quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Dois mil decibéis

Feliz dois mil
De Zezé
Motta
Polessa
Barbosa
E que a promessa
Possa
Ser a fresta
Em que entre
Olímpica a orquestra
Tocando sempre
Em nossos corações em festa
E que todos se lembrem
Das conversas
De amor, paz e perdão perenes
Caso contrário, nada interessa
Se é que me entendem
Felizes os dois mil decibéis.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ganhei um iate

Ganhei um iate
Da minha noiva
Como presente de natal
Além de beijos e abraços

Vou navegar nos sete mares
Faça sol ou chova
Afinal, é um pisante legal
E não possui cadarços.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A chama se chama arte


Falo agora quinze horas em vez de três da tarde

Há quem saboreie guloseimas

Fora da data de validade

Porque ainda teima

Em criar a doce felicidade

Apesar de indigestos problemas

E da amaríssima realidade

Do salgado mar agitado, a gente rema

A imaginação sempre cabe

Na cabeça, no coração e no cinema

A chama se chama arte

No drama, no quadro e no poema.
 
 

 
 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Da raiva à desconfiança

Minha raiva acaba
Em dez meses
A desconfiança, saiba,
Nem às vezes.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Quiçá fomente

Entrada somente
Para pessoas autorizadamente
Estranhas
Desperto
Ninguém é normal

Quiçá fomente
A minha mente
Mais óleo do que lama
Minério
Veneno capital






segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Programação eclética

Cada moqueca
No seu alho
Cada discoteca
No seu rádio
Programação eclética
Intuição e memória
Depois do que ouvi,
Morfeu, está na hora
Daquela conversa
Para boy dormir
Quem opera
Sempre cansa
Pastel de queijo
Caldo de cana
Feira do desejo
De uma feliz semana.





terça-feira, 13 de outubro de 2015

A harmonia do ar

Ao quebrar
A harmonia do ar
Com odor de bosta
A pessoa
Flatula exposta.




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A faca de cabo verde

Quando me pede
A faca de cabo verde
Penso que o talher é de
Lá do país africano
E lusófono.



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Só em pensar

Só em pensar
Em quando o homem chegou à luta
Pela primeira vez
Percebo quem é que lucra
Com os momentos de languidez

Não posso mais
Perder tempo com disputas
Sobre política, futebol e legião
Cada um com suas luvas
Para as suas mãos.








quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Quarta feita de tintas

Quarta feita de tintas
Guarda preguiça
De morosos dias
Mais amorosos
Não havia consciências
Nem remorsos
Isso não é um problema
Hoje porque eu folgo.



sábado, 29 de agosto de 2015

Sorte sortida

Ouvir Blue Moon
Através de Billie Holiday
Randomicamente
Num rol de seiscentos e cinquenta cinco
Justamente no dia da lua azul
Dá mais sentido à existência.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A ceia que é de menos

Reflexões solares 
Às pessoas de boa vontade
Filtro natural
A ceia que é de menos
Cujo tutorial
Pode ser adquirido a qualquer momento
Abrindo a janela lateral
Ou a porta do espelho.



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Corrazão

Eu ligo
Para você
Para ter
Uma ideia
Comigo
Uma estratégia
Da corrazão
Por intuição do acaso
E da ocasião
Do próximo passo.









quinta-feira, 30 de julho de 2015

Quase no ponto

Eu perco
Ônibus
Quase no ponto
De ônus

Sem desespero
Porque ganho
Vários outros
Num escambo estranho.


terça-feira, 28 de julho de 2015

Ao senhor síndico

Acabei de ficar confinado 
No elevador do meu condomínio
A câmera é cenográfica, 
Eu, claustrofóbico
E a mensalidade, cara
O interfone não tem instruções
De ligar para a portaria
Que não existe mais no meu bloco
Se fosse de madrugada
Eu morreria de pavor
Tentando acordar a vizinhança
À base do grito.

sábado, 18 de julho de 2015

O processo é lendo

Eu tenho quase a certeza
Da inexistência de boas noites
Antes da energia elétrica
Sempre leio os resultados
Do meu alerta diário
O processo é lendo 
Na região metropolitana
Do risco de janeiro a desenho
Ninguém sossega o fato.




terça-feira, 14 de julho de 2015

O instante extático

A pausa
Da calma
Glauca
Faz com que me sinta
Em casa
Por mais labiríntica
Que seja
Ela é a saída
Quando a paz verde me beija
O que não afeta o diretor
De imagem na transmissão de futebol
No quadro do cuspe viscoso do jogador
E diversos torcedores não estão
A par do que acontece ao redor
Porque se entorpecem com o espelho móvel do telão
E perdem o instante extático do gol.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Extras e vagas ânsias

Eu tenho e domino
Quase nunca
As minhas extras e vagas ânsias

O domingo
Vem antes da segunda
Para quem descansa

Até o ascetismo
Exibe as suas
Extravagâncias 

O destino
É em suma
O que ocorro desde criança. 








terça-feira, 23 de junho de 2015

Quantos há?

Quantos produtos há
para a indústria fabricar?

Quantos insultos há
para de angústia brincar?

Às vezes eu nem quero
uma resposta
como um produto
ou indulto

Quantos futuros há
para o tempo abrigar?

Quantos muros há
até o tento brilhar?

Quase sempre eu espero
de banho tomado aquela bem disposta
pergunta
ou angústia.




sexta-feira, 19 de junho de 2015

O fôlego do bocejo

No oceano
Temporal
Vou nadando
Estilo crawl

Até nas gotas de segundos
Fica logo profundo
Saber respirar
Ao separar o fôlego do bocejo

Tudo se leva no mar
Na saliva do beijo
Como se não valesse a pena amar
Mas outro jeito para viver eu não vejo.








quinta-feira, 18 de junho de 2015

A sirene e o sereno

Eu tento
Não criar desapontamentos
Diante do tempo
Dou ombros e abrigos
Ao meu amigo
Imaginário de longas datas
Para ficar sempre comigo
Sobretudo nessas horas
Natimortas que nos matam
De tão ociosas
Quanto nossas
Enquanto avança a madrugada
Com as janelas calmas
Pelo vazio volátil das calçadas
Chuto baldes, amêndoas e o vento
A dar o ar da graça do tempo
Entre a sirene e o sereno.


domingo, 7 de junho de 2015

Emissão de nuvens

Emissão de nuvens
De pensamento
Elas se confundem
Com as do firmamento

Algodões moram
Numa palavra sólida

Fábrica ao contrário
É onde o patrão
É o funcionário
Padrão

A fotografia no crachá
Não é a figura a se achar.





terça-feira, 2 de junho de 2015

Positividade na cabeça

O tempo não cessa
O sol recomeça
A cada nova manhã
Mesmo com o céu nublado

Positividade na cabeça
Para que as coisas aconteçam
Os gêmeos de Gêmeos da minha irmã
Já vão dar conta do recado

Quanto às jujubas vermelhas:
É bom deixar de comê-las
Para curtir uma maçã
E um churrasco no feriado.





sábado, 30 de maio de 2015

A quem sabe

Faço dos trapos
Decoração
Poemas baratos
Liquidação
Queda de apreços
Queima de enfoques
Até ficar tudo preto
Por quem colore
Na coluna do meio
A zebra vem a galope

Faço das trips
Conexão
Filosofia hippie
Geração
De energia
Eletricidade
Luz e magia
A quem sabe
Que não é ainda
Um aromático cadáver.









quinta-feira, 28 de maio de 2015

Há quem se atreva

Quando o cotidiano enerva
Todos os minutos do dia
Tento me munir de bom humor
Vivemos numa selva
Cada vez mais coagida
Num enjoativo longa de terror
Há quem se atreva
A dar sentido à vida
Através do amor.







sábado, 23 de maio de 2015

Estamos em câmbio

A canção permanece
A mesma
Os cabelos, peles,
Unhas, dentes e certezas
Variam
A cada epifania
Do dia
Estamos em câmbio
Com o tempo dançando
Ao som da música que continua um tanto quanto
Igual
Mas eu gosto dela, não faz mal.










sexta-feira, 22 de maio de 2015

Os céus me ouvem

Realmente não chove
Mais tanto amor
Tórrido e torrencial

Os céus me ouvem
O que sei de cor
Desde o primeiro luau

Por hoje
É sol
Pessoal.




terça-feira, 19 de maio de 2015

O coro do coração

Boa tarde, saudade:
Não sou tão ingrato
Para não saudá-la

Segue entre nuvens a nave
Saem os ritos e os ratos
Aliviando alguns grilos da alma

Os chutes na trave
Eram culpa do gramado
Treinei muito na sala

Já é noite quase
De onde eu sou nato
E pago pela fala

Ouço o coro
Do coração 
E corro
Para o meu logradouro.








sábado, 16 de maio de 2015

Piadas cósmicas

Astros pelados
São atropelados
Pelas lentes telescópicas
E a saliente olho nu

Nada como a cortina
Para abrir a rotina
Piadas cósmicas
E aquela política do fla X flu.





quarta-feira, 6 de maio de 2015

O tempo é um engenheiro explosivo

Horizontalizo o meu corpo o máximo possível
Líquidas são as horas
Porém, dependendo do dia,
Podem ser arenosas

Quando os minutos se misturam
Multas e muitas lamas se tornam onerosas
O tempo é um engenheiro explosivo 
Estão ouvindo o barulho das panelas, dos ódios e das obras?

Acordei relativamente cedo
Também por causa dos pássaros que se deslocam
A crise é monetária ou humanitária?
Há quem aposte que são adjetivos que se vendem, se compram e se trocam

Desperto, careço deixar o meu esqueleto
Na horizontal na cama generosa
Para não baixar a minha cabeça
Na caça de asas em cobras
Pelo andar peçonhento do planeta
Exceto o nada, pouca coisa sobra.






sexta-feira, 1 de maio de 2015

Em tempos freneticamente modificados

Visto o cheiro
De fritura
Do casaco maneiro
Produtos que se usam
Em tempos freneticamente modificados
Mentalizamos, sós, chuvas
Em solos áridos
Pelo menos, sei que meu humor muda
De afável para áspero
Quando não tem feijão na cumbuca
A despeito do deserto
Que tudo floresça na cuca.



terça-feira, 28 de abril de 2015

Alguém além

Entre a estrela
E a cruz
É preciso viver
E ter luz
Para evitar a cela
Antes de ceder
O maior bem
Por qualquer vintém
Pensando que vai ser
Alguém além
De um número
Respirando no túmulo.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Descobri que sou ator

Descobri que sou ator:
Atormentado
Como uma torre
Por voos mais altos
Enquanto o tempo corre
E mora na fantasia
Pra que rimar ator e dor?


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Lar particular

Avatar
De superstar
Ou bem-estar?

Entro para voltar
Ao meu altar:
Lar particular.


quarta-feira, 15 de abril de 2015

Eu me acho esquisito

Eu me acho esquisito
Quando ando
Num bando de tantos estranhos
Sem os fones
De ouvido

Eu me sinto entrando
Noutro mundo
Que esculpo e escuto muito
Com as fomes
Do espírito.






terça-feira, 14 de abril de 2015

Como se preenchem os meses

Tenha interesse
Justamente nas coisas
Que são exibidas às vezes
Na verdade, quase nunca,
Nos horários esnobes

Ou pergunte aos deuses
Inclusive às pessoas
Como se preenchem os meses
Com notícias malucas
Que só nos entorpecem e nos entopem.

Os destinos dos participantes
Do reality show
São mais importantes
Do que você é e do que eu sou.







sexta-feira, 10 de abril de 2015

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Plantão de mentiras

A edição corta
O que não for do agrado
Ela joga contra
O povo e o proletariado.

Não importam
A foto e o fato
A pauta está pronta
Desde mil novecentos e sessenta e quatro.






sexta-feira, 3 de abril de 2015

Um negócio capital

A situação carcerária
É assaz precária
Com mais gente
Preta e pobre entrando
E se especializando em delinquente
A partir dos dezesseis anos

As cadeias
Ficarão tão cheias,
Evidenciando a incapacidade estatal,
Que as panelas dos finos lares
Clamarão pela privatização dos cárceres:
É um negócio capital.



quinta-feira, 2 de abril de 2015

Temor telejornalístico

Fazem tantas gentilezas
Em manterem a família
Brasileira informada
Como um mero pavor:
Falam que eu discuto
De comerciais a letras
De música e de mímica
Inclusive sobre o nada
Que pode dizer também que o temor
Telejornalístico ludibria muito.






quarta-feira, 1 de abril de 2015

Mais colégio, menos prisão

Reduzir a maioridade penal
É um gesto infeliz
De enxugar gelo

Não significa cortar o mal
Pela raiz
Apenas se quebra o espelho

Fingimento de bem-estar
Ministrado por discursos medíocres
Enquanto milhares de futuros seguem sem zelo

Mais colégio
Menos prisão 
Ensino não é privilégio,
Mas obrigação.





terça-feira, 31 de março de 2015

A cidade em que habito

A cidade
Em que habito
Tem o toque
De escolher

Bem depois da tarde
Do ocaso bonito
A noite explode
Ela é o poder

Agressivamente suave
Quando transito
Entre o rock
Regressivo e o iê-iê-iê

Na realidade
Nada faz sentido
Não há mais quem enfoque
Além de mim no alvorecer.






segunda-feira, 30 de março de 2015

Cadê os cinemas das ruas das nossas existências sem o corporativismo?

Tiraram as blusas e as brumas
Deixando o cérebro desnudo
E nada pudico
Cadê os cinemas
Das ruas
Das nossas existências
Sem o corporativismo?

As pessoas obtusas e turvas
Alegam que tem havido um abuso
Inadmissível
Das cenas
Cruas
E obscenas
De nexo explícito.






sábado, 28 de março de 2015

Eu canto gritando

Eu canto
Gritando
Porque os males
Só se espantam
Na base
Do grilo.






segunda-feira, 23 de março de 2015

Como nascem a lua, o sol e os meus pensamentos

Sempre que caio
Eu me levanto
Assim vou levando
A vida que não calo
Pelos desapontamentos
Daqueles que não sou
Mesmo desconhecendo
O destino, eu, alucinadamente, vou
Como nascem a lua, o sol
E os meus pensamentos
Quando me deito contigo ou só
Contando os meus devaneios
E o pior
Ou o melhor
É que ninguém sabe qual veio
Primeiro.






quinta-feira, 19 de março de 2015

O quanto espuma de raiva

Na metade
Dos anos dez
Do sexo vinte um

As autoridades
Ainda enxergam através
Dos espelhos de teto dos bedrooms

Tomara que saibam
- Aliás, de novo -
O quanto espuma de raiva
O estuprado povo.






A aposta

Tem que acontecer
Arrisco-me a dizer
Que já está acontecendo
Neste segundo
Neste momento
Como o mundo
Há de rolar
Como a bola
Que vou chutar
Em boa hora
Pode ser o gol
Pode ser agora
Pra quem já jogou
Tanto é a aposta
Com mais amor
Do que lógica.




terça-feira, 17 de março de 2015

Uma fagulha

O meu recipiente
Está com a boca cheia
De opiniões alheias
Já sou inquieto o bastante

A minha vida é paciente
Como a natureza
Uma fagulha que me hasteia
Na hora mais fatigante

A minha idade se troca sempre
No meu aniversário
E não me sinto retardatário
O tempo me toca adiante

Além de mim mesmo, estou ciente
De que não há nenhum adversário
Não sou de correr, mas nunca paro
Pra não chegar depois nem antes.



segunda-feira, 16 de março de 2015

Observatório da atualidade

A ciência é o novo mito
A notícia é o novo medo
A cidade é o novo mato
A gentileza é o novo modo
Mas continua muda em muitos
Muros e mundos.





sexta-feira, 13 de março de 2015

Quem não conhece a história vai na cola da histeria

Quem não conhece a história
Vai na cola da histeria
E atavicamente acredita,
Sob a bênção da marcha da família
Com Deus pela liberdade, que o golpe
É a revolução a galope

A ignorância pode
(Com a segurança menos coletiva
Do que seletiva da polícia)
Pedir xícaras de açúcar e bondade à malícia:
Isso dá mais ibope
Do que a novela das nove

Quem reconhece o que e quem move
Todos os pretensos
Revoltados fantoches
On-line e desconectados dos fatos por esporte
Anda ao lado do bom senso,
O melhor extintor de incêndio.











terça-feira, 10 de março de 2015

O descobrimento do esconderijo das panelas nas cozinhas dos diferenciados apartamentos

Faz um bom tempo
Que acabou outubro
Seu mimado aborrecimento
Não merece um terceiro turno
Seu asséptico engajamento
É um teleguiado discurso
Papagaiado pronunciamento
Desprovido de conteúdo.

Neste domingo houve o descobrimento
Do esconderijo das panelas
Nas cozinhas dos diferenciados apartamentos
Enquanto as periferias, as favelas
E os subúrbios seguem vendo
O ódio das classes alta e média
Pela invasão em aeroportos, cruzeiros
E universidades dos bem-vindos penetras.











segunda-feira, 9 de março de 2015

Aja, paciência

Aja, paciência
O tempo é reativo
A qualquer urgência
A cada novo motivo

Só acha a consciência
Sobre o que não faz sentido
Nem bate continência
No quartel, no quarto e no labirinto

Haja ausência
Para tanto desperdício
Todavia a vida compensa:
Nenhum dia é improdutivo.










sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Um bom brio

Um bom brio
Tipo peruca
Na antena
Para a captura
De sinais concatena
Um canal sadio e sutil
Sentindo o cinema
Como a expressão mais pura
Da vida entre vulgaridades e poemas
O dia seguinte é um filme que nunca se viu.








quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A biografia não é cauterizada

Entre o livro
De bagaceira
E o meu autor preterido
A biografia não é cauterizada

A esmo eu vivo
Mesmo na ribanceira
Do meu sucateado coletivo
Não se acaba a estrada.






terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Aquele trem

Os cinquenta anos em cinco
Da gestão de Juscelino
Agora estão sendo compensados
Com a inércia do setor rodoviário:
Que falta faz aquele trem
Do Oiapoque a fluir, via Belém. 





segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Do pseudomatemático comércio

Eu me projeto
E me protejo
Do pseudomatemático comércio
Com os meus versos
Reconheço que nem meço
O que conservo e converso
Nas bocas miúdas e moídas
Todavia é mais profundo do que uma propaganda
De margarina magnanimamente orgânica

Quero beber um negócio
Com baixo teor de ódio
Assim não arroto
Simpatia nos simpósios
Eu sei que posso
Antes de virar cinzas ou ossos
No berço sem saudade ou saída
Ser além de um candidato
A escravo de uma lógica de mercado.



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O impecável arranjo dos dentes

Sempre fico com um pé atrás
Com quem faz
A mesmíssima cara
Para as fotos
A quem me acha
Simplista e paranoico:
Caem as máscaras,
Os protocolos,
Os queixos, as casas
E os anjos diariamente
Exceto este sintoma
De quem se adorna
Com o impecável arranjo dos dentes
Que roem a corda
Não há sorriso perfeito que sustente
Um completo idiota.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Ouvindo The Animals no meio da roça

Ouvindo The Animals
No meio da roça
Não há quem possa
Olvidar os animais
Como vocês e eu
Estou onde a sinuca
Significa diversão
O beijo do sim na nuca
Nunca será não
E ela deu.






quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Memórias do mergulho

É imperativo ficar louco
Senão piro no risco
De me supor outro
No lado arranhado do disco
Alheamento não é calma

As ondas, as conchas e as areias nos bolsos
Memórias do mergulho
Com uma bermuda que não era para o uso
E as camadas de sal e sol cruzam o osso
Roçando na alma.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Vamos abrir os olhos

Escassez hídrica
Talvez seja mais cinismo
Do que eufemismo
A fim de mascarar a notícia

A massa não é tão acrítica
Quanto antigamente
Quem é que sempre mente
Investindo nas fantasias?

Vamos abrir os olhos:
Nos jornais de escusos negócios
O que acontece é ilusório
E a mentira vira fato

Para não ficarmos logo
Totalmente soterrados nos destroços:
A água vale mais que o petróleo
E a sede veio antes do carro.









quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O paraíso lento

Entre fagulhas
E vaga-lumes
Depois de uma chuva
De decuplicar o volume
Do rio
Dos raios
E dos risos
Eu reparei e ainda reparo
O paraíso lento
Sob a luz descoberta na mata
Densamente atlântica de São Bento:
Os bons tempos voltaram. 



terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Não é nenhum problema

Quando eu era um menino
No cronológico sentido
Tudo era uma festa
Agora quase nada se recupera

Quiçá eu fique chorando
Os deslizes das dores
E os bolores dos anos
Pros comerciais de dedetizadores
Mas, por favor, sem pena:
Não é nenhum problema.

Quando eu sou um adulto
No significado oculto
As propagandas não são mais
Subliminares e casuais.









segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Aproveitamentos

Aproveitemos
O dia, a página, o fotograma, o momento:
Será que ainda faremos ou já fizemos
Exatamente isso?

Ou é o tempo,
Pleno de incontáveis acontecimentos,
Que tem tal aproveitamento
De nós, bonecos submissos?


Não sou perito

Não sou perito
Em dar laços
Nem em amarrar pulseiras
Escorregadias

Mas eu admito
Que, por meio de abraços,
É a minha melhor maneira
De me atar todos os dias.





quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

No intuito e na intuição

No intuito e na intuição de me ver
Por dentro
Eu não careço
Nem quero carecer
De microscópio
Não sou tão óbvio

Entre o gosto da vitória
E o de vencimento
Não há convencimento
Pela oratória para a melhor escolha
O saber também é doce quando foge
E o picante saboreia os dias de hoje.





domingo, 11 de janeiro de 2015

Mais ciente do que cliente

Dia após dia
Tento me tornar
Mais ciente
Do que cliente 
Sei que grita muito a imprensa
Mas se cada um de nós
Não ouvir a voz
Da própria consciência 
A grande mídia
Vai sempre guiar
Corações, mentes
E contas correntes 
Fazer humor
Não é humilhar
Quem é inferior
Sob qualquer olhar 
Nada justifica os assassinatos
De sete de janeiro de dois mil e quinze
Mas este fato tão noticiado aos teleguiados
Acontece em maior proporção e em menor exibição todos os dias em vários países.






quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Depressão digital

Acidente ferroviário
Jornalismo ágil
Cosmético carnaval
Isolamento compartilhado
Depressão digital
Estupidez curtida por todos os lados
Repercussão antimusical
Fome planetária
Política religião
Programas competitivos de culinária
Atentado à liberdade de expressão
Lobotomia midiática
Sangue ostentação.