque a consciência humana

É preconceituosa e racista

Não se denigre, mas se difama.



sexta-feira, 6 de novembro de 2020

São tantas conversas


São tantas conversas

E poucos diálogos

Cada um com sua regra

E seu recado

São sonhos e esperas

Pela utopia do passado

É pausa, é pedra

É o fim do pedaço

São luzes e trevas

Entre o certo e o errado

Não sei se o prazer presta

A quem sabe que é temporário

São instantes e eras

De robôs e dinossauros

Realidades quiméricas

Delírios de longe, por alto.