terça-feira, 16 de junho de 2026

Ecos do tempo estático

 





Quantos vendavais

São vendáveis?

Onde estão as chaves

Por um futuro de paz?

Não é o tempo que corre


É a gente que se move

Muito além dos pratos úmidos,

Dos copos no escorredor,

Há um suspiro e um susto

Ao lado de mim, no interior


O tempo está parado,

Feito fantasma no armário,

Habitando as frestas da cozinha 

O avesso do calendário

Não é o tempo que caminha


É o sonho que se avizinha

Como quem surge na neblina

E acende uma luz na praxe

Quantas tempestades

Precisam ser vencidas?


Para a rendição da distância

Na idade das saudades

Não é o tempo que anda,

São as plantas na varanda,

Estendendo folhas à lufada


Aprendendo a dança plácida

O tempo permanece inerte 

Entre o amanhã e as lembranças

No mesmo instante servem

A ausência e as esperanças


Como pedras no aquário,

Imersas num mundo sem pressa,

Onde tudo repousa diáfano

Enquanto a vida atravessa

Como árvores e pássaros.



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