terça-feira, 14 de junho de 2022

O gelo maior do que o mar

 



A gente mora

Numa bola

Azul com espumas

Que flutua

Entre a delicadeza

E a decadência

A gente demora

Mais do que o agora

Às vezes

Para saber o que dizem

Os deuses

Agentes decidem

Não sei quanto a vós

Mas vou aproveitar

O gelo maior do que o mar

Conhecendo cada

Vez mais a minha casa

Para ouvir aquela voz.




segunda-feira, 6 de junho de 2022

Mascar água

 


Mascar água 

Saborear a raiva

Regada à mágoa

Não é conto

De fada

É crônico

Andar pela casa

Atônito, tonto

Pronto para o vômito

Na privada

Na almofada

No meio do sonho

No centro da alma

No canto da sala

No futuro enfadonho 

Na retórica sofismada

Uma porta se fecha

Abrindo um ponto

Ou mais um pouco

Enquanto o tempo deixa

Os catedráticos loucos

E o passado mais longo

Passa o corpo

De bombeiros

Passam as motos

Os tempos eleitoreiros

Passa a ambulância

Passa um ano inteiro

E ficam as lembranças

Estalando no braseiro.







sábado, 14 de maio de 2022

Quanto vale?

 


Quanto vale 

A valentia

No vale

Ou na cova

Da covardia?

Quem se acomoda

Na mansão da zona

De conforto

Na imensidão medonha

Na mansidão mora

Inquilina inquietude

Há quem exista morto

Ressurgindo por meio de memórias

Sumindo por falta de atitude

Deixar que a alma se exponha

É coisa de sem-vergonha.






segunda-feira, 2 de maio de 2022

No cérebro

 




Qual foi o chip

Posto no cérebro?

Que bad trip

Que vibe


Que mistério

Tempos difíceis

E intoleráveis

Enquanto espero


Vídeo clipe

Marketing

De filme

Puro descarte


Cadê os hippies,

Paul McCartney?

No futuro do pretérito

Na plataforma de embarque


No caos, no dique

Na rota, no baque, no prédio

Não estou derrotado, disse

Derretendo o meu castelo


Talvez reste alguma parte

Em pleno voo cego

Para que eu não arque

Com o clique no cérebro.








segunda-feira, 18 de abril de 2022

A certeza da efemeridade

 



A certeza da efemeridade

Não me livra das saudades

De quando me empenhei para tê-las

Matemática do céu na terra

Se o pensamento pensa

Em ser mais crítico do que mágico

A escolha pela comodidade

Não exclui a consciência

Que bate a estaca cedo ou tarde

Ando estático

Acho que já passei de fase

Paro errático

Porém poucos sabem.







segunda-feira, 11 de abril de 2022

O silêncio escrito

 


Considerado foragido

Pela polícia pessoal 

Eu me encontro

Nos alicerces

Nos escombros

Momentos alegres

Época de demônios

Não sei se ali serve

O silêncio escrito

Por ser original

Amigo dos meus sonhos

E dos reveses

Que suponho

Serem testes

Que respondo

Mistério inconteste.






sexta-feira, 1 de abril de 2022

Quente como pimenta


 


Quente como pimenta

A década de setenta

Seargent Pepper

É dos anos sessenta

Salt n' Peppa

Entre oitenta e noventa

Não é só na pele

Que arde sem pena

O sol nesta febre

A chama do chamado queima

As cinzas não servem

Meu coração pede

Enquanto a cuca pensa

Meu coração repete

As petições às pencas

Pode ser em Kiev

Ou na Armênia

O que sobe desce

Mídia à venda

Daqui a pouco ferve

Como agora aguenta

Menos tête-à-tête

Do que videoconferência.