quinta-feira, 14 de maio de 2026

Teimosa porta

 

Nem toda verdade 

Precisa nascer na fúria

Mas nenhuma pode mais ficar muda

Há verdades que pedem silêncio

Uma lacuna dentro do peito


Antes do desfile na rua

Num Sete de Setembro

Antes de renascer

A alma se desgruda

De quem fingia ser


Nenhuma certeza fica muda

E então a pergunta: 

Você quer ovação na coluna

Ou a verdade nua?

Não cabem as duas coisas


A porta aparece sempre

Entrar ou não é escolha ainda 

Mas o destino insta

O desejo já não pesa: 

Vira força criativa


Dizer o necessário, sem aplauso, 

É coragem que não grita 

Mas muda tudo

O desconforto não falha: 

Empurra futuros


A sombra fala

A tonalidade é sua

Expressar a verdade 

Ou provar que não erra nunca?

A diferença muda o trajeto


Você não se rasga

Ao olhar para dentro de si

Você se costura

A vergonha enfraquece

A dor ganha nome


Quando há verdade, 

A vida responde

E pede que abandone o controle.

Pessoas mostram e seguem

Com o tempo, a verdade emudece


Ela basta

Isso não é retrocesso 

É casulo

Antes de agir no mundo

Aceite-se sem máscara


E então, a porta deixa de ser escolha:

Você já é quem perpassa.


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