terça-feira, 30 de agosto de 2022

Dançando com as bestas

 Dançando com as bestas


Pensando que é uma festa


Este calvário que jaz


Na sexta geração


A fome posta à mesa


Festival de gastronomia e de jazz


 


Não tem filosofia que se meça


Ou que peça demissão


Caso não tenha comida para a cabeça


Não se faz revolução


O clima parece tão suave


Que o copo se parte


 


Tirar leite da perda


É tiro e queda


Tirolesa sem cinto


Sobre a festa


Com temática de abismo


Eu vou nessa


 


Estrada cujo destino


Meu coração atravessa


Sujo de poeira, poesia e perigo


Sem mais delongas


Nem alegres tristezas


Tudo vai e vem em ondas


 


Questão de frequência


A caminhada é longa


A chegada do viajante


Embora se esconda


Está mais perto do que antes


O caos se instala


 


Na casa, na nave redonda,


No meio da sala


O avião passa


Rente ao prédio


Ao passo que o vizinho põe as


Gaiolas no gancho do teto.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

O que me faz rir

 


O que me faz rir

Não é a claque

Posso ter o baque 

Do tempo pela canção 

Que deixa menos vasta

Toda a devastação

O que dá vontade de aplaudir

Sem ironia

Uma necessária ira

Alguns vão reduzir

À mera heresia

Mais do que anteontem

Anti-ontem

No nadar da carruagem

Na chama e no chamado do horizonte 

Negação do saudosismo passado

Para chegar na outra margem 

Do rio com forte corrente

Na diagonal nado

Em vez de ir reto, em frente 

E direto ao outro lado 

O que me faz rir

Não é a humilhação

Dos humildes

Mas quem comete a opressão

Sentir o revide

Da comédia no ringue 

Através de um humor

Que critique o opressor

Não há elite

Que se livre

Do mais potente calibre.








quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Eu sou homem

 



Eu sou homem

Em vez de macho

Quem se esconde

Por debaixo

Da ponte

E por cima

Do murro

Enterro

Cada ser

É cadáver

Decerto 

Encerro

Em erros

Deserto

De acertos

Bacanas

Em cachos

Não sou banana

Tampouco macho

Eu sou homem

Sou quem emana

Sou mais do que um nome

Sou igual a quem ama

Sou quem acho.












terça-feira, 26 de julho de 2022

Quem planta acolhe

 



Quem planta acolhe

Da raiz velha

Madura e jovem

Para que decole

Feito centelha

Feliz e forte

A infância

É um quarto que não se penetra 

A instância

De dentro só é vista

Pela janela

Caso a cortina

Esteja aberta

Para a retina

Quem pinta a cara

No papel

Na tela

Aos céus se declara

O que é seu

O que é da terra.





sexta-feira, 15 de julho de 2022

A gente sonha

 



A gente sonha

Até ronca e conta

O que esteve

Afogado e à tona

É assim que a vida acontece 

E funciona 

De vez em vez

A desilusão está em conta

Em cartaz na sessão das dez

Quando desaparecem

A redoma

E o rascunho breve

Com as rimas tontas

Quem escreve esquece

Há quem se esconda

Mas não sou dessa espécie

Poucos leem a matéria toda

E pensam que conhecem

A notícia só pela manchete

A gente sonha…








segunda-feira, 4 de julho de 2022

A realidade estranha é esta

 



É tanto choro

Que preciso de soro

É muito delírio

Transformado em regra

Nojo da notícia alegre do martírio

Que o povo supera

Dos pampas à Amazônia

A realidade estranha é esta

Haja borrifo de colônia

Para a merda

Que este país se tornou

Entre o suspiro da novela 

E o grito de gol

Quero me armar de livros

Quando cada clube de tiro

Virar biblioteca.




domingo, 26 de junho de 2022

É uma onda ver

 


O assédio

Ao meu indivíduo

É sério

É assíduo

É necessário

Saber de onde vim

De quem sou originário

Para um dossiê de mim

É uma onda ver

Da varanda

A onda bater

Velha criança

Quando converso

Comigo, com as plantas

E com os versos

Vejo como se anda

Ainda em dias adversos

É uma onda ver.