sábado, 28 de maio de 2016

As novas palavras antigas

Algumas pessoas se intrigam
Com as novas palavras
Antigas
Eu procuro falá-las
Embora não existam
Ainda
Nos atuais dias
Estão em desuso
Vagueiam noutros mundos
Em todos os dicionários
Não há os significados
Das gírias
Antes que se digam
As novíssimas
Palavras de antigamente
Sugiro que experimentem
Pronunciá-las
Quase sempre.

sábado, 21 de maio de 2016

Caso dormisse sem escrever, esqueceria


Extinto
Perco a cor
Não me tinjo
Mais nem sou
Só existo
Pelo que passou
Se resisto
Seja como for.
 
 

sábado, 7 de maio de 2016

É outro


Bem perto

Do porto

Embarco

E parto

De novo

Mais velho

Só na idade

Navego

Mais moço

Antes que seja tarde

Eu nasço

É outro

Parto

Nunca morto

Mas eu me mato

A cada metro

De teto

E ex-passos.







 
     






 
 
 
 
 


 

 

 

 


 
 
 

 





 

 

 



sexta-feira, 6 de maio de 2016

Tentações, ostentações e sustentações



Pouca resistência
Às tentações
Quando não se pensa
Nas ostentações
Da fortaleza suspensa
Cujas sustentações
Estão nas experiências
Nas tentativas das ações

Eu não posso
Negar uma boa dose de café
Com adoçante ou açúcar
Depois do almoço

Não é preciso ter muita fé
Para crer no sono
O que me segura
São os ossos, os ombros, os olhos e os pés.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

A culpada é a onda

Prince desencarna
Ciclovia Tim Maia
Tem um trecho
De cinquenta metros
Abocanhado pelo mar
A tocha olímpica
É acesa na Grécia
Não tem sessão da tarde neste dia
Em que a culpada é a onda de inépcia.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Tempos histéricos

A lua cheia
Diante do sofá
Aparece sorrateira
E Thriller começa
A tocar
Do repertório alfabético
Do celular
Tempos histéricos
Melhor lugar
Para o patético
Parece que não há.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Domingo ilegal

Estou mais chocado
Do que a serpente
Egressa do ovo
Estou tão desolado
Quanto as sementes
Regadas pelo povo
Estou bem triste
Com os dedos em riste
Da direita, do ódio
Racista, elitista, homofóbico e misógino
Enquanto todos assistem
Ao circo do horror e do acinte
Entregando o petróleo
O nióbio
O nosso solo,
O óbvio
E o voto
Da maioria no colo
De quem nos vê com maus olhos
Após o programa, o domingo ilegal,
Não podemos ficar indiferentes
Ao que está desigual:
Vamos à luta, vamos em frente!