terça-feira, 15 de agosto de 2023

Do são elã

 


Flash-back
Déjà vu
Analepse
Paladar do passado
Avós, pais e irmã

Futebóis e picolés
Este filme já vi
A première
Será no feriado
Do são elã

Qualquer dia
Sabores de saudade
Bolores de nostalgia
Renovado coração
Constelação, clã

Qualquer idade
Da minha geração
Agora me cabe
Os ponteiros giram
E juram tempos de afã

Olfato
Ou ficção
Já esperava ficar pasmo
De tanto esperar
Hoje amanhã

Qualquer eu para mim
Sem feitos especiais
Conheço quando nasci
Mesmo sem estar a par
Do vilão e do galã.





terça-feira, 8 de agosto de 2023

Os dados

 




A consciência 

Ou a lei divina 

Não é uma ofensa

E traz luz à vida

É fato, é facho, é mantra


A despeito da violência 

Das notícias e da psicopatia

Somos seres que pensam 

Entre o cansaço e a vigília 

A realidade de aço espanta


Quando o sonho acorda 

Sacode a sonolência 

No sertão e na orla

Na ilusão do cinema

A energia não engana 


Ninguém é uma ilha

Nem o acaso é inteligente

A longo prazo se desvencilha

O medo derramado da gente 

Todo enredo é um drama


A mentalidade cartesiana

Tridimensional, quadrada

Binária e mecânica 

Garante que Deus é uma piada

Mas os dados não ganham





sexta-feira, 28 de julho de 2023

O disco ou o olhar

 


O que dialogam
Os olhos
Atrás dos ósculos?
O que olham?

Uma bomba-relógio
Se não explodir agora
Na hora do break, será logo
Um dia estoura

Uma caixa preta
Que só vai expor
A faixa com a letra
Quando cair em si

Cada alma
Leva figurinos, jardins
De amarguras na jaula
Simetria sem cálculo

Subindo que nem vapor
Flutuando feito flauta
Caindo como óculos
Boiando igual a isopor

O que diz
O disco ou o olhar
Se não expandir?
O que quer falar?






quarta-feira, 12 de julho de 2023

Mesas e meses

 



Se a barra está pesada
Deixe estar
Se leva uma tonelada
Deixe de lado
Se pesa a barra

Se está no inferno
Continue a andar
Se estou possesso
Vou me possuir rápido
Se não tenho nada

Se estou perdido
Volto para mim já
Se me contradigo
Ao menos admito
Se o silêncio acaba

Se eu perambular
Permaneço comigo
Se eu assegurar
Com certeza, sei lá
Se quero que saiba

Quando eu era leve
E os dias, alegres
Eu não sabia
Que seriam só estes
Prazeres na praça

Nem sei quantas vezes
Eu já quis
Não estar aqui
Entre mesas e meses
Da mesma macarronada


quarta-feira, 5 de julho de 2023

Clichês

 




Eu não sou mais

O mesmo após 

As redes sociais 

Nenhum de nós 

É igual, aliás 


O quadro que se pendura

No imaginário da parede

Já tem moldura 

E comentários na rede

Modulam e ondulam


Eu voltei a ouvir

E revoltei para mim

A voltagem alta

A vontade peralta

A vantagem de permitir 


Sem permanecer

Permeando sentimentos 

Alicerces de anos e cimento

Epifânicos clichês

Alegres reconhecimentos 


Peças de teatro

Fora de cartaz 

Peças do acaso

Sonho incapaz

De pegar fracasso


Passos em falso

Cortes tão corteses

Que tropeços são saltos

Pessoas, deuses

Promoções, estragos


O destino não é atroz

Os dias ficam para trás 

Vamos ficar em paz

Agora, depois

Ou só outra vez


Sem engasgos com o gás 

Eu sou meu único algoz

Cadência veloz

Velórios e carnavais

São vexatórios clichês. 






terça-feira, 20 de junho de 2023

Planta podada

 

Sou outro, outonal

Temporada de choque 

Temporal perto do final

Planta podada, feita

Pra crescer original


Folhas secas

Escassez é estoque 

Belas quedas

Uma apneia, um mergulho 

Para que se afoguem


O ego e o orgulho 

São tempos grogues 

De perdas e pedras

Estrada do sonho 

Presente sem embrulho 


É o fim do outono

É a palavra que pinta

E larga o dono

É a imagem irrestrita

Ao delírio do abandono


Não são os mesmos dias

Selvagens e tontos

Como se não se domassem

Há tantos tombos e tomos

Bilhetes de viagem de psicodelia


Mais valiosos e tristonhos 

Do que os de loteria

Um mantra, um slogan 

Que os pensamentos passem 

Sem que eu me envolva


Sangrando com classe

Na minha canoa

Na minha nave

Na minha pessoa

Na minha graça nova


Singrando os céticos mares

Os sonhos são indóceis

Indícios de que não é doce

A alucinação com nome de realidade

Quem tem raízes é árvore.

sábado, 3 de junho de 2023

Fúria, flor, fantasma, flâmula

 




Só em momentos

Tensos e soturnos

Que o aluno

Procura o professor


Tomara que o tormento

Seja mais potente 

Na minha mente 

Do que ao redor


Sob vendas ou na miragem

Mora a minha face

E se decora o meu interior

Atual ou anterior

No balanço do mar, na base

Da areia baila a âncora 


Eu era o que me falavam

E fui o que me faltou

Agora é outra fase

Serei fúria, flor

Fantasma, flâmula

Vou ser o que for.