quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Tal desenvolvimento

 


Quem ficou tão à vontade

Ficou só na vontade

Sempre volta a tempestade

Do nada ou mais tarde

Um novo tempo

No novelo do vento

E tal desenvolvimento

Não vai acabar em dezembro

Não me preocupo com o fim da viagem

Preciso ver a paisagem

Não me culpo com o fim do passeio

Prefiro ser eu mesmo.




segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Necessária centelha

 



Necessária centelha

Para sair do escuro

E seguir o que escuto

Não vem pela orelha

Pode ser um rumo

Qualquer rima ou futuro

Mas se a luz me espelha

Quem sou eu sem tê-la?

Na fila do pão duro

Na fala das estrelas

Nas entrelinhas do discurso

No disco girando mudo

No mundo em labaredas

Quem sou eu, centelha?


quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Caí da cadeira

 



Caí da cadeira

Prendi o dedo

Vi estrelas

Suei degelos

Perdi a cor

Pedi gelo

Pra aliviar a dor

E o medo

Com a pressão baixa

Comi queijo

Mais um trauma

Que não passa cedo

Cadeira de praia

Não é brinquedo

Mordeu uma lasca

Do anelar direito.


sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

As borboletas

 



Azuis e pretas

As borboletas

Rodeiam

Passeiam

E deixam minha cabeça

Altamente submersa

A queda massageia

E voo com elas

Belas letras

No ar aquarelas

Também das amarelas

Nada se estreita

Perto das borboletas

Telas da natureza.



quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

É uma pena

 




É uma pena

E uma vergonha

Este cinema

Que não funciona

É um problema

É uma onda

Que bate e queima

O filme e a persona

Um esquema

Uma conta

É o sistema

Que nos detona

É um poema

É uma afronta

É uma cena

De quem sonha.




sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Um Cervantes no almoço




Um Cervantes no almoço 

É muito bom pra ficar pintando Miró

Admito que fui menos moço

Na minha adolescência de lá e dó

Tanta revolta, tanto alvoroço

Vazio na volta e no bolso

Cheio de razão

Na revolução

O povo na fila do osso

No fundo do poço

Indignação

Não rima com alienação.










domingo, 7 de novembro de 2021

Quando for eu mesmo

 






Quantos planos

Você nega

E nem aposta?

Quantos pianos

Você carrega

Nas costas?

Com a peça devida

Quando for eu mesmo no sangue

Serei alguém na vida

São tantos colegas

Que receberam colas

E agora dão as costas

São tantas léguas

Percorridas desde a escola

Moradias nas encostas

Não são meros adornos

Se trabalhasse com bumerangues

Certamente teria retorno.