Uma cortina de partituras
Deixa o sol tocar a ideia
Com o cortador de unha
No chaveiro, desbrava-se a floresta
A par do coração, a par da cura
À parte do colegiado
Cadê o hábito da leitura?
A habitação é no peito
O que é um pleito
Para quem está catalogado?
O futuro será mais quente
Do que circo mambembe
Enquanto houver montanhas
Para o vento escultor e paciente
O presente escuta e lá pelas tantas
Vira um decadente passado
Vídeo-tape, teia de aranha
Choro no chão de mosaicos
Penico debaixo da cama
Mangas cortadas da camisa
Artimanha, tapete puxado
Pelos diretores, pelos deuses
O melhor roteiro se improvisa
Nem sempre, só às vezes
Uma pedra, uma peça, uma pesquisa
Paciente é o vento
Que esculpe montanhas
Lembranças e monumentos
Ah, me desculpe: de vez em quando
O improviso é o melhor plano.
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