quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Imaginação, memória e ônibus de leito

 


Antigamente as mídias televisivas

Nao eram mais do que sete

Não tinha Internet

E com a cabeça na barriga


Do meu pai eu assistia

Ao Jornal da Manchete

Agora cada pessoa

É uma emissora


Globo, Bandeirantes, Record

A Bíblia é só um livro histórico 

Eu podia estar pior 

Entretanto cantava o repertório 


Com os primos, tios e avós

Nas poltronas, programas de auditório 

Hoje cada pessoa anda absorta

Na tela, na cela, na bolha


Ninguém mais sai pra dançar

Ninguém mais usa telefone fixo

Ninguém espera mais

A estreia do clipe daquele disco


No Ponto Zero da MTV

Ou no derradeiro bloco do Fantástico 

Eu poderia estar nem aí 

Porém viajo nas estações do rádio


As mídias eram pouquíssimas

Não passam de livros históricos

Os almanaques e a bíblia 

Eu poderia vendar os olhos


Todavia estou na vigília

A pele é apenas uma parede

Apelo, espelho, legado

Arte é mais do que mero enfeite


Veículo significado 

Palavra minério 

Infância substância

Fissura caramelo


A dor da anestesia se amansa 

Mistura de apatia, silêncio e medo

Uma loucura de gincana

Quem será o primeiro?


Agora sei ler seus lábios 

Depois de tantas lições

Edições do dicionário 

Eu me dispo das ilusões


Que não me deixam ver direito 

O canal com imagem boa era o quatro

Imaginação, memória e ônibus de leito

Sempre me levam embora, é o contrato.



















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