Estou em paz, estou em mim
Ancorado com as pernas
Perto do porto do sim
É tempo de observar
Palavras, quando certas,
Conseguem alterar
A jaula tem janela
As grades se desfazem no ar
Recupero meu poder
Sem destruir ninguém
Rompo — e soube entender
Reinvento quem sou: eu sou quem?
Subo, sem perder o solo
Sem me esquecer da cuca
Às vezes perco o pôr-do-sol
Minha imperfeição cura
E descubro quem sou
Quando não posso voltar
Nada, nada, nada é calmo
A vida é como o mar
Tudo é necessário
O que não quebra revela
A verdade invade feito rádio
E amar errado apaga a vela
A sensibilidade guia
Sem ela, nada é seguro
O ego obsequia
O falso cai feito muro
Como sol no fim do dia
Tombo e me reestruturo
Para raiar até nas manhãs frias
Sentir com verdade salva
Evitar a dor pesa mais
O não dito fica na jaula
Estou em mim, estou em paz
O desejo muda o caminho
O infinito é breve
Paro de ser meu inimigo
O automático já não serve
O destino antigo acaba
E não é casualidade:
Quando é página virada
É porque não era mais verdade
Estou em paz, estou bem assim
Amarrado com as ideias
No mar derramado de mim
Batendo braços e pernas
Certo do porto do sim
No corpo, na caravela
Estou em paz, estou aqui.
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