Quantos vendavais
São vendáveis?
Onde estão as chaves
Por um futuro de paz?
Não é o tempo que corre
É a gente que se move
Muito além dos pratos úmidos,
Dos copos no escorredor,
Há um suspiro e um susto
Ao lado de mim, no interior
O tempo está parado,
Feito fantasma no armário,
Habitando as frestas da cozinha
O avesso do calendário
Não é o tempo que caminha
É o sonho que se avizinha
Como quem surge na neblina
E acende uma luz na praxe
Quantas tempestades
Precisam ser vencidas?
Para a rendição da distância
Na idade das saudades
Não é o tempo que anda,
São as plantas na varanda,
Estendendo folhas à lufada
Aprendendo a dança plácida
O tempo permanece inerte
Entre o amanhã e as lembranças
No mesmo instante servem
A ausência e as esperanças
Como pedras no aquário,
Imersas num mundo sem pressa,
Onde tudo repousa diáfano
Enquanto a vida atravessa
Como árvores e pássaros.
Nenhum comentário:
Postar um comentário