terça-feira, 27 de agosto de 2013

Tão pasmo quanto feliz

Estou tão pasmo
Quanto feliz
Meu entusiasmo
Pelo ar se diz

Abro janelas
Portas
E a cabeça

Para que o vento dê sua volta


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Se tudo der certo

De quando a criatividade
Surge diante da precariedade:
O uso de desodorizante de ambiente
Nas axilas do indigente
Sou testemunha
Vi há pouco na rua

Se tudo der certo
Não vai prestar
Para quem se acha esperto
E o resto otário:
Sua hora chegará
Está acabando o atraso.



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Do jeito que as coisas estão

Do jeito que as coisas estão
Será cobrada
Meia entrada
Para a transgressão
Da mente e da internet

No peito mora o coração
E não no bolso
Enquanto não ouso
Sou mais um da coleção
De inteligentes marionetes




terça-feira, 20 de agosto de 2013

domingo, 18 de agosto de 2013

Mesmo que seja rara a devolução

Eu escrevo meu nome
E o número do meu telefone
Nas primeiras páginas dos livros
Que, num dia qualquer, somem
Das minhas mãos
No entanto, não estão longe
Da minha recordação:
Seguem sendo lidos
Mesmo que seja rara a devolução
E eu, atentamente distraído.

Além das praias privadas

Por mais rádios honestas e sem jabás
Em AM, FM
E nos âmbitos digitais

Em prol do fim da pérfida paz
E da própria PM
Fétida e incapaz

A amplitude
E a frequência
Estão ficando moduladas

As ondas se difundem
Por quem pensa
Além das praias privadas.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pelo modo aleatório

Ainda que seja esquisito
Eu acredito
Na sintonia de relógio
Entre o que medito
E o que é escolhido
Para tocar pelo modo aleatório
Talvez tenha sentido
Ou sentado para ler um livro
Achando um caminho menos giratório.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Libelo contra o desmatamento

Artista acamada
Pelo público
E pela crítica
Tem os pelos púbicos
Como pauta jornalística.


domingo, 11 de agosto de 2013

A esta poesia

Não sei contar
Quantos goles
Cabem numa dose

Não tenho como conter
Tanto controle
Talvez transborde

O que quero expor
Nem sempre me explica:
Está nas entrelinhas

E se eu próprio depois
Fizesse uma nova visita a esta poesia
Poderia pensar que não fosse minha.



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Não foi a primeira vez

Não foi a primeira vez
Que sonhei com várias
Gomas de mascar
Na minha boca
Eu precisava
- E preciso - respirar
Os chicletes nem estavam doces
Consegui retirar
O que parecia uma espantosa
Borracha entre o branco e o rosa
Sem a ajuda de aparelhos
Foi através da mão
E do sonho, por que não?

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Nada como

Nada como um abraço
De sal
Para abaixar a pressão e ampliar o espaço:
Mantém o coração em compasso

Nada como uma ducha
De sol
Enquanto não cai a chuva
Nada dura, até a pele muda.

Nada como um mergulho
No mar
Para voltar ao útero
Da mãe de todo o mundo.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Um solzinho ainda

Vendo livros
Capitalizo dividendos em sorrisos
Leio paisagens
No meio de passagens
Não se trata só
Do título
Um solzinho ainda
No freio do frio
É o sol
Que esquece e aninha
Igual aos avós.