sábado, 14 de maio de 2022

Quanto vale?

 


Quanto vale 

A valentia

No vale

Ou na cova

Da covardia?

Quem se acomoda

Na mansão da zona

De conforto

Na imensidão medonha

Na mansidão mora

Inquilina inquietude

Há quem exista morto

Ressurgindo por meio de memórias

Sumindo por falta de atitude

Deixar que a alma se exponha

É coisa de sem-vergonha.






segunda-feira, 2 de maio de 2022

No cérebro

 




Qual foi o chip

Posto no cérebro?

Que bad trip

Que vibe


Que mistério

Tempos difíceis

E intoleráveis

Enquanto espero


Vídeo clipe

Marketing

De filme

Puro descarte


Cadê os hippies,

Paul McCartney?

No futuro do pretérito

Na plataforma de embarque


No caos, no dique

Na rota, no baque, no prédio

Não estou derrotado, disse

Derretendo o meu castelo


Talvez reste alguma parte

Em pleno voo cego

Para que eu não arque

Com o clique no cérebro.








segunda-feira, 18 de abril de 2022

A certeza da efemeridade

 



A certeza da efemeridade

Não me livra das saudades

De quando me empenhei para tê-las

Matemática do céu na terra

Se o pensamento pensa

Em ser mais crítico do que mágico

A escolha pela comodidade

Não exclui a consciência

Que bate a estaca cedo ou tarde

Ando estático

Acho que já passei de fase

Paro errático

Porém poucos sabem.







segunda-feira, 11 de abril de 2022

O silêncio escrito

 


Considerado foragido

Pela polícia pessoal 

Eu me encontro

Nos alicerces

Nos escombros

Momentos alegres

Época de demônios

Não sei se ali serve

O silêncio escrito

Por ser original

Amigo dos meus sonhos

E dos reveses

Que suponho

Serem testes

Que respondo

Mistério inconteste.






sexta-feira, 1 de abril de 2022

Quente como pimenta


 


Quente como pimenta

A década de setenta

Seargent Pepper

É dos anos sessenta

Salt n' Peppa

Entre oitenta e noventa

Não é só na pele

Que arde sem pena

O sol nesta febre

A chama do chamado queima

As cinzas não servem

Meu coração pede

Enquanto a cuca pensa

Meu coração repete

As petições às pencas

Pode ser em Kiev

Ou na Armênia

O que sobe desce

Mídia à venda

Daqui a pouco ferve

Como agora aguenta

Menos tête-à-tête

Do que videoconferência.





quarta-feira, 16 de março de 2022

Quem é você

 



Quem é você

Perto das feras

Longe das férias

Preso na esfera?


Como você vê

Cego nas trevas

Dentro da caverna

Debaixo da pedra?


O que você quer

Nos ecos da cabeça

Nos séculos de espera

Nas garras da guerra?


Quem você é 

No meio da névoa

Nas ruas da selva

No final da festa?


terça-feira, 1 de março de 2022

Cria de Niterói






 



Diz que é cria de Niterói, 

mas fala pipa, em vez de cafifa

nunca desceu o toboágua de Piratininga

nem bebeu, no cone de papel, Hidrovita

 

Diz que é cria de Niterói, 

todavia jamais deu balão no 47

nem foi ao pagode da TELERJ

ou viu a banda do seu bróder no Tobaga, no Salê.

 

Diz que é cria de Niterói, 

mas nunca pendurou conta no Seu Valério do DCE

nem embarcou no Espaço Convés

ou se alucinou no Barroquinho até às seis

 

Diz que é cria de Niterói, 

todavia jamais foi ao Forró do Biquíni, em Itacoá

nem tomou umas cervas no Cheiro de Mar

ou ampliou sua discoteca com as aquisições da Sabiá

 

Diz que é cria de Niterói,

mas nunca conheceu Soneca

nem foi ao Palco Livre às terças

ou aos céus com a banana split da Mesbla

 

Diz que é cria de Niterói,

todavia jamais foi ao cinema da UFF às segundas por um real

nem viu filme dos Trapalhões no Cinema Central

ou desceu o Bananal

 

Diz que é cria de Niterói,

Mas nunca bebeu Glacial no Bin Laden

nem dançou dance music no Le Village

ou bagaçou no Treco.

 

Diz que é cria de Niterói,

Todavia jamais pediu choro no mate em Itacoatiara

nem comeu pastel no Fla x Flu pós-praia

ou foi à Pastelaria Imbuhy perto das barcas

 

Nunca imaginou ter em casa uma Rozelândia

nem fez a pré-night entre a Double Six e a República das Bananas

 

Nunca foi ao Bar dos Amigos às sextas curtir o pagode do Argumento

nem pilotou o bate-bate no Campo de São Bento

 

Jamais foi ao rodízio de pizza no Mafioso

tampouco almoçou no Seu Antônio

 

Nunca apareceu no Pingo de Gente, d'O Fluminense

nem pediu Bolota ao Parede 

 

Diz que é cria de Niterói,

Todavia jamais foi à Galeria do Poste

nem requebrou no Pub 9

Jamais soltou a voz no trecho "na praça da Playboy, ou em Niterói!"

nem voltou do Rio no 100 na madruga

ou se deliciou no Big Burger.

 

Nunca sambou no Candongueiro

nem laricou podrão quinta à noite na Cantareira

 

Diz que é cria de Niterói,

Mas nunca pediu um chopp no Steak House

nem trocou fitas K-7 na Fire Rock

 

Jamais tremeu na base quando a Mãe Dináh previu que o Plaza Shopping ia cair

tampouco tirou foto com o Papai Noel da Sandiz

 

Diz que é cria de Niterói, 

mas fala joelho, em vez de italiano

nem nunca falou casa ou aniversário DE fulano.