domingo, 15 de março de 2020

A fome é mais letal do que o Coronavírus

Um ser humano some
Pelo vírus da fome
A cada quatro segundos
Neste apetitoso mundo
Oito mil e quinhentas criancinhas
Morrem todo diabólico dia
Por falta de vacina
Sinônimo de comida

Se a fome dizimasse
Qualquer pessoa
Independente da classe
Social e de quanto tem na conta
Haveria uma mobilização
Como a contra o Corona
Caso a desnutrição
Não tivesse escolha.

terça-feira, 10 de março de 2020

No céu e no chão

Alienação
Como disfarce
Da irresponsabilidade
No céu e no chão
Está aceso o alarme
Do medo e da tempestade
De pé e no caixão
Sofrendo na carne
O caos e as sôfregas saudades.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Das mesmas pautas

A serpente rasteja entre nós
Muitos idolatram
A sua mentalidade atroz
Agrotóxica e trágica
Vamos falar das mesmas pautas
Não pela falta
De assunto
Mas porque parecem surdos
Ao cotidiano cheio de absurdos
Que nos matam
Contudo se estivermos juntos
O sonho volta à prática.

domingo, 1 de março de 2020

E há quem

Vidas entregues
A domicílio
Ou na sarjeta

E há quem se cegue
Por necropolíticos
Covardes e caretas

O mundo está prestes
A mudar de cenário
Em vez da cabeça

E há quem se preste
A dizer o contrário
Das teses e receitas

A realidade não serve
Para os aplicativos
Que apenas enfeitam

E há quem me leve
A crer nalgum sentido
A criar qualquer certeza.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Só algum desperdício

Não foi tempo perdido
Só algum desperdício
Do que tenho pedido
Ao longo dos anos

Tudo anda difícil
Meteoro e míssil
Talvez não findem com isso
Nem com os aéreos planos

Eu sei, não tem sido
Aquele sonho colorido
Mas não ponho meu sorriso
Num esconderijo
Até por mim desconhecido

É um martírio instituído
A vida aqui no Rio
De maravilhas e riscos
E o carnaval é um indício
De ocasional paraíso.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Nos preparativos

Nos preparativos para a festa
Do fim do mundo
Talvez dancemos na espera
Porém respiremos fundo
Ficaremos tranquilos
Com os ornamentos
Com os biricuticos
Enquanto morremos de orçamento
Às vésperas do evento
Precisamos estar atentos
À alegria a rigor
Às fantasias da carne
Até o dia em que a bagaça for
Xepa do after
Quando nada houver
Tudo over.


sábado, 1 de fevereiro de 2020

Talvez tudo seja mesmo lido

Reconheço que preciso ler
Mais as entrelinhas
E os livros que passam e pousam
Em minhas mãos agitadas
Talvez tudo seja mesmo lido
Ao passo que tento ser
O que se deseja em vida
Ainda que ninguém ouça
Ou veja além da fachada
Da casa ou do hospício
Embora imprópria, cantarei
A minha própria marchinha
Com todas as forças
Sambadas da alma
Quem vai comigo?
Só porque não posso entender
Não significa
Que alguma coisa
Esteja errada
Será que consigo?