quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Vamos sair da normose

Os temas e as metas 

Não podem ser apenas metais

São da polpa as colheitas

Em vez da pompa e do papel 

Moedas mentais 


Tilintam do céu 

Viver é um sacro ofício 

Generosidade 

Não é desperdício 

Eu entendi que é hora 


De ficar fora

Da normose 

Apelidada de normalidade 

Atualmente me apavora

A ideia de tomar uma dose 


Do mar de peçonha, de algo

Que me deixa fraco

Mole e grogue

Eu piamente supunha 

Que era alívio ou remédio 


O sutil veneno 

Mas fui testemunha

Das perdas de crédito

Até então não estava vendo

Corria completamente cego 


Viajava e me perdia

Nos atalhos da vida

A Via Láctea

Não é a única galáxia 

Os objetivos não são só mentais 


Não mora no exterior a paz

Há várias Niteróis

Vamos sair da normose 

Vamos cuidar de nós

Radares, cumes, vales e drones 


Sobrevoando nos arredores 

Nuvens, anjos, urubus e pontes

Sobre o travesseiro, na travessa

Com o novo estilo de cabelo

Dentro do corpo, dentro da cabeça 


Vamos nos cuidar direito

Com coragem e carinho 

Eu viro um exército 

Comigo não estou sozinho

Voava plenamente cego 


Agora me visto de audácia e afeto

O sonho pertence à preguiça 

E o pensamento, ao trabalho

A religião dispensa joelhos e missas

As aves mostram o quão somos baixos.



sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Tempero mental


Tempero mental 

Não há necessidade 

De pimenta ou sal

O saber é o sabor da idade 

Agridocemente individual 


No interior da cavidade 

Humor temperamental

Só gargalha quem sabe 

Não se finge felicidade 

Tão-somente para as fotos 


O futuro, com saudades,

Saúda os terremotos

Funda minhas cidades 

Afunda os maus modos

E finda meus disfarces 


Boiando como corpos

Em marcha, sem charme 

Soldados mortos

Ninguém se define pela metade

Tampouco por rótulos 


Perdi a quantidade 

De vazios, de vezes

Em que cometi estupidezes

No cair da tarde quente 

Quando a gente vira ente 


Eu me perdi na velocidade 

Das vozes, das vezes 

Em que menti aos deuses

Tomado por qualquer vontade 

Em que me demiti por meses 


Trocando fés por fezes

Supondo ser a outra margem  

Num dia inédito desses 

Sem coragem, eu não existiria 

Sem as minhas repetições


Sem as recordações 

Eu não reconheceria

A ordem das canções

Sou habitado por uma nostalgia 

Desprovida de compreensão 


É um sintoma de haver um além

O desejo de ser desta era

Já me torna ultrapassado, aquém 

A adversidade recupera

As virtudes que a prosperidade deixa sem.


O presente é o paladar atual 

O passado é um pão bolorento 

O futuro é utopicamente factual

A saudade é um apartamento 

Na verdade, é uma casa com quintal.



 

domingo, 8 de dezembro de 2024

O sonho de um profeta

O carnaval invade

As ruas da cidade

Notoriamente em alvoroço

Por uma profunda mensagem

Massas regressam aos lares 


Uma garota indígena

Apresenta para a sua tribo

Seu namorado da faculdade

De seu ninho desenvolvido

Um trio de pássaros 


Recentemente envaidecidos

Olham com brio

Caçadores atirando

Em patos selvagens

Caminham por um pântano 


As ilusões suaves

Estão libertas

Uma tempestade elétrica

Enche os céus de luz

O sonho de um profeta 


Aves domésticas

Envenenadas revoam

Em tentativas atônitas

Jovens patinhos se divertem

Lepidamente numa lagoa 


Uma mulher agitadora

Apaixonadamente apela

Para a multidão

Numa quermesse

Está reunida uma aglomeração 


De bom coração

A cabeça de um jovem

É transformada

Na de um pensador ancião

Uma radiante fada 


Dança na cerração

De uma cachoeira

Com troféus de guerra

Pendurados no cinturão

Um nativo cavalga 


De modo altivo

Os enfeites trazem para casa

Um espírito natalino

Duas jovens impressionadas

Fazem experimentos 


Com uma prancheta Ouija

Árvores vestidas de geada

Feito renda contra um firmamento

De inverno, oh, de inverno

Uma mulher está desapontada 


Enquanto um homem

Deixa seu aposento

Num parque, num dia invernal

Uma menina alimenta cisnes

Uma porta-bandeira se distingue 


Numa batalha corporal

Um parque público colossal

Oferece visitas sublimes

E inspiradoras

Num abraço estreito 


Uma serpente enrosca

Uma mulher e um homem

Convidados leem

Na biblioteca

De um casa luxuosa 


Numa sala repleta

De diversos livros

Um velho rabino

Feliz se senta

O sonho de um profeta 


Um divulgador de prestígio

Comanda seu concílio

Numa gigantesca tenda

Na calada da noite

A janta aguarda 


Pelo dono da fazenda

Um homem se expressa

Ao mesmo tempo

Em dois domínios

Com a riqueza da sua oferta 


Alguém está explodindo

O sonho de um profeta

Vive neste momento

Uma face impressa

Em imensas rochas 


Uma joalheria repleta

Das joias mais maravilhosas

Novamente desperta

Para a aventura

Uma mulher madura se admira 


Uma árvore de Natal

Carregada de prendas

E de velas convictas

Um cão de guarda está de olho

Enquanto um minerador de ouro 


Dorme perto da sua mina

Uma pomba alva sobrevoa

Em linha reta

Turbulentas águas

A caminho de casa 


Uma pomba alva

De forma rápida

Vira uma águia

E a águia se metamorfoseia 

Numa pomba alva 


Um coro voluntário de igreja

Faz de um ensaio

Um evento social

Uma bandeira a meio-mastro

Defronte a um edifício público descomunal


Encontro de gente 

Antes do alvorecer

Para um ritual de Páscoa

Em recinto aberto

O sonho de um vidente 


Lidera um ritual de poder

Um hierofante coberto

De maneira árdua

Sob topos cheios de neve

Quem adora o fogo está meditando 


De sua crisálida emerge

Uma borboleta

Primeiro a asa direita

Um divulgador de prestígio

Comanda seu concílio 


Numa gigantesca tenda

Após mudanças drásticas

Um clérigo reabilitado

Retorna à prática

O sonho de um visionário.



quinta-feira, 28 de novembro de 2024

O submundo


 O submundo não é onde se situa

O inferno ou a intenção 

O submundo está com fome nas ruas

O submundo interno do coração

Famélico continua 


O submundo não é onde se encontra

O inferno ou o metrô 

O submundo pega um bronze na sombra

O submundo eterno do amor

Etéreo entre as ondas 


O submundo não é onde está 

O inferno ou o ostracismo 

O submundo trafega pelo ar

O submundo terno do abismo

Abrigo antinuclear 


O submundo não é onde fica

O inferno ou o cinema

O submundo é a vida 

O submundo ermo da consciência

Erro, medo e autocrítica 


O submundo mora

Nos hotéis de luxo 

Nas boates da moda

Nos lares do subúrbio 

O submundo incomoda 


A tradicional família 

O submundo explode agora

Em Londres ou Brasília 

É um ciclo de Saturno 

Um ciclone na ilha 


É um rito de passagem

A rota é do submundo 

Brota no ritmo da viagem

Berço em qualquer fossa 

No topo ou no fundo. 


segunda-feira, 18 de novembro de 2024

A ponte


Janela aberta

Novas lentes

Consciência desperta 

Descoberta na mente 

Olhos atentos

Passos tranquilos

Passou o tempo 

De fracassos e grilos

Refrescados por um temporal 

Campos e jardins

São aquecidos pelo sol 


No Oriente, no interior

A luz aumenta lentamente

Apagando as estrelas

Epifania dentro de mim

A despeito da dúvida 

E da desconfiança 

As coisas se despem 

Despencam e mudam

Constante é só a mudança

Daqui para frente

Desde aquela sexta 


Um estalo na mente

Estrada não é esteira

O instante se estende

De agora em diante

Depois que a caverna

Ficou cintilante

Fazendo asas das pernas

E presente do instante 

Já é concreto o sonho

Com o translado 

Para o lado cônscio 


Embarque efetuado

Bilhete singular 

Sob o sol, a caminhada 

Não é mais circular

Tampouco é esteira a estrada

Aqui é o lugar

Onde ocorre o encontro 

Hoje em dia

A partir de algum ontem 

Está claro o que não se entendia

Erguida a ponte 


E conquistado o ponto 

Colo ao que se despedaça

As coisas se despedem

O velho sol está se pondo

E o novo não se intromete 

Solo ao que se despetala

Vocabulário às favas

É rasa a comunicação 

Apenas com palavras 

Basta ouvir o coração

Que a ponte se ergue.



segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Na imersão da luz solar

De farda, inativo,

O capitão do mar

Observa a abdução dos navios

Na imersão da luz solar

Numa sala de estar ampla

Canários cantam

A bruma oculta a praia

Mas, numa visível rocha,

Uma cruz repousa

 

Figuras enceradas

Exibem belas roupas

Em vitrines da loja

Um jovem casal

Caminha pela rua principal

Olhando vitrinas

O governante de uma nação

Está em apresentação oficial

Um jovem casal anda na avenida


Maravilhas da natureza

São exibidas

Numa aula de ciências

Coelhos em vestimentas

Humanas perfeitas

Desfilam com decência

Uma rede vazia suspensa

Entre duas árvores esplêndidas

Um jovem par na alameda


Um químico conduz uma experiência

Diante de seus estudantes

O cupido topa

Acolhedor na porta

Do coração humano

Gelo em separação

De um lago congelado

Para uso no verão

Uma imensa praia


Uma costa rochosa intacta

Por séculos de dilúvios

Inspirados discípulos

Ouvem as palavras do conselheiro

Uma ponte em construção

Sobre um profundo desfiladeiro

Uma tortuosa carreira

Altera através de florestas

Gloriosas de outono


No salão de um castelo

Entes de olhos acesos

Gracejam alegremente

Um artista expressionista

Moderno pinta

Uma tela esquisita 

Um proletário em chamas

De paixão social 

Comove caravanas


Um estadista poderoso

Conquista um histérico povo

Para a sua causa

Cardumes de nuvens

Como asas

Pelo céu se arrastam

Vários pássaros

Estão ocupados

Na ostentação de seus ninhos


Barco de casco

Transparente trafega

Sobre fascínios submarinos 

Uma festa de jardim

Está em vibração plena

Sob fachos orientais

Como um querubim

Uma alma humana sussurra

Buscando se manifestar

 

Um homem em explosão

Com a fartura

Do que ele possui para dar

Uma cisterna remota

Repleta de água bucólica

À sombra de árvores

Uma demonstração

Trabalhista amontoa       

Uma grande praça da cidade


Uma jovem viúva

Transfigurada pela ansiedade

Está de joelhos na catacumba

Um triângulo alvo

Com asas douradas

Em seus lados elevados

Uma idosa pálida

Sorrindo feito a aurora

Vende tralhas


Uma menina negra escravizada

Exige seus direitos de sua senhora

Pianista mundialmente famoso

Começa a tocar

Para um público assombroso

Uma mão com polegar

Notável, proeminente

Estendida receptivamente

Na imersão da luz solar


Um homem com dois crânios

É visto olhando

Para o além

Uma borboleta

Abre as asas mostrando que tem

Uma asa esquerda extra

Oficiais superiores

Reunidos num baile

Influente da embaixada


Graças a uma boa análise

Com raios xis

Uma vida é salva

Um domador de leões

Entra sem temor

Na arena do circo

Um velho professor

Ensina com gentileza

Uma classe de adolescentes


Uma viúva moça é pega de surpresa

De um novo nascimento de amor

Na praia quente, as crianças brincam Protegidas por sombrinhas

Sob picos cobertos de nevasca

Um adorador do fogo medita

A grande escada da vida

Em cada patamar

Um novo nível de vida


Na imersão da luz solar

O aviador navega pelo ar

Senhor de lugares altos

Um jovem casal

Viaja pela via capital

Olhando mostruários

De uniforme, aposentado,

O capitão do mar

Observa o afastamento dos barcos.


 



 

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

A manhã


Amizades de infância 

Não precisam significar

Que prosseguem desde então

As coisas balançam

Não conseguem e ficam lá


Se você necessita de religião 

Para parecer ter uma alma boa

Você é só um obediente cão

Uma penitente pessoa

Um pet adestrado 


Café forte, uma dose que acorde

O ser amargo para ser mago

Uma borra de café nanquim

Se a memória me cai bem

A ponto de corroborar a espera


A fé recupera para mim

Aqueles dias doces de férias 

Quando pensava em ser alguém 

Como se já não fosse

Que sorte acontecer assim


Meus amigos de infância 

Jamais serão eternos

Pela contabilidade dos anos

Dor, imbecilidade e infâmia 

Não temos mais as caras de anjos


Se você precisa de um credo

Para bancar o bom-mocismo 

Você só segue os modismos 

Na ameaça do forno do inferno 

O céu é um suborno ou escambo


O meu progresso teve começo 

Ao ser amigo de mim mesmo

Preciso fazer jus ao santo

Sentido do nome Marcello 

Sou um jovem guerreiro 


O norte é a paz, a noite, luz

E a manhã, esclarecedora

Saquei o significado dos eventos

A direção dos ventos e a vida toda

Vou deixar que só o tempo me definhe


Não tenho mais este afã 

Graças à revelação

Ponto de virada do filme

Sagrada revolução 

É uma bênção a manhã.