Não espere mais
Pelas aspas nos pensamentos
Você sabe pensar
Voraz vem o vento
Tirando as caspas da inteligência capilar
E as pulgas do intelecto auricular
O resto é menos fuga
Do que o afago da intuição
A parede do vizinho se fura
Com a fúria de um furacão
Cada manhã é um renascimento
Não espere mais a voz da razão
Quando eu fico quieto
Não significa que os sonhos
Ressonam na sombra do deserto
Somente cochilam no ponto de encontro
As nuvens surrealistas
Soletram um novo alfabeto
E versejam numa nova língua
Não espere mais
Godot ou seja quem for
Apenas levante e vá
Em várias regiões e no interior
O vento virá voraz
A dispensar o teto sonolento
A depender das horas
A despencar do firmamento
Ou do leito com lençóis de paz
Lecionando que não esperar mais
Não quer dizer desespero
Apenas levite e vá
O silêncio vem violento
O medo faz parte do jogo
Para distinguir o trigo
É preciso conhecer o joio
Os dentes nem sempre são amigos
Psiquismo automático
Lapidação no lápis do instante
Não espere mais o telenoticiário
Apenas se leve adiante.
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