domingo, 17 de maio de 2026

O que não quebra revela

 



Estou em paz, estou em mim

Ancorado com as pernas

Perto do porto do sim

É tempo de observar

Palavras, quando certas,


Conseguem alterar

A jaula tem janela

As grades se desfazem no ar

Recupero meu poder  

Sem destruir ninguém  


Rompo — e soube entender

Reinvento quem sou: eu sou quem?

Subo, sem perder o solo

Sem me esquecer da cuca

Às vezes perco o pôr-do-sol


Minha imperfeição cura

E descubro quem sou  

Quando não posso voltar

Nada, nada, nada é calmo

A vida é como o mar


Tudo é necessário

O que não quebra revela

A verdade invade feito rádio

E amar errado apaga a vela

A sensibilidade guia


Sem ela, nada é seguro

O ego obsequia  

O falso cai feito muro

Como sol no fim do dia

Tombo e me reestruturo


Para raiar até nas manhãs frias

Sentir com verdade salva

Evitar a dor pesa mais

O não dito fica na jaula

Estou em mim, estou em paz


O desejo muda o caminho

O infinito é breve

Paro de ser meu inimigo  

O automático já não serve

O destino antigo acaba


E não é casualidade:

Quando é página virada  

É porque não era mais verdade

Estou em paz, estou bem assim

Amarrado com as ideias


No mar derramado de mim

Batendo braços e pernas

Certo do porto do sim

No corpo, na caravela

Estou em paz, estou aqui.


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