sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Haikai quente

Não precisei ouvir do Papa Francisco
Pra saber que não há fogo no inferno:
O verão está aí pra derreter o circo.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O buraco é mais embaixo

O que é veiculado
Pelo Jornal Nacional
Deve ser analisado com cuidado
Em se tratando de pré-sal
O buraco é mais embaixo
A notícia é sempre comercial

Assim como a chuva e o sol
Vêm do céu
É nosso o pré-sal
E não da Shell.




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ô, meteorologia, dá um tempo!

A sensação térmica
De cinquenta e cinco
Graus Celsius na cuca
 - Um gigantesco maçarico -
Novamente supera
O que havia sido previsto
Como a máxima temperatura

Quando chega dezembro
É sempre o mesmo caô
Fortalezas derretendo
Está cada vez maior o calor
Ô, meteorologia, dá um tempo!
É melhor acreditar na sensação
Do que na tua previsão



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Acenda a luz interna

Apague os faróis,
Os flashes e os holofotes:
São apenas sóis
E nós da vaidade

Acenda a luz interna:
É bem mais forte
Do que se pensa sob as lanternas 
Das cavernas da sociedade.










quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Filmes de guerra

Filmes de guerra
Helicópteros de paranoia
Nefelibatas da terra
Amnésias da história
Composições de amor
Novelas da infância
Obrigações do favor
Placebos de esperança
Fumaças da cidade
Paisagens de passados
Dezembros de falsidade
Diálogos de pássaros
Recados de geladeira
Mudanças da demora
Pessoas de cera
Opções da memória.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Quem me dera

Quem me dera
Para sempre tal sensação
De temperatura
Amena em plena primavera
Diante da procura no verão
Pena que pouco dura.




segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O fiscal do exame

O fiscal do exame
cismou que as miçangas
de acupuntura no meu ouvido
fossem escutas eletrônicas, meu amor

Chamou até o médico para findar o vexame
e se assegurar da bonança
da fé de um quase perdido
na Ilha do Governador.



domingo, 14 de dezembro de 2014

Proteção

Protetor de pele?
Deus é quem me protege:
God, save the skin.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Mantenho o convite

O paraíso
é preciso
e precioso

É para isso
que visualizo
o tempo todo

Embora não pinte
na rua, num clique ou num quadro,
mantenho o convite
sempre agora: nunca no passado.





sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Das formigas em volta da garrafinha de xarope

Para ter o mesmo enfoque
Das formigas em volta
Da garrafinha de xarope

É preciso deixar a mente solta
Com os pensamentos a galope
Sem sofrer tentando saber quando abre a tampa ou a porta.





quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Fronteiras displicentes

O ano corrente
É quando eu sou
Mais igual a mim: diferente
Ao máximo
Tanto ao norte parente
Quanto ao sul mágico
Atravessando as fronteiras displicentes
Da nação
Da minha imaginação
Sobre o ano seguinte:
Vai ser celebrado
Com muitos brindes
Beijos e abraços
Aos dois mil e quinze
Próximos passos.


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Noutra cidade

A cidade evapora
Numa velocidade alucinante
E revoltante
A cidade exaspera

A cidade apavora
Está se excedendo
Tudo parece medo
A cidade desespera

Se as placas das ruas mudassem
De nome
Como já aconteceu com a paisagem
E as pessoas
Eu pensaria estar noutra cidade
Niterói fica onde?







sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Meus deejays prediletos

Meus deejays prediletos:
Shuffle e Random, com méritos
Não necessariamente nessa ordem

Nada é por acaso
O sistema é monetário e binário
Enquanto os macacos me mordem.


Só pra não me cegar no que procuro

Meu amor, entenda:
Óculos escuros
Não são vendas.

Só pra não me cegar no que procuro
Entre a calma e a urgência
Fico junto com o meu futuro.




quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Cataratas catárticas

Estou com a alma lavada
E abençoada pelas águas:
Todas as vistas ficam mais clareadas
Com tais cataratas
Catárticas.


terça-feira, 25 de novembro de 2014

A seguir, cenas do próximo capítulo.

Quem vê novela
todos os dias
jamais tolera
as cenas de flashback:
Vida que segue.



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Do sabor dos acontecimentos

Comi um pastel aparentemente bacana
Pensando ser de banana

Mas quem diria
Que era da capital da Síria?

Eu tenho asco
Do sabor dos acontecimentos em Damasco.




terça-feira, 11 de novembro de 2014

Além do espelho que atordoa

Não gosto de relógio parado
nem de calendário com a folha
do mês passado ou retrasado:
quero estar com o tempo que voa

Não gosto de quem não olha
para todos, para si, ao redor e nos olhos
além do espelho que atordoa:
quero estar na moda ao meu modo

Não gosto de quem aperta
a mão com a mão esquerda
e eu nem sou de direita:
quiçá eu seja só poeta.






domingo, 9 de novembro de 2014

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Na condição de jovem

Tento aprender
Como se desacelera
Com as tartarugas
Enquanto se arrasta a espera

Com a biblioteca pública de Niterói
Fiz uma troca igualitária:
Doei meu livro de poesias ao acervo-herói
E pego emprestado os de matemática

Tento acelerar
O aprendizado
Dando voz e vez às perguntas
Mas sem ser apressado

Na condição de jovem
Vejo como as coisas me comovem
Eu era bem mais velho
No outro século.









terça-feira, 4 de novembro de 2014

Velha luta

É a velha luta de crases
A gente estuda, trabalha
E fica quase sempre no quase

É a velha luta de classes
A mesma batalha
Só mudam os disfarces

É a velha luta, Descartes:
Pinta algo que atrapalha
E ajuda, por mais que se descarte.






domingo, 2 de novembro de 2014

Não vou baixar o níquel da conversa

Não vou baixar o níquel da conversa
De uma maneira gratuita
O que é barato leva
Uma multa oculta
No conteúdo
Ou na etiqueta

E nem isso é tudo

O meu verbo é a minha verba
No silêncio verborrágico escuto
As dispensas matemáticas e a receita
Mística que prezo muito
E, neste feriado de finados que não afeta
Os dias úteis, eu não fico mais feito um morto insepulto.











segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Seleta coletiva

Coleta seletiva
para separar a escória
de quem a escuta e se engana
pela mais ardilosa retórica

Seleta coletiva
para comemorar a vitória
de quem sente a ótima mudança
na pele, é uma coisa histórica.




sábado, 18 de outubro de 2014

Em pleno terceiro milênio

Velha vizinha,
A ignorância toca a campainha
Da casa da maldade e solicita
Uma xícara de veneno
Em pleno terceiro milênio
Açúcar é pra gente mesquinha.








quinta-feira, 16 de outubro de 2014

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ah, é cio!

Ah, é cio
De voltar a ser fodido
Pelos ásperos
Tempos

Quando estávamos dentro
Do mapa da fome da ONU
- Só pra citar um exemplo -
Quem quer de novo o abandono?






domingo, 12 de outubro de 2014

Concurso onírico

Vou ser candidato
A qualquer vaga
Da prefeitura de Pasárgada.








No sótão

No sótão
Entre fitas
Mofos e fotos
Eu vi a minha vida
Em lugares e rostos

E não me senti tão só.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Transparências

A sujeira
Da grande imprensa
Orgulhosamente apresenta
Uma transparência
Parecida com a do retorno da pipoca parceira
Em frente ao cinema

E os oligarcas crentes
Que os filmes deles não queimam:
Ilusão tão atraente
Quanto ingênua.






terça-feira, 7 de outubro de 2014

Tempos totalmente esquizofrênicos

Só uma certeza eu tenho:
são tempos totalmente
esquizofrênicos
com ideias de pedra e de nuvem.

Clama-se por mudança
e, se for a almejada por essa gente,
será a mais tacanha
possível, não se preocupem.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Linha do tempo

Cada um no seu quadrado
Cada qual na sua linha do tempo
Há tantos espaços
E contratempos

Liberdade de expressão não pode ter semelhança
Com discurso de ódio
Nutro saudades da infância
Mas ao passado eu não volto.



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Cada dia é um exercício

Cada dia
É um exercício
Em caso contrário
A pessoa atrofia
E conhece o hospício
Pensando que é o ginásio.



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Aviso aos necrófagos

Aviso aos necrófagos
A mais suculenta resposta:
A mesa está póstuma.




terça-feira, 23 de setembro de 2014

A todo instante instigante

Pelo que me lembro
A todo instante instigante
Eu quero uma memória
De elegante
Para a bola
Não ter o acolhimento
De uma pisada de elefante.






domingo, 21 de setembro de 2014

Interior litorâneo

Niterói
Água que se esconde
Porque o interior litorâneo se foi
Quando chegou a ponte

Niterói
Porto sinuoso
Progresso que destrói
Nosso bem mais precioso

Niterói
Rio realmente frio
Só queria de novo seu oi
Nestes tempos sombrios

Niterói
Vila Real da Praia Grande
Vamos dar os nomes aos bois
Que mugem distantes.






sábado, 20 de setembro de 2014

Nos purgatórios das gavetas

Cada poema
É um arquivo
Apropriadamente guardado

Para evitar problema
Quando não estiver vivo
Querendo recuperá-lo

É tanto ontem
Com dados nas entrelinhas
Nos purgatórios das gavetas

Que, embora não mais encontre
As poesias agora sozinhas,
Deve ser proporcional aos céus e às trevas dos poetas.



terça-feira, 16 de setembro de 2014

A vítima

A vítima não resistiu aos preferimentos
Morrendo de felicidade
Em vez de arrependimento.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

sábado, 6 de setembro de 2014

Um velho chavão

Embora seja um velho chavão
A chave maior
Que nem todos acham
Chama-se amor.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Contra o fluxo continuo a rimar

Nesses dias atuais
Preciso me alongar
Para ficar menos moído na viagem
A vida é curta e quase todos veem longas-metragens

Na falta de tudo com você
Contra o fluxo continuo a rimar
Porque a máquina de moer
Ne fera pas la même chose avec moi






quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Estrelas, épocas e pessoas

Na tela
Vejo estrelas
Cadentes
Que gotejam
Na atmosfera
Épocas
Decadentes
Bem se assemelham
Na teia
Das ruas, as pessoas depois das neuras
Carentes
Entreolham-se de esguelha.






domingo, 24 de agosto de 2014

Retire o seu sonho

Retire o seu sonho
Entre na fila
Espere a sua vez

Para sair do banco
Sem dívidas
Com o que não fez.


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Balança e peneira

Na clássica peleja
Entre as classes
Quem agora chega
Na sua comunidade
E o seu voto pleiteia
Cospe depois na face
De quem se deixa
Levar por frases
Cheias de beleza
E de falsidade
São meras promessas
Nunca houve uma fase
Em que o nível de pobreza
Abaixasse
Tanto desta maneira
Nunca existiu tamanha acessibilidade
É uma questão de balança e peneira
Para pesar e atravessar as realidades.






quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Niterói rói

Niterói
Rói
Os ossos
E os destroços
Os dentes
Estão ausentes
Exceto no grito
O que está sendo ruído
É mais do que um ruído
Atualmente tudo é risco
Dos rastros do Rio
Terror é o único cinema
A ponte de que preciso
É a de safena.




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Entre almoços e jantas

Tragédias
Entre almoços e jantas
Guerras
E lá pelas tantas
A vida vira uma novela
A esperança
É uma obra aberta
Apesar dos suicídios
Espirituais
E físicos
Enganado está
Quem fica rindo
De dois mil e catarse
Como apenas um trocadilho.




terça-feira, 12 de agosto de 2014

Perto dos terraços

A rota dos aeroplanos
Foi modificada
Agora eles estão passando
Perto dos terraços
Ao passo que são esquecidos os pássaros

Eu sou forçado a aumentar o volume
Da televisão de asma
Quem está fora do ar que tome uma altitude
Para ficar alto
Tanto no vídeo quanto no áudio.






segunda-feira, 11 de agosto de 2014

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O que realmente nos interessa

A destruição da natureza
É um dos intuitos
Do projeto consumista
Vamos perecer acompanhando a novela, 
O campeonato e a propaganda

Meus pensamentos e passatempos pesam
Uns quatrocentos quilos tranquilos

O que realmente nos interessa
Não é conveniente para todo mundo
Agora tudo é à vista
Ou em suaves parcelas
A oferta se confunde com a demanda

Enquanto aviões e gaviões atravessam
As nuvens de sujeira e sigilo.







domingo, 3 de agosto de 2014

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Fragmentos inteiros

Eu não escrevo
Para ganhar dinheiro
Levo a vida em versos
Fragmentos inteiros
Do universo
Onde habito

Mesmo com a fotografia
Se eu não escrevesse
Poesia
Enlouqueceria
Para sempre e não às vezes
Como de hábito.






segunda-feira, 28 de julho de 2014

Cabimento

Felicidade
É o cabimento
Do sonho na realidade

Assim como o momento
Em que aquela roupa maneira cabe
De novo: é quase um retorno do tempo.


domingo, 27 de julho de 2014

O mundo já foi crudelíssimo

Eu tenho virtudes
E vídeos
Ninguém é prefeito

O mundo já foi crudelíssimo
Agora é cruel, no mínimo.

Compro omissos
Vendo fatos feitos
Na edição da moral e dos bons costumes.




Largadas e chegadas

Estar desperto
Às nove da madrugada
De um domingo é ficar perto
Da minha infância entre largadas
E chegadas.




sábado, 26 de julho de 2014

Outra peça da realidade

Se eu me ressinto
Não passa de um indício
Da farsa da sociedade

O meu recinto
Por mais que pareça fictício
É outra peça da realidade

Onde eu resido
É um presídio
Tingido de cidade

Enquanto eu resisto
Não é suicídio
Mas um tipo de saudade

E qualquer resíduo
Ou riso no caminho
É motivo de curiosidade.






sexta-feira, 25 de julho de 2014

O meu mistério

O meu mistério
Eu não revelo
Através de selfies em série

O que me aduba
Não é esta merda que vendem
Não é litro de autoajuda

O que me propaga a mente
É a loucura lúcida
E paga em moeda torrente

O meu espelho
Outono interno
Não é texto de Paulo Coelho.








terça-feira, 22 de julho de 2014

Para os que se decepcionaram

Para os que se decepcionaram
Com a seleção da confederação mafiosa de ufania
Ou com a inverossímil novela cheia de nove horas:
Eu sugiro que pensem na história
Que está acontecendo agora
Na Faixa de Gaza
Por mais que seja bizarra
Ou nas sete dicas da semana
Por mais que sejam estranhas
Eu suplico que reflitam acerca da atual guerra (que é um genocídio), da violência, da politicagem e da covardia
Em vez de encherem as caras, os bolsos, os bíceps, os peitos e as bundas
A lobotomia transmitida pela grande mídia todos os dias
É uma trama tão persuasiva quanto nauseabunda.






quinta-feira, 17 de julho de 2014

Israel is a hell


De maneira paulatina
E covarde
Israel apaga do mapa
Toda a Palestina
E segue a barbárie
Na Faixa de Gaza
Às barbas da comunidade
Internacional, que não passa
De um clube de banqueiros,
Mercadores e guerreiros:
Nada mais é do que um nome artístico
Adotado pelos estados munidos.
As vítimas civis
São apelidadas de danos colaterais
De onde vem este direito infeliz
De burlar os demais direitos em prol da paz?
Somos de um só país
E filhos dos mesmos pais.


sábado, 5 de julho de 2014

Quando subo a serra

Quando subo a serra
Eu assumo: fico meio alto
A natureza nunca erra
A prova é o cheiro do mato

O tempo adquire
Outro tipo de ritmo
Agora estou quite
Consigo e comigo

Aqui eu não ouço
O som monocórdico
Das obras que não acabam

E nem sinto o esgoto
Transbordando o desgosto
Da especulação imobiliária.


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Nada como a natação

Nada como a natação
Na abertura
De cada pulmão

Exercitação à altura
Da meditação
Sem peso, tudo flutua.



segunda-feira, 16 de junho de 2014

Para um jogo chocho

Primeiro oxo
para um jogo chocho
futebol de miséria
este Irã X Nigéria.



sexta-feira, 6 de junho de 2014

Do mesmo jeito

Passar a noite de sexta
Vendo televisão em casa
É uma coisa tão passada
Que me recorda infância

E eu fico satisfeito
Do mesmo jeito
De quando saio

Mas eu não me espalho
Tanto a ponto de não me ver inteiro
Pelo meu espelho interno

Mas como sou metido à besta
E encontro as minhas asas
Através das raízes nada rasas
Vou passear contigo na vizinhança.




quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sob ornamentos

O sol impera
No firmamento
E o clima
Anda áspero

Para quem espera
Os melhores momentos
Da partida
E, ao falar, esconde os lábios

Futebol é guerra
Sob ornamentos
Assim é a vida:
Qual é o seu legado?






sábado, 31 de maio de 2014

Clube de resgates

Futebol resgatado
após onze anos parado
deixa o corpo desgastado
e o espírito agigantado.




quarta-feira, 28 de maio de 2014

O livro de Caio

Nesta manhã
Fria de maio
Cai às minhas mãos
O livro de Caio
E eu fico tão

Livre que desmaio.



domingo, 25 de maio de 2014

A escada

Agora não pergunto mais
Aonde vai a escada
Agora não espero a paz
Que vem televisionada

Deixo a minha luz brilhar
A partir do meu olhar
A partir olhos gordos
A partir todos os engodos

A escada, que não sei aonde vai,
Pode ter degraus tão transcendentais
Que parecem horizontais
Mas, se é por onde quero andar,
Mostro meu entusiasmo de anos atrás

Basta de adiamentos
De botar na conta do tempo
Não há melhor pagamento
Do que estar quite com o que pulsa dentro
De mim mesmo, de mim mesmo, de mim mesmo...






quarta-feira, 21 de maio de 2014

Inconsciente corretivo

Durante milênios
A igreja fica nos incutindo
Falhas e sofrimentos:
Inconsciente corretivo

Porque pesquei muitas ocasiões
Por pensamentos, palavras e invenções
Por minha cuca,
Minha cuca,
Minha mágica culpa.







sábado, 17 de maio de 2014

Quando o chá vier para Xavier

Quando o chá vier
para Xavier
será que a chave é
essa para a libertação
das grades da prisão
apelidada de tradição?

Nada banaliza tal instante,
ainda que se pense na dosagem
de açúcar ou de adoçante:
a própria dúvida já é uma viagem.


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Com a cabeça para fora

Cada um se ilude
Como pode
Em poses no facebook
Ilhas de Hollywood

Escuto o toque no rock
Antes que me mudem
Pelo modo hardcore
Sigo com menos dores

Uma lufada de ar fresco
A fim de despentear o cabelo
E alinhar o meu enredo

Com a cabeça para fora
Do carro e da paranoia

Agora nunca foi tão agora.




Se não der praia hoje

O que permanece
é a impermanência
dos dias eternos sob stress
das ideias e infernos que não mais se pensam

O que fica igual
é a mudança
das pessoas num enigmático ritual
enquanto o mundo errático dança.

O sol sobe e se põe
no céu e na cabeça
e, se não der praia hoje,
cedo ou tarde, algo clareia.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Estou pouco me linchando

Em decorrência
Do instinto
De sobrevivência
Estou pouco me linchando

Eu não duro para sempre
Sou estratosfericamente finito
Antes que o medo me prense
Irei para e com outros planos

Apesar dos backups
Eu admito
Que acaba a eternidade
Tudo é por enquanto...




segunda-feira, 5 de maio de 2014

Em pleno trânsito

Eu  aguardo
Andando
Não fico parado
Só pensando
No próximo sábado
Em pleno trânsito
De planetas e carros
Sempre é por enquanto.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

O futebol

O futebol
É a única modalidade
Em que o pior
Consegue o empate
Quando não vence

O futebol
É um esporte independente
De dinheiro, basta ter amor
Como eu tenho pelo Fluminense
O gol é a pílula da felicidade.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Feriado

Do papagaio
ao samba sincopado:
todos ficam animados
com o primeiro desmaio.




sábado, 26 de abril de 2014

Entre a algazarra e o sigilo

Os segundos foram difíceis
Entre a algazarra e o sigilo
Se nada se calou, não comento...

Aí, de súbito, eu disse
Durante um solo de guitarra tudo aquilo
No caô do momento

Só para ficarmos um pouco felizes
E parecerem leves os quilos
Que, sem o seu auxílio, eu não aguento.












Eu só queria um favor

A primeira vez
Que me recordo
Da frustração presente
Foi em mil novecentos e oitenta e seis
Era inverno mas fazia sol

Eu era uma criança
De sete anos e dez dias ao todo
E chorava copiosamente no chão do quintal indiferente
Depois da derrota do Brasil para a França
No México, porra, futebol!

Mal poderia supor
Que era uma fácil fase
Da minha vida em flor

Eu só queria um favor:
Que me decepcionasse
Sempre assim, contudo veio o amor.






quinta-feira, 17 de abril de 2014

Asco e compulsão

Meu asco no que tange à Fifa
é menor do que a minha compulsão
por colecionar figurinhas
da cópula do mundo em convulsão.

Quem quiser trocar as duplicatas
pelas pendentes comigo
já saiba que não é negociata:
trata-se de ajuda de amigo.




quarta-feira, 16 de abril de 2014

A televisão de 60"

A televisão de 60"
não tem sessenta polegadas,
mas uma vida útil de um minuto
graças à obsolescência programada.


domingo, 13 de abril de 2014

Sem preocupações

Imagino as cores
dos pássaros
através dos sons
quando a manhã não está no passado.

Eu preciso desta calma dominical
no meio das montanhas
para respirar o caos
aspirando qualquer façanha.

Senhoras e senhores:
eu vejo melhor as borboletas
sem preocupações
contempla-se cada sílaba do planeta.











sábado, 12 de abril de 2014

Nem tudo o que gosto tem osso

Só uma adrenalina
para saber como as coisas se animam
eu pedalei hoje sob o sol de meio-dia
quase deixei no asfalto o meu café da manhã

Está rolando Ney Matogrosso
para você entender o que ouço
nem tudo o que gosto tem osso
o que não me impede de apreciar Djavan.


quarta-feira, 2 de abril de 2014

O vapor

O vapor que sai da
delícia gelada
de um chicabon
numa tarde de outono
é um tapa na cara,
um soco no estômago
do provérbio que declara
que onde há fumaça, há fogo.







sábado, 29 de março de 2014

Uma experiência transcendental

Hoje de manhã ao pendurar a toalha
no varal do quintal
da minha casa na roça
ao lado do pé de acerola
- a natureza nunca falha -
tive uma experiência transcendental
quando as duas tartarugas
vieram interagir com as minhas unhas
- do pé, diga-se de passagem -
numa espécie de reconhecimento da espécie
enquanto a próxima epifania não acontece
vou apreciando a paisagem.


sexta-feira, 21 de março de 2014

Não está são

Outono
ou tô no
verão?

O tempo não está são
com o feliz ônus
novo da estação.






quarta-feira, 19 de março de 2014

Hoje é mais um dia

Está tudo igual:
corre muita água
sob o seco horizonte

Nenhuma novidade pinta
a vida nos desenha
enquanto a moldamos

Nada se modifica:
hoje é mais um dia
do nosso caleidoscópio

Eu já passei dos trinta
a idade nos desdenha
enquanto a toldamos.







segunda-feira, 10 de março de 2014

Turning point

Estive onde as pedras
Num passado remoto
Ficavam submersas
Todo ângulo era motivo de foto

Caminhei no mar
As areias alvas
Daquele lugar
Sabem que tudo era água

Os desenhos petrificados
Parecem animados
E eu mantenho a flexibilidade firme
Neste novo turning point do filme.




quarta-feira, 5 de março de 2014

Majestosamente surreal na Estrada Real

Tudo anda
Majestosamente surreal
Na Estrada Real

No espelho entre a distância
Do local celestial
Ao nível do mar abissal

Em Milho Verde
Fico perto do arco-íris
Nas pedras que não são enfeites

Em São Gonçalo
Do Rio das Pedras, as coisas estão livres
De qualquer nefasto abalo

Em Diamantina
As ladeiras são preciosamente íngremes
Por causa da retina.



segunda-feira, 3 de março de 2014

Uma convicção inabalável

Hoje o arco-íris estava ao alcance
Das minhas mãos e da chance
De pegar o pote de ouro tão distante

Tenho uma convicção inabalável
De que deixar o nível mais baixo
Só é bom para acelerar o churrasco.




sábado, 1 de março de 2014

Estupefato

Estupefato tanto com as pedras
Esculpidas pelas eras
E pelo mistério
Quanto com a noite que me congela
De frio e de surpresa
Em pleno verão neste hemisfério.

Tudo é através de quem sonha
Aqui no Vale do Jequitinhonha.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Tal procedimento

Um prosaico gesto
habitual
tão natural quanto o vento

Vira um acontecimento
um carnaval
um novo movimento

A vida deveria ter tal procedimento
em todos os dias igual
a este meu deslumbramento.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Na velocidade do meu pensamento

Sob uma pachorra
Adquirida com a idade
Quero que as noites corram
Na velocidade
Do meu pensamento

Antes que eu morra
De saudades
Dos amores que moram
Na minha cidade
No meu firmamento.




terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Lido, limpo e leve

A minha própria biografia é lida
Enquanto as caixas de entrada e saída
De mensagens eletrônicas são limpas.




segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Muitos

Em nome da imutável tradição
Muitos empreendem atos
Sem comiseração
São cidadãos de bens alienados
Pela surrealidade factual

Em prol da dita moral
Muitos cometem obras
De modo medieval
Ainda existem sobras
Da sacripanta inquisição.





domingo, 9 de fevereiro de 2014

Para o meu lar

Em solo potiguar
Quero o colo de lá
Só penso na hora
De decolar
E ir embora
Para o meu lar
Onde eu nasci
Em Niterói
Santa Rosa
Icaraí
Barreto
Fonseca
A saudade dói
A distância é foda
Bate com ânsia no peito
Mas eu tenho cabeça
E coração que se ancoram
Na Ponta D'Areia
No Oriente da Guanabara
Em São Domingos
Itacoatiara
São Francisco
Charitas
Jurujuba
Ingá
Piratininga
Gragoatá
Camboinhas
Itaipu
Pendotiba
Boa Viagem
A quem vai deixar de estar morto
Ao chegar o dia dezoito.






sábado, 8 de fevereiro de 2014

O rio

Começa em Macaé
e deságua em Guamaré
o rio que se chama fé.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O melhor gesto

Eu prefiro andar
A correr atrás
Se não dá
O jeito é voar
Sem energéticos
Viajar é o melhor gesto

Quando caminho
Não me sinto sozinho
Eu tiro a gravidade
Dos ombros
Do espírito e do corpo
E a lua sorri apesar da saudade.



sábado, 1 de fevereiro de 2014

Eis que ferve fevereiro

Depois de tanto tempo
dentro de janeiro
eis que ferve fevereiro

Mas não será tão lento
quanto eu almejo:
só em anos bissextos

De qualquer jeito
até nos contratempos tudo vai ser perfeito:
não ficarei tenso.




quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Tanto esperei que não me exporei

Tanto esperei
parir este momento
que não exporei
meus pensamentos
mais recônditos
não adianta: eu não conto.

A minha ansiedade
naturalmente continua
contudo mudou de cidade
e atravessou a rua

Tanto esperei
aparecer o meu trem
que não me exporei
para quem
eu desconheça
o que sei consta no vagão da minha cabeça.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Longe de mimimi

Os dias passam ligeiros
por aqui
mas não como desejo
longe de mimimi

Os habitantes andam de moto
sem capacetes
transportando crianças a tiracolo

Eu tenho viajado nos meus sonhos
por mais que soe lugar-comum
Sinto que estou pronto
mesmo que não haja projeto algum

Amanhã preciso comprar sabonete
e tirar fotos
de todos os lembretes.




sábado, 25 de janeiro de 2014

Quando eu viro Snoopy

Eu quero que você me desculpe
quando eu viro Snoopy
sem emitir palavras
mas é neste momento aparentemente rude
que a minha mente trabalha:
viajar faz bem à saúde.





sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Aquela ideia

Atirar-se pela janela
não é a melhor forma
de alçar voo:
antecipa-se o fim

A vida é tão bela
apesar de tantas normas
contrárias ao que sou
tim-tim por tim-tim

Não atuo como as personagens de novela:
são pessoas expostas
num esquizofrênico zoo
comendo dinheiro e capim

E quando pinta aquela
ideia de sair pela porta:
ninguém sabe aonde vou
além de mim.




Os muros e as pontes

Eu adoro álbuns
de fotografias
e de fonogramas:
são coisas que tocam

Os muros do meu quarto
provisório
vão abaixo
assim que eu chapo e me olho

As pontes se levantam
e não são atravessadas
na garganta
como espinhas de peixe

Mas pelos meus pés
que levam asas
que me elevam através
do tempo que nunca se atrasa.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

Na pilha de suportar a distância

Saio do impessoal quarto de hotel
Não há prédios, apenas o céu
O vento é tão incessante quanto o sol
E a cidade tem casas modestas
O som do forró
É da gota serena
Cadeiras nas calçadas em festa
O sotaque local não me espanta
Menos jegues do que motocicletas
Uniformes laranjas
Força eólica, bucólica e da cabeça
Na pilha de suportar a distância
De quem me espera
Enquanto bebo café
Para o tempo passar depressa
E chegar ao que mais se quer:
Seus beijos, abraços e as férias
Daquele que trabalha em Guamaré.





sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Repertório do coração

É uma felicidade utópica e intrínseca
é um sonho que vira saudade
e vice-versa
é uma chuva que inunda a cidade
ao mesmo tempo que seca
é um sol que traz a claridade
enquanto cega
quem quer fazer do astro-rei uma lua
tão cheia de discursos e leis quanto absurda
vamos dançar tim maia na rua
e o repertório do coração - e dos pés - impera e insinua...





terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Os pensamentos positivos

Surtaram o pessimismo,
saltaram sobre o abismo,
assustaram o conformismo,
assistiram a cada quadro do filme,
surtiram um efeito sublime
e surgiram ampliando os limites
físicos e psíquicos
os pensamentos positivos.

O olhar se mantém firme
apesar do horizonte movediço.





domingo, 12 de janeiro de 2014

Eis a fragrância

Eis a fragrância
de quem dança
no exato instante
do flagrante
da nata da fragata
do pavio pirata


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Nuvens e sonhos

A ficha só deve cair
Quando a aeronave subir
Esculpindo nuvens e sonhos por aí.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Poesia crônica

Os transeuntes
carregam um semblante
de que não estão nas nuvens
sob este sol escaldante

Quanto mais gaiola
nos múltiplos condomínios
mais esgoto transborda
nas ruas do município

A chapa está tão quente que na prefeitura
até já houve incêndio
enquanto segue a secura
do povo, entre a coragem do grito e o coagido silêncio.




segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

As férias voltarão às jaulas

Em breve
As férias voltarão
Às jaulas
Nordestinas

De uma forma leve
Elas ficarão
Domesticadas
Pela rotina


Paradoxal paladar

Soy una persona
Amarradona
Em azeite
- Extravertigem -
Mas em mim não há quem aceite
Azeitona
Nem acetona
Averiguem.


sábado, 4 de janeiro de 2014

Meus amigos

Meus amigos
Não são vários
Inclusive eu nem ligo
Se não me ligam no meu aniversário

Meus amigos reais
Não são todos aqueles
Contabilizados nas redes sociais
Já basta eu saber quem são eles

Meus amigos
Nem são tantos
No entanto estão sempre comigo

No meu coração
Como se fossem anjos
E são!




sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Um dos desejos


Após quase um dia inteiro
Sem energia elétrica
Começo janeiro
Com muita luz
E o coração aceso
Para o novo ano
Um dos desejos
Já foi realizado.