terça-feira, 24 de junho de 2008

Não me dizia nada, mas ele falava

O olhar do menino
Não me dizia nada
Mas ele falava
Com seu sotaque
Em tom de ataque
Que queria uma calça.

Para qualquer parecer

O corpo é perecível
Nutrir a alma é preciso
Por mais que me desloque
Para qualquer parecer
Vai haver sempre um toque
Subjetivo no que disser.

É fácil ser medíocre

É fácil ser medíocre
Saber o fim do filme
O que será de mim
Parece tão simples
Que fica difícil
A fim de que se refine
O que no início
Por capricho não se define.

De longe desperto dormindo

À noite tudo
Fica mais solar
Quando quero muito
Freqüentar só lá

Antes de a hecatombe assolar
E de soar catacumba vosso lar

E se as profecias fossem refeitas
Virando um feriado no domingo
E escafandros para borboletas?
De longe desperto dormindo

Depois de o cataclismo
Estiver disposto a ser meu amigo.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Do balde ao rio

Um dia se descobre
A baldia contenção
Da cobiça nobre
Sob movediça tensão
Do balde ao rio

Boto a cara
E o corpo na janela
O tempo está firme
Para todos os fatos
Em pleno solstício

Talvez não queira
Apelar ao blefe
Ao pular na fronteira
Entre a órbita leve
E o glamour do abismo

Bato as asas,
À porta e a tecla
Por uma ponta no filme
Sei que não é fácil
Portanto eu me arrisco.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A seja lá o que for

Não sou ator
Nem aspirante
A seja lá o que for
Que a sorte me chame

Não sou um perdedor
Nem invicto no tatame
Pra sair de onde estou
Eu ando em transe

Não sou mediador
Muito menos militante
Da minha própria dor
Apupada no palanque

Não sou curador
Nem marchand
De obras sem valor
Estética estanque

Não sei quem botou
Água no champanhe
Pra quem se sabotou
Falta outra chance

Nunca fui professor
Mas um estudante
Que se confessou
Inapto no exame

Não me acho desertor
Tampouco infame
Conheço quem eu sou
Por mais que me estranhe.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Da era de Aquário

Uma alegria
De água fresca
E sombria

Entorna certeza
Errática e sóbria
E as cartas na mesa

Não sei se as leio
Ou se as jogo
Seriamente alheio

Ou se apago o fogo
Ou se me incendeio
Cedo logo

Aos ditames
Do tempo sábio
Bem antes

De ficar inábil
E distante
Da era de Aquário.