Nem toda verdade
Precisa nascer na fúria
Mas nenhuma pode mais ficar muda
Há verdades que pedem silêncio
Uma lacuna dentro do peito
Antes do desfile na rua
Num Sete de Setembro
Antes de renascer
A alma se desgruda
De quem fingia ser
Nenhuma certeza fica muda
E então a pergunta:
Você quer ovação na coluna
Ou a verdade nua?
Não cabem as duas coisas
A porta aparece sempre
Entrar ou não é escolha ainda
Mas o destino insta
O desejo já não pesa:
Vira força criativa
Dizer o necessário, sem aplauso,
É coragem que não grita
Mas muda tudo
O desconforto não falha:
Empurra futuros
A sombra fala
A tonalidade é sua
Expressar a verdade
Ou provar que não erra nunca?
A diferença muda o trajeto
Você não se rasga
Ao olhar para dentro de si
Você se costura
A vergonha enfraquece
A dor ganha nome
Quando há verdade,
A vida responde
E pede que abandone o controle.
Pessoas mostram e seguem
Com o tempo, a verdade emudece
Ela basta
Isso não é retrocesso
É casulo
Antes de agir no mundo
Aceite-se sem máscara
E então, a porta deixa de ser escolha:
Você já é quem perpassa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário