segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O pente do vento


O vento passou o pente
Nos esguios eucaliptos
Especialmente
Para o ano novíssimo
Ainda que espremido
Entre os morros flumineiros
O horizonte fica mais inteiro
Da varanda do mezanino
A despeito do vizinho
Cortar a grama e o meu sono
- que já são rentes –
Justamente depois do almoço
Longe de soar solene
Eu desejo a todos
Inclusive ao obsessivo cortador
Um ano novo frondoso
Para o vento pentear com amor.
 
 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Azuis caminhos


Telhas de vidro
Deixam o recinto
Brilhantemente acendido
 
Assim como os azuis
Caminhos da poesia que não impus:
São pontos de luz.
 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Trêmulos dias atuais

Daqui a uma década
Teremos saudades
Dos trêmulos dias atuais

Quiçá muito mais
Nostálgicos do que de outras fases
Quando éramos apenas almas.







Até o começo


O maior trabalho
Neste recesso
É suportar o enfado
Da derradeira semana de dezembro
Até o começo 

De dois mil e catorze
Com a torcida
Sem entorse
Por uma vida
Tranquilamente sob neurose.

 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Do Natal

Só gostava do Natal
Quando menino
E crente que era real
O bom velhinho

Caso não esteja com quem se ama, é um teatro
Alegremente enfadonho
Aguentar os fingimentos é mais fato
Do que um mero sonho.









segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A casa do futuro

Em pleno quarto dia
Aqui na roça
Em Conservatória
Meus ouvidos não acreditam
Que estão longe das escrotas
E enlouquecedoras obras

Calmo, eu caminho
No acostamento da estrada
Onde não acontece nada
Mais do que o canto dos passarinhos
E a intuição de que a casa
Do futuro já foi levantada e decorada.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Do interior de dentro

Não existe perfume
Mais do interior
Do que o do estrume

O que vem de dentro
Nem sempre é amor
São outros alimentos


.


sábado, 21 de dezembro de 2013

Uma estação

Leva uma estação
Para se chegar à próxima
Entre o calendário e o trem

Da primavera ao verão
As raízes são as portas
E as janelas que me assustam e me sustêm

O coração está são
Eu sei de quem é a obra
E agradeço pronunciadamente em silêncio por tamanho bem




quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Apenas parece

Embora esteja escrito
o que assino embaixo
não quer dizer que concorde com isto
pode nem ser mais o que falo
ainda que o tempo pare sem o vento
o ponteiro sem pestanejar prossegue
seu circular movimento
eu sei que apenas parece
que o mundo cessa de girar
quando não há uma brisa que refresque
no entanto nada me paralisa de respirar
por enquanto nem estou entregue
portanto experimentar me pisar
não soa um bom procedimento
mas se preferir se arriscar
vai ferir a sola do pé no cimento.



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

De como Justin Bieber me devolveu a fé na humanidade.

Justin Bieber,
O pop star
Aborrecente, decide
Abruptamente se aposentar
Aos dezenove anos de idade:
Eu ainda creio na humanidade.





terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Nem com nado sincronizado

Quando eu fuço
O passado
Fisicamente
Encontro quase tudo
Casualmente passado
Para presente

Deixo seguir o fluxo
Em caso contrário
Não venço a corrente
E vou para o fundo
Nem com nado sincronizado
Convenço o júri muito simpático e incompetente.



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O estatuto e a estrada

No estatuto
Está tudo
Em estático estudo

No entanto, não está nada
Estagnada a estrada
Ser longa e sinuosa já basta.




segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A bonança

Eu nunca tive
um fim de semana
tão triste
mas é pra frente que se anda
meus amigos existem
e boas vibrações me emanam

Foram dias solares
tão-somente no céu
eu voo e volto à base
minha casa quase cedeu
aos raios, raivas e tempestades
a bonança é reconhecer quem sou eu.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Encontro

Hoje eu tomaria banho de rio
Em Guapiaçu
Mas fui na correnteza do pranto
Ao me reaproximar do sorriso nu
E submerso em memórias
Da minha infância azul

Tudo é normalmente esquisito:
A pessoa que vi e beijei há quatro dias
Durante trinta e quatro anos
E que me ensinou a ler as letras e a vida
Não existe mais nesta dimensão agora
Pelo menos minha vó desencarnou sem agonia.

Estarei sempre no seu colo
Descanse em paz neste novo plano
Exceto o meu, não vou a velórios
Eu me escondo no meu canto
Quando choro
E nos encontro por encanto...











terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Arremessos

Há uma lacuna
Em cada poesia
Que me insinua
Ler obras distintas
Ainda que não existam

O meu entusiasmo
Com determinados textos
É o mesmo
Pela folha alva, alvo
Dos meus arremessos.






segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O meu desterro

Até nos dias inúteis
Eu descarto
A facilidade
Cujo parto
É da mediocridade

Não sei se é virtude
Ou vício
Contudo encerro
Com fogos de artifício
O meu desterro

Entre nitidezes e nuvens
Calmamente corro
Da imbecilidade
Cujo porto
É a porta da minha cidade



terça-feira, 26 de novembro de 2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Protocolo caleidoscópico

A terra se lavra
Somente com sementes
Que não soterram a palavra
Regada e rogada na mente

O que eu semeio
Através e dentro
Da minha cabeça
Segue o protocolo
Caleidoscópico
Para que o sonho floresça

Se a monocultura
Prejudica o solo
O que dizer da ditadura
Em todos os terrenos, saltando aos nossos olhos?









sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Escola de escolhas

Todo dia eu aprendo
A nadar, a andar
A voar e a respirar

Até quando prendo
A mim próprio e o ar
A vida não para de me ensinar

Toda hora eu desaprendo
A rastejar e a me grilar
Já estou grisalho demais.




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

No máximo, é uma fotografia

Muita pressa
E pressão
Dão depressa
Uma depressão

Eu tenho meus momentos
De calma e de melancolia
Mas não faço disso um monumento
No máximo, é uma fotografia.

A pessoa presa
À opressão
Fica surpresa
Com a própria supressão.





domingo, 17 de novembro de 2013

Haikai tricolor

Gol de cabeça no finalzinho
Contra o São Paulo de Muricy:
Esse filme eu já vi.




quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Qualquer carinho

Tanto carão
Faz com que seja caro
Qualquer carinho

Preços cairão
E as pirâmides sairão de Cairo
À procura de carinho

A minha cotação
Deixa bem claro
Que não sai caro qualquer carinho.




terça-feira, 12 de novembro de 2013

Mais esgoto vaza

Quanto mais brotam prédios
No lugar das casas
Mais esgoto vaza
Principalmente na Duque Estrada
Onde moramos eu e o prefeito
Se está assim este logradouro
À mercê de um progresso que só atrasa
Devem ser inóspitos os outros.








sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Não sou assim à toa

Eu sei que o tapete
Enrolado me denuncia
Não sou assim à toa
Pentelho no sabonete
Espuma na pia
Outros vestígios
Da minha passagem

É melhor ter um topete
Do que a cabeça lisa
Se alguém vira a folha
O calendário não se repete
Na parede da cozinha
Novos destinos
Para a mesma viagem.





quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Esta chuva infinda

A chuva não termina
Ignoro se é por tristeza
Ou por fadiga
Do céu diante da alteza
Do sol que castiga
Através de calor e frieza
Como se não desse a mínima
A quem não tem sombra e água fresca
Talvez sirva para algo esta chuva infinda
Desde terça-feira
Ou há dois dias
Com a duração de uma vida inteira.










quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Nem tudo e quase nada

Nem tudo o que calo
Escoa pelo ralo
São sonhos insanos
E sãos
Amalgamados
Com recordações

Minha cabeça é um oceano
Onde nada meu coração.

Quase nada do que falo
Ecoa pelo papo
São olhares indiretos
Ocasiões
No automático
Em desiguais repetições

Minha cabeça é um deserto
Onde se desnuda meu coração.







segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Bem agorinha

Qualquer prazer
Consegue me divertir
Eu sei que pra ser
Só se segue se ir

Passional
E patético
Possuem a mesma origem

Entre o racional
E o poético
Equilibro a minha vertigem

Qualquer agonia
É capaz de me atingir
Bem agorinha
Sem tempo para fingir

E eu gosto de verdade
Cada vez mais do meu amor
Porque transa arte.




sábado, 2 de novembro de 2013

As luzes singulares

As luzes singulares
Encerrando a corrente tarde
Esclarecem o milagre
Do sol em sondagem
Apesar de
Ser feriado de finados,
De haver mais edifícios perfilados
E de hoje ser sábado,
Amanhã não há de
Ser considerado
O único dia da felicidade.





sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Haikai de todos os santos

O dia de todos os santos
Justamente numa sexta:
Não merecemos tanto.




quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A sua toalha

Admito que sou um rapaz confuso:
Eu me enxugo
Com a sua toalha
Que, sem calor, sua

Eu fico tanto no meu mundo
Que não escuto
A cor que é a sua cara
E nem sempre me situa

E você sabe que isso transcende
Como os mistérios pendentes
E independentes de ciências
E outras religiões

Vou me atentar mais aos gnomos e duendes
Para deixar a sua toalha um pouco ausente
Dos entes que têm existência
No meu universo de abstrações

Talvez a primeira vontade

Quando você não acha
E tem a certeza
De que a sua cabeça
É mais do que uma caixa
Saindo de outras
Talvez a primeira vontade seja
Adormecer
Para abraçar a mesma
Realidade rotineira
Quando você pensa que não se encontra.





quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Humor politicamente negro

Não sei se sou
Politicamente correto
Ou se meu humor
É, como eu, negro


Humilhar não tem graça
Tampouco faz comédia
O humor pode ser morto na praça
Se forem curtas as rédeas.

sábado, 26 de outubro de 2013

Preciso de uma vez por todas

Preciso de uma vez por todas
Registrar no celular
Ou no guardanapo do bar
O que me atordoa

Antes que me arrebente
De tantos arrependimentos
Dos esquecimentos
Indesejáveis, naturalmente.






quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A biografia de um pirado circunspecto

Há certos aspectos
Em que estão em casa e na rua
Todos os meus espectros
Sobretudo na literatura
De Clarice Lispector

A minha vida não se trata
De um aparelho eletrodoméstico
Que se adquire até de forma pirata
O que é acerca de mim não está num prospecto
A biografia de um pirado circunspecto: em breve nas praças.






terça-feira, 15 de outubro de 2013

Cinema do interior

Fico tão agulhado
Quanto relaxado
Para a sessão
De acupuntura
Sob a atenção
De cinema do interior
Onde a pintura
É feita com um tipo de cor
Que raramente se usa
Em busca da ascensão
Por agulhas, mergulhos e fagulhas.




sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A amêndoa

Chutar a amêndoa
É o salvo-conduto
O sonho e a senha
Para a infância das primeiras fases
Onde não há o extermínio
Mas a criatividade
De fazer do fruto
A bola que chuto
Da mesma forma de quando era menino
Rola a saudade num susto
Por ser tão plena
Quanto a amêndoa.



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Do chumbo à pluma

O peso do mundo
Parece que muda
Do chumbo
À pluma
Em frações de segundo

Meus ombros
Não se ajuntam
Por causa dos sonhos
Que na cabeça pululam
Como sapos no trono

É vão o desespero:
Cada um atura
O próprio peso
Que a balança interna calcula
Entre a audácia e o medo.






quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Um caminho

Eu ando
No calor
No frio

Até quando
Viável for
Um caminho

E caso não tenha
Mais onde pisar para ir
Meus pés desenham
O que pintar por aí.




terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sabem de quem vem?

A baderna
É de quem
Possui  o dever
E não governa

A arruaça
É de quem tem
Como fazer
Mas não faz nada

A desordem
- Sabem de quem vem? –
De quem diz que não quer ver o povo sofrer
Enquanto nos fode.




sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Já que a chuva cai

Já que a chuva cai
Agora e também
Cairá no sábado e no domingo
Não sou eu quem vai
Chorar que nem neném:
Não sou um rapaz competitivo.




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O que depende de si

Não há nada melhor
Do que prosseguir
Faça chuva
Faça só
O que depende de si:
O tempo ajuda.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Todavia

Todo dia
É a mesma via
Todavia
Não é o mesmo dia
Que antes havia.



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Pela orla

Passeando na calçada
Vejo mais coisas
Do que na tevê
De quarenta e poucas polegadas

Encontro na caminhada
Quase as mesmas pessoas
Que não se veem
Do sofá da sala

Andando pela orla
Da praia observo os urubus numa
Espécie de autópsia
Do peixe expelido pela chuva

Crianças de sete a setenta anos
Jogam peteca e bola
Enquanto vou passando
Junto com as horas

E cumprimento
Os transeuntes
Sem aceno
Entre as nuvens.



terça-feira, 10 de setembro de 2013

You, eu sei!

Os estados munidos
Querem invadir a Síria
Por haver supostas armas químicas
Quando os estalos fundidos
Vão espionar as suas almas cínicas?


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

As charadas do mundo

O fardo pesa
Tanto quanto a farda
Entretanto eu aturo

Não há conversa
Quando se acertam com armas
As charadas do mundo

Não existe pressa
Para quem tem calma:
Abraça um dos futuros

Não adianta só reza
Caso não faça nada
Mais do que ficar em cima do muro

É vã a promessa
De ouvir a alma
Ao deixar o aparelho mudo.






quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Fique fora por dentro de si mesmo

O direito ao erro
Não é dever
Nem devora
Entrar em desespero
Fique fora
Por dentro
De si mesmo
Neste agora
Há tantos tempos
A preguiça é um desafio
O ego
É um empecilho
O prego
Enguiça no caminho
Da parede para
A do vizinho
Que tem a sua cara
Casa na área esnobe
Da cidade que se declara
Submersa quando chove
E submissa à tara
De se foder enquanto o que sobe
É a ejaculação imobiliária.



terça-feira, 27 de agosto de 2013

Tão pasmo quanto feliz

Estou tão pasmo
Quanto feliz
Meu entusiasmo
Pelo ar se diz

Abro janelas
Portas
E a cabeça

Para que o vento dê sua volta


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Se tudo der certo

De quando a criatividade
Surge diante da precariedade:
O uso de desodorizante de ambiente
Nas axilas do indigente
Sou testemunha
Vi há pouco na rua

Se tudo der certo
Não vai prestar
Para quem se acha esperto
E o resto otário:
Sua hora chegará
Está acabando o atraso.



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Do jeito que as coisas estão

Do jeito que as coisas estão
Será cobrada
Meia entrada
Para a transgressão
Da mente e da internet

No peito mora o coração
E não no bolso
Enquanto não ouso
Sou mais um da coleção
De inteligentes marionetes




terça-feira, 20 de agosto de 2013

domingo, 18 de agosto de 2013

Mesmo que seja rara a devolução

Eu escrevo meu nome
E o número do meu telefone
Nas primeiras páginas dos livros
Que, num dia qualquer, somem
Das minhas mãos
No entanto, não estão longe
Da minha recordação:
Seguem sendo lidos
Mesmo que seja rara a devolução
E eu, atentamente distraído.

Além das praias privadas

Por mais rádios honestas e sem jabás
Em AM, FM
E nos âmbitos digitais

Em prol do fim da pérfida paz
E da própria PM
Fétida e incapaz

A amplitude
E a frequência
Estão ficando moduladas

As ondas se difundem
Por quem pensa
Além das praias privadas.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pelo modo aleatório

Ainda que seja esquisito
Eu acredito
Na sintonia de relógio
Entre o que medito
E o que é escolhido
Para tocar pelo modo aleatório
Talvez tenha sentido
Ou sentado para ler um livro
Achando um caminho menos giratório.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Libelo contra o desmatamento

Artista acamada
Pelo público
E pela crítica
Tem os pelos púbicos
Como pauta jornalística.


domingo, 11 de agosto de 2013

A esta poesia

Não sei contar
Quantos goles
Cabem numa dose

Não tenho como conter
Tanto controle
Talvez transborde

O que quero expor
Nem sempre me explica:
Está nas entrelinhas

E se eu próprio depois
Fizesse uma nova visita a esta poesia
Poderia pensar que não fosse minha.



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Não foi a primeira vez

Não foi a primeira vez
Que sonhei com várias
Gomas de mascar
Na minha boca
Eu precisava
- E preciso - respirar
Os chicletes nem estavam doces
Consegui retirar
O que parecia uma espantosa
Borracha entre o branco e o rosa
Sem a ajuda de aparelhos
Foi através da mão
E do sonho, por que não?

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Nada como

Nada como um abraço
De sal
Para abaixar a pressão e ampliar o espaço:
Mantém o coração em compasso

Nada como uma ducha
De sol
Enquanto não cai a chuva
Nada dura, até a pele muda.

Nada como um mergulho
No mar
Para voltar ao útero
Da mãe de todo o mundo.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Um solzinho ainda

Vendo livros
Capitalizo dividendos em sorrisos
Leio paisagens
No meio de passagens
Não se trata só
Do título
Um solzinho ainda
No freio do frio
É o sol
Que esquece e aninha
Igual aos avós.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Assim como o tempo

Eu fui adolescente
Na década de noventa
A internet era incipiente
Discada e bem lenta

Eu fui criança
Nos anos oitenta
Os dias não tinham ânsia
Tampouco tormenta.

Agora sou um jovem senhor
Da década de dez
Assim como o tempo, sou
Todos que fui sempre e através.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

O sussurro etéreo

No corredor do vento frio
Na cozinha
A geladeira é um outdoor íntimo
E não é só a minha

Passeando pela tempestade
Eu não ligo
E me plugo na eletricidade
Para o meu abrigo

O sussurro etéreo
Tem dado o recado
Razão e ração para o mistério

Às vezes o rádio
Não está em mono nem em estéreo
Mas rasga o ar como um raio.


Mais do que um teste

O céu é um chuveiro aberto
O guarda-chuva
Embora desperto e perto feito teto
Nunca enxuga

E já que cai água da ducha
Celeste, mais do que um teste,
É uma prova que não se refuta
De que rola uma colossal tristésse.


sábado, 20 de julho de 2013

Pros verbos

Jogo a rede
Para colher malucos
Pensamentos no ar
As melhores reticências
Estão nos menores fiascos
Atravesso o sorriso
Onde é mais largo
À noite, todos os cigarros
São claros
Cada coringa
No seu baralho
Cada cabeça
Uma centelha
Mão que é ladra
Não dorme
Bagatela nunca é demais
Educando a esperança
Não será preciso punir a fome
Divagar se vai aonde?
Dize-me com o que andas
E te direi que são os teus pés
Em terra de ego
Quem olha pro outro eu não sei
Mais vale um passado na escuridão
Do que fantasmas voando
Não adianta chorar
Sobre o sorvete derretido.



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Na saída para a estrada


Na saída para a estrada
Havia uma boiada
Após a volta dada
Que foi bem rápida
Diga-se de passagem
Não tinha mais nada
Nem manada
Para justificar a miragem.

Nem sempre tem olho mágico na porta

Ao meu lado
Passa uma borboleta
Às vezes sou alado
Noutras bola de roleta
Façam suas apostas
Nem sempre tem olho mágico na porta

A barba era lenta
E sinônimo de maioridade
Na adolescência
Agora cresce numa incômoda velocidade
No pescoço é onde mais coça
E não é a corda.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Presentes presentes

Os presentes
Do pretérito jazem
Presentes
E trazem
Um cheiro de naftalina
Ou de ceia natalina.

Os pombos
Já se foram
Os escombros
Não só me edificam como me decoram
Eu me movo pelos ombros
E isso não é de agora.



sexta-feira, 12 de julho de 2013

Desta tropa de escroques

O caos é tão real
Quanto as fraldas e fardas
De uma trepa de choque

A realidade é tão caótica
Quanto as almas e armas
Desta tropa de escroques

O povo é mais palpável
Do que a pátria
Portanto se toquem.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Quando a ideia sangra

A faca anda
Tão afiada
Que corta
Até pensamentos

E não pensar adianta?
Ou refletir sobre nada
É o que mais importa
Como raciocínio sob racionamento?

Quando a ideia sangra
Tão vermelha quanto a alvorada
Pego o papel na hora
E aproveito a tinta escorrendo.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Prenso, logo é disco

Prenso, logo é disco
O som se vê
Quando se encorpa

Venço quando existo
E começando a ser
Imagino na cópula

Denso, logo é lido
E para quem não lê
Recomendo escola.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Tampouco utopia

Direito não é regalia
Tampouco utopia
Se a distribuição de renda
Acontecesse como oferenda
A justiça
A saúde
A dramaturgia
As músicas
Os esportes
Os livros
Os teletransportes
Estariam em todos os rincões
Em vez de só para os ricões.

Cada adjetivo é um rótulo


Os óculos escuros
Não são vendas
Nem teriam vindo do futuro

Os óculos negros
Não tapam o que vejo
Nem me fazem topar na tenda

Os óculos afrodescendentes
Entendem que cada adjetivo é um rótulo
E eu me entedio às vezes com este negócio.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Sol invernal

O sol de junho a setembro
No hemisfério sul
É invernal:
Também queima

Ósculos escuros
Não sabem blindar
Tanto quanto
O filtro solar

Meus caros,
Não confundam
Alhos
Com agasalhos.


Notas?

Sempre obtive notas altas
Da classe escolar
Exceto das mais abastadas

As notas não eram verdes nem monetárias
Mas em forma de números ou de conceitos
Atualmente são literárias

E os colegas que recebiam as minhas colas
Sequer me olham agora:
Confundo derrotas com vitórias

Possuo experiência comprovada
Em desemprego
E no aguardo de empregos

A vida dá suas marteladas
Sou parede, quadro, prego
E Marcello.

Através da espera e do silêncio

Acometido pelo tédio
Tento entender o mistério
Deste mundo tétrico

Enquanto não entendo
Reconheço que tudo tem seu tempo
Até o contratempo

Não sei se chegou o inverno
Ou o inferno ao passo que hiberno
O que sinto é mais do que térmico

Enquanto não me rendo
Resigno-me através da espera e do silêncio
Ciente de que algo está acontecendo.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

De costumes e sentimentos

O que se torna
É uma mixagem

O que se entorna
Está à margem

O que se contorna
Faz parte da viagem

O que se retorna
Nunca vem tarde

O que eu penso
É um misto
De costumes e sentimentos

Quando existo
É igual ao vento
Levantando o vestido.


Legados gelados

Eu não creio
Que o padrão Fifa
Seja o mais perfeito
Como uma cafifa
Voejando no céu profundo

Eu não admito
Que as prioridades dos verbos e das verbas
Tenham como alicerces interesses pífios
Já que os legados gelados da cópula do mundo
Serão os elefantes brancos e o estádio de sítio

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Na pauta do dia


Após many infestações
Dos parasitas,
Manifestações
Na pauta do dia
Revoluções.

terça-feira, 18 de junho de 2013

A primavera brasileira

Do berço esplêndido o gigante se despertou
Com tanta violência e opressão
A panela de pressão destampou
Transbordando o caldo de indignação
A primavera brasileira começou
Entre o outono e o inverno
Verão
Os que ainda não estão com os olhos abertos
E se elevarão
As vozes, os cartazes, os celulares, as cabeças e os punhos
Numa espécie de réveillon
A partir de dezessete de junho
Ano novo
Vida nova
O poder emana do povo
Que não se engana mais com a Copa
Enchendo a bola e os bolsos
Dos mesmos coronéis nojentos
Queremos enfim a sobremesa depois da insossa sopa
Servida à força desde mil e quinhentos
Não haverá mais colher de chá
Vamos colher transparência nos gastos, nos gestos e nos gostos já!


segunda-feira, 17 de junho de 2013

O milho e o malho

Eu me esquecera de registrar
O quão foi emblemático
Retirar
Meu novo registro geral
No dia do meu aniversário
Conteúdo sempre atual

E as pombas de defeito moral
Vão reprocessar
O milho e o malho das praças
Sobre as cabeças
Que apenas separam
As orelhas.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Da floresta que se tornou a minha varanda


No dia em que completo, e não é às vezes,
Doze mil e quatrocentos e dez dias
Ou quatrocentos e oito meses
Chamado de trinta e quatro anos por galhardia
Eu rego as plantas
Da floresta que se tornou a minha varanda
Enquanto um vizinho
Que não sei quem é nem como anda
Toca Legião Urbana
Para ser mais específico:
Tempo perdido.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Devido ao medo e ao dinheiro


Sempre será uma graça
Aos donos da televisão
Fazer com que pareça mera arruaça
Qualquer manifestação,
Na rua, na rede e na praça,
Contrária ao tirânico governo,
Um dos núcleos da novela de faraônica produção
E de um abjeto e óbvio enredo

Ainda que legítima seja
A liberdade de expressão,
Devido ao medo e ao dinheiro,
É uma daquelas leis que não pega,
Exceto para os incendiários que não viraram bombeiros.

domingo, 9 de junho de 2013

Contradição


Diz que não sabe fazer suco
Porém prepara caipirinha
Igual a uma perita

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Aqui, em Santa Roça


Aqui, em Santa Roça
Ainda há casas
De quando a invenção mais nova
Era a televisão

Aqui, em Santa Roça
Apesar de um tempo que não passa
Já sujam o silêncio as obras
Que surgem aos borbotões

Aqui, em Santa Roça
Na Duque Estrada
A viagem se renova
Na aterrissagem em cada estação

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O tempo todo


Eu sinto falta
Da minha vida passada
De quando era astronauta

Eu tenho saudades
De futuras idades
De quando serei eternidade

Eu fico ansioso
Em ser outro
Estando comigo o tempo todo.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Apenas vivo


Reconheço que não faço tantos
Versos românticos
Entretanto estou tentando

Os horizontes ficam maiores?
As portas e janelas não se movem?
A saída é envelhecer com o espírito jovem

Se é livre-arbítrio
Ou se tudo já está escrito
Eu não sei: apenas vivo


Ringo e Paul


Ringo e Paul
Visitaram a minha casa no campo
O sonho acabou.

Solicitação


Não me convidem
Para jogos e afins:
Já basta a vida

terça-feira, 28 de maio de 2013

Minha jogada


Contagem regressiva
Para ocorrências decisivas
O jeito é me jogar
Sem me julgar
Minha jogada vai sair pro mar
Não vou atrapalhar o meu querer.

Momentos cruciais
Não vão me crucificar
Eu não posso ficar
Mais me aguardando no cais, agradando o caos
Minha jogada vai sair pra amar
Não vou atabalhoar o que sei fazer.



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Domingo, eu não vou ao Maracanã.


Num misto de alegria e melancolia
Vi numa matéria - ao vivo, é claro - da televisão
Que um dos populares não iria
Domingo ao Maracanã torcer pela seleção
Por não ter a nababesca quantia
Do ingresso - ou melhor, mas pior – da extorsão.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Um sol ou um facho


Com os meus cachos
Cortados
Eu planto
No solo que não mais acho
Coitado
Nem santo
É só um sol ou um facho
Catado
Por encanto.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Aos meus ócios e anseios


Sem contraindicações, é melhor dar uma chance
Aos meus ócios e anseios
Do que aos negócios farmacêuticos

Antes que me canse
Morrendo dia após dia de câncer
Extraio sem anestesia os paralisantes receios

O mar e a realidade


Existe uma coisa
Que não se move
Nem pousa
À qual uma das minhas nove
Almas é crédula
Existe...

Eu sei que o mar e a realidade enjoam
E há pessoas jovens
Embora sejam cronologicamente velhas
Portanto se renovem
Não somos tão-somente cédulas, células
E tristes.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Para não babar


Não vou salivar
Para não babar
Os meus planos
Mesmo aguando
Não será um tiro
Na água, contra a maré
Nem no escuro: eu não miro
Nunca no meu pé
Vai ser como eu tiro
Leite de pedra
É tiro e queda um retiro
Longe da selva de merda.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

No trânsito


Os trens, os ônibus, o metrô e as barcas estão operando
Normalmente nesta manhã de segunda feia
Flui o caos no trânsito.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Coragem e ancoragem


A coragem
Não coage
Quem tem asas
Para a decolagem

A coragem
Cora e age
Decorando as casas
De quem mora na arte

Ancoragem
Dos pés no solo
Nem sempre descolo
Mas sigo na viagem.


terça-feira, 30 de abril de 2013

A estátua da santa do meu colégio


Da minha visão
Esvaece a cada santo dia
A estátua da santa do meu colégio
Em virtude – e vício - da construção
E da aspiração desmedida
Fotografei seus últimos suspiros sem sacrilégio.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Garrafa pet premiada


Comprei uma garrafa
De dois litros de refrigerante
Que só foi aberta mediante
Marteladas de faca
No intuito de transferir a bebida
Para outro recipiente
Processo a pessoa jurídica
Ou bebo algo diferente?

sábado, 27 de abril de 2013

Quando as ideias forem postas


Quando as ideias forem postas
Em pátina
Não sei se farão apostas
Ou artes plásticas
Para o vestibular,
A corrida do outro

Quando as ideias forem postas
Impávidas
Talvez saiba as respostas
Pelo menos de algumas páginas
De um livro escolar
Do século dezoito.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A minha teima


Abstraio as roupas velhas
Que não têm mais cabimento
Devido à atual silhueta
E à ação do tempo

Desato a energia presa
E como reconhecimento
Encontro diversos poemas
Em disquetes já obsoletos

A sorte é que sei usar a minha teima
Também nestes momentos
Para exumá-los e exibi-los na feira:
Oh, meus resgatados rebentos!

Estas titicas das estatísticas


A cada vez que alguém pedala
Um carro morre
Ou mata.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Aos transeuntes da praça


As línguas são más, impunes
E mágicas
Quando desmascaram
E difundem
Aos transeuntes da praça
Para quem confunde
Fumaça
Com fantasma
Perante uma nuvem
De radiante calma.




quarta-feira, 17 de abril de 2013

Vem, ser


Sangue nos olhos
Lágrima nas veias
Desconfio se me consolo
Perguntando à caveira
Vencer ou convencer
Vem, ser
Neste êxodo
Do sonho agreste
À felicidade grande:
Denso, logo êxito.

Sonho não é sono


Após o intervalo
Só frio desencapado
Nenhum livro
É lido pela capa
Imaginem na Copa
Dou o ácaro a tapa
Ou tô no
Delírio de janeiro
Na cápsula de veraneio
- Sonho não é sono -
Agora sei o motivo
De ter nascido
N’outono.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Em escala industrial


Quem planta bombas
Em escala industrial
Colhe hecatombes
No seu próprio quintal
Em plena maratona
Que Boston?
E as minas terrestres que detonam
Crianças da África e do Afeganistão?

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O impacto da queda da ficha


Mais triste
Do que contente
Porque não aconteceu igual
Para todo mundo

A conquista existe
Mas ainda não se sente
O impacto da queda da ficha será total
Num instante cada vez mais junto.

domingo, 14 de abril de 2013

Um lugar e um alento


A pressa
Tem um preço
Alto à beça
E não se paga com dinheiro
É outra a moeda
De troca
E o que toca
Agora nas novelas
Nunca supera
O que tem sido feito
Organicamente no peito
E na graça antes da Grécia
E nas áureas e árduas épocas
Quando sobressai o talento
Tá lento?
Então vamos devagar
Mas sem tantos receios
Rodeios e freios
Há sempre um lugar
E um alento no tempo
Que as nuvens sabem ligar.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

O último futuro


Futuramente, o último
A rir da divina comédia
Numa reza em murmúrios
Deverá arriar as rédeas

Ultimamente, o futuro
Tem chegado depressa
Depreciando os muros
Sem atirar pedra

E o último futuro
Como a adjunta manhã
Será tão útil
Quanto um suco de abacaxi com hortelã.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Há tempos por perto


Dando um tempo
À têmpora
Em pleno temporal
Na precipitação
Da catapulta
E do precipício
Virão a chave e a chuva
O fim vira o início
A porta se apura
O parto se ampara
Pelo porto
Fingido de morto
Aparece o tempo temporão
Há tempos por perto
Há tempo, ora!

Entre as verdades e os mitos


Sobre o documento
Eu não comento:
Conto, aumento
O conteúdo que definha
A folha virtual em branco
Quem lê
As estrelinhas
Vê tudo
Do sangue que estanco
Com a minha tez de vidro fumê
Ao tão estúpido quanto astuto
Telejornal acatado em todo canto
Como deveriam ser as leis
Entre as verdades e os mitos
Há uma edição caprichada
As definições de vírus
Foram atualizadas.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Na travessia da ponte


Quando me deito
Eu fico bem maior
Do que o horizonte
Tudo parece perfeito
A despeito do pavor
Na travessia da ponte
Entre o travesseiro
E os meus sonhos que sei de cor
Ação pra deixá-los menos longe
Do cotidiano rarefeito
Repleto de planos a vapor
Não tusso desde anteontem.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Mais todo


Aprendem-se as lições
Através de ilusões
Desfeitas com lesões
Disfarces de loções
Se as fases lhes são
Difíceis, vocês não se arrependerão
Depois de tudo isso
O mundo é um disco:
Mudam-se as arredias danças
E os lados arranhados das ânsias
Pra quem não tem medo do lodo
De onde se emerge mais todo.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Espírito olímpico


Estou moído e pronto
Mas não como
A minha agonia carnal
Com purê de batata
Muito menos igual
A quem passa
Pela máquina moedora
Em nome da competitividade fora de foco
O espírito olímpico nessas horas
É só um circunlóquio

Estou tão cansado
Quanto aliviado
E aquele monstro
Eu não encontro
Mais nas esquinas
Labirínticas
Da minha cuca
Onde as rotas de fuga
Não são derrotas
Apesar e em decorrência do dia da mentira.



domingo, 31 de março de 2013

Só no interior de fato



O mês de março
Vai se tornando um bagaço
Até abril
Só no interior de fato
Há mais elementos e carros
Daquele tempo que partiu.

terça-feira, 26 de março de 2013

Saudades e estrelas


Ah, saudades...
Eu penso que as tenho
De um tempo
Em que nem tinha idade
Para tê-las

Talvez a memória
De cunho jornalístico
Seja a melhor forma
De não soar cínico
Ao seguir as estrelas

Elas estão mortas
Mas ainda moram
No céu de quem rememora
Tudo, até o futuro em órbita
Em retrospectiva nas telas.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Contrassensual


Contrassensual
Não é contrário ao sexo
Aliás, é promíscuo: fode qualquer nexo

sexta-feira, 15 de março de 2013

Escuridão esclarecedora


Desconhecer o destino
Já é um propósito
A falta de poses e de calculados sorrisos
Fica bem na fita e na foto
Não ouça sempre o que digo
Bastam os meus olhos
Embora esteja indo
Espere que eu volto
Este é o meu caminho
E não dos outros
Somos pequenos brilhos
Na escuridão esclarecedora do cosmo.


quarta-feira, 13 de março de 2013

Pelos canos do Vaticano


Na dança das cadeiras
Sob o volátil canto
Entre regalias e cadeias
Pelos canos do Vaticano
Sai um do exército
Da juventude hitlerista
E entra um adepto
Da ditadura argentina
E continua o funesto
Passado no papado
Bem afastado daquele papo.

terça-feira, 12 de março de 2013

Presente em tudo


Entre a ansiedade
Do sonolento futuro
E a saudade
Do passado profundo
Nunca é tarde
Para ficar presente em tudo
O que aufere eternidade
Antes que termine num minuto.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Plantas e pedras


As plantas são mais atentas
Do que essas antas que nunca tentam
Por medo

As pedras são mais transigentes
Do que merdas em forma de gente
Por arremedo

Já quis virar planta
E semeei pedras
Na minha terra
Ser humano me espanta.

sexta-feira, 8 de março de 2013

No fim das contas


Por mais que a aparência
Ditada por quem se pensa
Com suas fórmulas prontas
Deixe o corpo perfeito
No fim das contas
Todos viram esqueletos
A sete palmos da terra
Exceto os embalsamados
Os mumificados
E os poetas.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Um conserto desafinado


A cidade se tornou um canteiro de obras
Um conserto desafinado
Não pode mais ser um ninho de cobras
Destilando venenos açucarados
- Alguns aplaudem como focas -

O menino doce e sadio me saúda
Com saudades da infância
Agora parece uma pessoa muda
Ouvindo ecos de lembranças
- A alma carece ficar desnuda -

Niterói está um enorme estacionamento
Virou um imóvel transporte
Os imóveis daqui geram incremento 
Só para os alheios cofres
- E nós temos que lamber os beiços com os excrementos - 




segunda-feira, 4 de março de 2013

Para fora de casa


Barbeadores cegos
Benjamins nada elétricos
Pilhas quase derretidas
Comidas transvencidas

Jornais meramente datados
Assim como os calendários
Revistas banais de ontem:
Iguais às de hoje, nada de novo no front

Catálogos telefônicos
Agendas de um tempo que descarta o eletrônico
Manuscritos, negativos e fitas cassetes
Aparelhos e outros tatos antes da internet

Jogar para fora de casa
As energias paradas
É a parada




sexta-feira, 1 de março de 2013

Ainda às cegas


O que se quer?
E o que se faz
Torna singular
Um dia qualquer

O que se almeja?
E o que se amua
Mune e muda
Virando a mesa

O que se mira?
E o que se acerta
Ainda às cegas
Muito me admira.



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Confortos nefastos


Hoje eu não saio
Com o livro
Debaixo do braço
Somente na mente
Quiçá chova

Hoje eu ensaio
Um equilíbrio
Entre o lasso
E o persistente
Antes da cova

Hoje eu salto
Do precipício
De confortos nefastos
Para seguir em frente
Enfim, uma boa nova.