terça-feira, 26 de julho de 2022

Quem planta acolhe

 



Quem planta acolhe

Da raiz velha

Madura e jovem

Para que decole

Feito centelha

Feliz e forte

A infância

É um quarto que não se penetra 

A instância

De dentro só é vista

Pela janela

Caso a cortina

Esteja aberta

Para a retina

Quem pinta a cara

No papel

Na tela

Aos céus se declara

O que é seu

O que é da terra.





sexta-feira, 15 de julho de 2022

A gente sonha

 



A gente sonha

Até ronca e conta

O que esteve

Afogado e à tona

É assim que a vida acontece 

E funciona 

De vez em vez

A desilusão está em conta

Em cartaz na sessão das dez

Quando desaparecem

A redoma

E o rascunho breve

Com as rimas tontas

Quem escreve esquece

Há quem se esconda

Mas não sou dessa espécie

Poucos leem a matéria toda

E pensam que conhecem

A notícia só pela manchete

A gente sonha…








segunda-feira, 4 de julho de 2022

A realidade estranha é esta

 



É tanto choro

Que preciso de soro

É muito delírio

Transformado em regra

Nojo da notícia alegre do martírio

Que o povo supera

Dos pampas à Amazônia

A realidade estranha é esta

Haja borrifo de colônia

Para a merda

Que este país se tornou

Entre o suspiro da novela 

E o grito de gol

Quero me armar de livros

Quando cada clube de tiro

Virar biblioteca.




domingo, 26 de junho de 2022

É uma onda ver

 


O assédio

Ao meu indivíduo

É sério

É assíduo

É necessário

Saber de onde vim

De quem sou originário

Para um dossiê de mim

É uma onda ver

Da varanda

A onda bater

Velha criança

Quando converso

Comigo, com as plantas

E com os versos

Vejo como se anda

Ainda em dias adversos

É uma onda ver.







sábado, 18 de junho de 2022

Está ao redor um poema

 


É um novo documento

Um registro atual

Do meu pensamento

Do meu sinistro canal

Quando não respondo

De forma absoluta

Em estéreo e em mono

Como o mistério se escuta

Está ao redor um poema

Deitando na rede social

Enquanto se pensa

No próximo a sair no jornal

Quando eu não posto nem falo

Você me ouve

Sobre uma noite ou um estalo

Que não é de hoje.





terça-feira, 14 de junho de 2022

O gelo maior do que o mar

 



A gente mora

Numa bola

Azul com espumas

Que flutua

Entre a delicadeza

E a decadência

A gente demora

Mais do que o agora

Às vezes

Para saber o que dizem

Os deuses

Agentes decidem

Não sei quanto a vós

Mas vou aproveitar

O gelo maior do que o mar

Conhecendo cada

Vez mais a minha casa

Para ouvir aquela voz.




segunda-feira, 6 de junho de 2022

Mascar água

 


Mascar água 

Saborear a raiva

Regada à mágoa

Não é conto

De fada

É crônico

Andar pela casa

Atônito, tonto

Pronto para o vômito

Na privada

Na almofada

No meio do sonho

No centro da alma

No canto da sala

No futuro enfadonho 

Na retórica sofismada

Uma porta se fecha

Abrindo um ponto

Ou mais um pouco

Enquanto o tempo deixa

Os catedráticos loucos

E o passado mais longo

Passa o corpo

De bombeiros

Passam as motos

Os tempos eleitoreiros

Passa a ambulância

Passa um ano inteiro

E ficam as lembranças

Estalando no braseiro.