sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A placa

 



A placa 

No chão

Prenunciava

A minha saída

Quem não me conteve

Foi quem me contou

É quem escreve

Sobre o que sou

Se algum conselho

Servir de consolo

Procura-se espelho

Para se ver no olho

A palma

Da mão

Predizia

As minhas palavras.



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Da música da dúvida





As minhas mãos

Despejam todas

As coisas, boas e más

Os dados destoam

Da música da dúvida

Os meus pés

Pisam nas folhas

Amarelas dos ipês

Que a chuva molha

E eu sinto culpa.




terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

É melhor estar do que estiar

 




É melhor estar do que estiar

Do que este ar

Perfumado

Vou me tatuar

Pra não me esquecer

Do desenho

Vou me tatear

Quando não puder

Ver o tempo

Vou só atuar

Pra deixar de ser

Vero tento

Vou me atar

Ao que me acontecer

Ver atento

Vou me hastear

Bandeira total, pode crer

Ver a tempo

É melhor nadar do que nada

Do que se danar

Perfurado.




sábado, 22 de janeiro de 2022

Surto de casos

 





Surto de casos

Furto de cabos

Carnaval e trem

Cancelados

É o inferno

Ou é a versão

Deste verão

Vigarista

Eu me declaro

Quando me calo

Quando convém

Eu abstraio

É afeto

Ou é aversão

Uma questão

De lovística.





segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Em você

 






Você não mora

Na minha cabeça

Embora

Meu pensamento esteja

Em você

Emborca

Minha embarcação

Muita onda

Pensar no que se sonda

Eis a estação.




quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Tal desenvolvimento

 


Quem ficou tão à vontade

Ficou só na vontade

Sempre volta a tempestade

Do nada ou mais tarde

Um novo tempo

No novelo do vento

E tal desenvolvimento

Não vai acabar em dezembro

Não me preocupo com o fim da viagem

Preciso ver a paisagem

Não me culpo com o fim do passeio

Prefiro ser eu mesmo.




segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Necessária centelha

 



Necessária centelha

Para sair do escuro

E seguir o que escuto

Não vem pela orelha

Pode ser um rumo

Qualquer rima ou futuro

Mas se a luz me espelha

Quem sou eu sem tê-la?

Na fila do pão duro

Na fala das estrelas

Nas entrelinhas do discurso

No disco girando mudo

No mundo em labaredas

Quem sou eu, centelha?