sábado, 28 de janeiro de 2023

Diamante e diarreia




Para que o dia raia

Diamante e diarreia

Esperam-se a palavra

Distante, a ideia


E o instante de se levar à praia

Louvar as pedras 

Lavar a alma

Enquanto a onda pega 


Nademos na veia

Na espuma da água

No espasmo da tela 

No espelho de sangue


Talvez à noite se leia

Na torra da estrada 

A nota da estrela 

Na derrota, no derrame.



sábado, 21 de janeiro de 2023

Os guardas da fronteira

 




Os guardas da fronteira

Não me deixam

Atravessar para o norte

Rumo ao interior


A vida é um filme de terror 

Psicológico, com cortes

Coleira, colégio, colheita 

Entre privilégios e rasteiras


Eu me esqueço do passaporte

Para aquele voo

Bem depois das dez e meia

Não me deixam transpor


Sem pagar as taxas aduaneiras

Já sei que quando for

Preciso, atento e forte,

Portarei na carteira 


A alma, o passaporte

Para cruzar o atual estado

O sol ignora a aurora ao se pôr 

Para os guardas da fronteira


Ficarem sossegados

Com afinco sendo quem sou

Não é questão de sorte

Mas de intuição certeira.










sábado, 14 de janeiro de 2023

Coisas do pretérito

 



Parecem coisas do pretérito

Anos oitenta, novena e zero

Planos plenos na gaveta

Decretos pétreos que revogo

O sentimento é ideal


Vendo mais mortos

Do que os vivos nas fotos

Destroços, ciscos, poeira

E o comecinho do mofo

A ideia é sentimental 


Não é só mais no mar que percebo

O quão sou pequeno 

Uma temporada inteira

De tempestade nos olhos

Tempero do tempo temporal 




sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Apesar da mesma ausência

 


Há frutos do mar

E frutas do pomar

Há uma diferença

Entre a nostalgia


E a saudade

Apesar da mesma ausência 

Eu sinto falta do ar,

Do tempo, dos dias, da idade 


Em que não sabia de nada

Eu me lembro do lugar

Onde tudo era à tarde 

Onde já foi meu lar, minha tenda


E vejo como está agora

É como se eu estivesse fora

De lá, à margem da estrada 

Noutra cidade, noutra existência


Não pode ser capaz pela espora

Em busca da paz de espírito

E a dança dos eucaliptos

É sopro da safra apenas.






sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Novidades colorizadas

 


Um lento

Esquecimento

O que invento e cismo

São traumas, lamentos e memórias


Um alento

De qualquer momento

Na torre ou no abismo 

É onde a alma escorre e mora


Novidades colorizadas

O perfeccionismo

É uma imperfeição, no íntimo

A verdade está na cara


São diversos

Poemas com plumas

Planando em versos

De pouca mensagem ou nenhuma


São relatórios discretos

São reportagens do baile 

De casa, do escritório, da rua

Há quem saiba, há quem fale


Parado relógio

Fantástico de precisão curta

Quase sempre ilógico

É poesia, quem diria?


Muito certo uma ou duas

Vezes por dia

Um minuto dura

Perto de um intuito, passa logo.







terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Tem tanta coisa

 



Tem tanta coisa

Para me distrair

Para me deixar tonta

E atenta a cabeça


São distrações boas

Da peçonha ao elixir 

Já chegou a conta

Tá sobre a mesa


Os sonhos ecoam

Numa praia daqui

Em prol daquela onda

Que só me proteja


Do sol de verão a sombra 

Na sobra do porvir 

Questão de escolha

Bolha da consciência


O pudor contra

O poder de destruir

Toda uma pessoa

Na destreza da peça


Pendente para a força 

Pender para o sim

Por mais que doa

Por mais que desça


Irradiado pela sonda

Recordei-me de mim

E do que me ressoa

Ao redor e na réstia


Tem tanta coisa

Pra me fazer feliz

Que as mágoas foram 

Da cela à festa.










terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Ventos e naus

 



Batem ventos e naus

Em pontes puídas

Trinta e sete graus

Nas piscinas poluídas


Bailam olhos e chaves

Em portas partidas

Zarpam nuvens e naves

Dos portos perdidos


Tropeçam nos ares

Tortas partidas

Represam os mares

Perdões repetidos


Na dúvida, o charme

Padrões despidos

Velhas charadas

Na leveza do caos


Leis caladas

Choros pedidos

Ouros, espadas

Copas e paus


Petardos e cartas

Um estalo, um alarme

Para saber que tem alma

Para sentir na carne.