sábado, 6 de maio de 2023

Se eu me levar

 




Se eu me levar

A sério

Não será

Porque quero 


Elogio sem bajulação

Crítica sem ofensa


Se eu me velar

Soará manifesto

Se eu me livrar

Estarei por perto


Espiritualidade sem religião

Ciência sem crença


Se eu me levar

Não sei se regresso

Daquele lugar

De onde me esperam


Entre cumprir a missão

E comprar a omissão

Vou regando as plantas


Tendo o céu aberto

Como piso e teto

Regalias estranhas











terça-feira, 18 de abril de 2023

Que desterro

 




Casa cheia de moscas

Chegando do deserto 

Decerto das coisas

Que disserto


A verdade é fosca

E os indícios, a ferro

Nos versos, nas forças 

Que desperto 


A vida vem em bombas

E a vaidade, do império

Belo e bélico nas sombras

Que disseco


As virtudes são poucas

E os humores, sérios

Perto das pessoas

Que se darão e se deram


As saudades vêm à tona

De uma cidade dos anos zero

De uma necessidade atônita 

Que desterro 


A realidade é louca

E os delírios, sinceros

Mistérios das bocas

Que dirão e disseram.




sábado, 15 de abril de 2023

A vida em seus métodos diz carma

 




A vida

Em seus métodos

Diz carma


Há quem coma

Somente os presuntos

De Parma


E há quem vire defunto 

Por fome, por arma, por credo,

Por trauma, por excesso de faltas 


A vida

Em seus préstimos 

Diz alma


Há quem vire a cara

Ao que está imaterial 

E impresso na palma


Clique da garrafa ou aéreo 

Do Leminski ao pontal

Ninguém grafa igual.





sábado, 1 de abril de 2023

Alguém alguém

 



Fora da curva

Sob a chuva

O tempo espicha 

Alguém espirra


À beira do rio

Na baixeza do abismo

O buraco espera 

Alguém espeta


Entre a pressão

E a pressa da revolução 

A intuição explica

Alguém espanta


No sinal verde

Além da parede 

O céu espelha

Alguém espalha


Fora do ar

Na força do mar

A onda expulsa 

Alguém espuma


Na matéria etérea

Do planeta Terra 

O limite expõe

Alguém explode


Perante a vida

Longo enigma

Alguém expede

Alguém espírito 



sexta-feira, 24 de março de 2023

Vamos correr

 


Vamos correr para as montanhas

Onde nossas entranhas

Não sejam estradas submissas

Para os mares que sobem e avançam

Dia após dia


Vamos correr da dicotomia

Obsoleta entre o comunismo

E o capitalismo

Agora a treta é do Mercado

Contra o Estado


Vamos correr para as estranhas

Maneiras das nossas almas

Onde os nomes encantam e acalmam

Pela musicalidade

Vamos correr, humanidade


E quem disser que teve auxílio

Do Mercado deve correr ao hospício

Se não for um empresário, podre

De rico ou um reacionário pobre.

quinta-feira, 23 de março de 2023

Eu enxergo mais para dentro quando uso as antenas




Antolhos, atalho
Entulhos, atoleiro
É tudo tão doméstico
Até o mistério

Um dia nublado
Não dubla o berro nem arrefece
A cuca quando é verão

De volta aos trabalhos 
Não se debelam os segredos
Pregados na porta, histéricos 
Picolé é tiroteio certo

Depois da pimenta no lábio
Na digestão do arrebol que derrete
As cortinas abolindo a visão

Entre retalhos, talhos
E telhados inteiros
Retenho o céu debaixo do teto
Ah, é tudo tão poético

Que por raciocínio indecifrável 
Dislexia ou stress
Pode ter outra interpretação.

segunda-feira, 6 de março de 2023

Você pode

 



Você pode seguir a novela

Apenas pelas chamadas

Você consegue uma boa ideia 

Mesmo sem concretizá-la


Você pode estar contente 

E a felicidade, em falta 

Você pode fingir ser coerente 

Mas berimbau não é gaita


Você pode sonhar

Enquanto não pressente 

Você é capaz de voar

Sem que bata as asas


Você pode estar no exílio

No seu próprio domicílio 

Você pode viajar

Sem sair do lugar


Você pode ser pobre

E possuir muita grana

É possível haver fome

Mesmo após a janta 


Você pode estar no atraso 

Porém tem hora pra tudo 

Você pode nadar no raso 

E parecer profundo.