sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Paciente é o vento

 


Uma cortina de partituras

Deixa o sol tocar a ideia

Com o cortador de unha 

No chaveiro, desbrava-se a floresta

A par do coração, a par da cura


À parte do colegiado

Cadê o hábito da leitura?

A habitação é no peito 

O que é um pleito

Para quem está catalogado?


O futuro será mais quente 

Do que circo mambembe

Enquanto houver montanhas

Para o vento escultor e paciente

O presente escuta e lá pelas tantas


Vira um decadente passado 

Vídeo-tape, teia de aranha

Choro no chão de mosaicos

Penico debaixo da cama

Mangas cortadas da camisa


Artimanha, tapete puxado

Pelos diretores, pelos deuses

O melhor roteiro se improvisa

Nem sempre, só às vezes

Uma pedra, uma peça, uma pesquisa


Paciente é o vento

Que esculpe montanhas

Lembranças e monumentos 

Ah, me desculpe: de vez em quando

O improviso é o melhor plano.









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