sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Não espere mais



Não espere mais

Pelas aspas nos pensamentos 

Você sabe pensar

Voraz vem o vento


Tirando as caspas da inteligência capilar

E as pulgas do intelecto auricular

O resto é menos fuga

Do que o afago da intuição


A parede do vizinho se fura

Com a fúria de um furacão 

Cada manhã é um renascimento

Não espere mais a voz da razão 


Quando eu fico quieto 

Não significa que os sonhos

Ressonam na sombra do deserto

Somente cochilam no ponto de encontro


As nuvens surrealistas

Soletram um novo alfabeto

E versejam numa nova língua 

Não espere mais


Godot ou seja quem for

Apenas levante e vá

Em várias regiões e no interior

O vento virá voraz


A dispensar o teto sonolento 

A depender das horas

A despencar do firmamento

Ou do leito com lençóis de paz


Lecionando que não esperar mais

Não quer dizer desespero

Apenas levite e vá 

O silêncio vem violento


O medo faz parte do jogo

Para distinguir o trigo

É preciso conhecer o joio

Os dentes nem sempre são amigos


Psiquismo automático

Lapidação no lápis do instante 

Não espere mais o telenoticiário 

Apenas se leve adiante.







 

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