segunda-feira, 11 de abril de 2022

O silêncio escrito

 


Considerado foragido

Pela polícia pessoal 

Eu me encontro

Nos alicerces

Nos escombros

Momentos alegres

Época de demônios

Não sei se ali serve

O silêncio escrito

Por ser original

Amigo dos meus sonhos

E dos reveses

Que suponho

Serem testes

Que respondo

Mistério inconteste.






sexta-feira, 1 de abril de 2022

Quente como pimenta


 


Quente como pimenta

A década de setenta

Seargent Pepper

É dos anos sessenta

Salt n' Peppa

Entre oitenta e noventa

Não é só na pele

Que arde sem pena

O sol nesta febre

A chama do chamado queima

As cinzas não servem

Meu coração pede

Enquanto a cuca pensa

Meu coração repete

As petições às pencas

Pode ser em Kiev

Ou na Armênia

O que sobe desce

Mídia à venda

Daqui a pouco ferve

Como agora aguenta

Menos tête-à-tête

Do que videoconferência.





quarta-feira, 16 de março de 2022

Quem é você

 



Quem é você

Perto das feras

Longe das férias

Preso na esfera?


Como você vê

Cego nas trevas

Dentro da caverna

Debaixo da pedra?


O que você quer

Nos ecos da cabeça

Nos séculos de espera

Nas garras da guerra?


Quem você é 

No meio da névoa

Nas ruas da selva

No final da festa?


terça-feira, 1 de março de 2022

Cria de Niterói






 



Diz que é cria de Niterói, 

mas fala pipa, em vez de cafifa

nunca desceu o toboágua de Piratininga

nem bebeu, no cone de papel, Hidrovita

 

Diz que é cria de Niterói, 

todavia jamais deu balão no 47

nem foi ao pagode da TELERJ

ou viu a banda do seu bróder no Tobaga, no Salê.

 

Diz que é cria de Niterói, 

mas nunca pendurou conta no Seu Valério do DCE

nem embarcou no Espaço Convés

ou se alucinou no Barroquinho até às seis

 

Diz que é cria de Niterói, 

todavia jamais foi ao Forró do Biquíni, em Itacoá

nem tomou umas cervas no Cheiro de Mar

ou ampliou sua discoteca com as aquisições da Sabiá

 

Diz que é cria de Niterói,

mas nunca conheceu Soneca

nem foi ao Palco Livre às terças

ou aos céus com a banana split da Mesbla

 

Diz que é cria de Niterói,

todavia jamais foi ao cinema da UFF às segundas por um real

nem viu filme dos Trapalhões no Cinema Central

ou desceu o Bananal

 

Diz que é cria de Niterói,

Mas nunca bebeu Glacial no Bin Laden

nem dançou dance music no Le Village

ou bagaçou no Treco.

 

Diz que é cria de Niterói,

Todavia jamais pediu choro no mate em Itacoatiara

nem comeu pastel no Fla x Flu pós-praia

ou foi à Pastelaria Imbuhy perto das barcas

 

Nunca imaginou ter em casa uma Rozelândia

nem fez a pré-night entre a Double Six e a República das Bananas

 

Nunca foi ao Bar dos Amigos às sextas curtir o pagode do Argumento

nem pilotou o bate-bate no Campo de São Bento

 

Jamais foi ao rodízio de pizza no Mafioso

tampouco almoçou no Seu Antônio

 

Nunca apareceu no Pingo de Gente, d'O Fluminense

nem pediu Bolota ao Parede 

 

Diz que é cria de Niterói,

Todavia jamais foi à Galeria do Poste

nem requebrou no Pub 9

Jamais soltou a voz no trecho "na praça da Playboy, ou em Niterói!"

nem voltou do Rio no 100 na madruga

ou se deliciou no Big Burger.

 

Nunca sambou no Candongueiro

nem laricou podrão quinta à noite na Cantareira

 

Diz que é cria de Niterói,

Mas nunca pediu um chopp no Steak House

nem trocou fitas K-7 na Fire Rock

 

Jamais tremeu na base quando a Mãe Dináh previu que o Plaza Shopping ia cair

tampouco tirou foto com o Papai Noel da Sandiz

 

Diz que é cria de Niterói, 

mas fala joelho, em vez de italiano

nem nunca falou casa ou aniversário DE fulano.

 

 

 

 


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A placa

 



A placa 

No chão

Prenunciava

A minha saída

Quem não me conteve

Foi quem me contou

É quem escreve

Sobre o que sou

Se algum conselho

Servir de consolo

Procura-se espelho

Para se ver no olho

A palma

Da mão

Predizia

As minhas palavras.



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Da música da dúvida





As minhas mãos

Despejam todas

As coisas, boas e más

Os dados destoam

Da música da dúvida

Os meus pés

Pisam nas folhas

Amarelas dos ipês

Que a chuva molha

E eu sinto culpa.




terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

É melhor estar do que estiar

 




É melhor estar do que estiar

Do que este ar

Perfumado

Vou me tatuar

Pra não me esquecer

Do desenho

Vou me tatear

Quando não puder

Ver o tempo

Vou só atuar

Pra deixar de ser

Vero tento

Vou me atar

Ao que me acontecer

Ver atento

Vou me hastear

Bandeira total, pode crer

Ver a tempo

É melhor nadar do que nada

Do que se danar

Perfurado.