Eu não escrevo
Só por passatempo
A moça da mesa perto
De mim redige correndo
Com ou sem cerveja, versejo
Como um alento
À solidão pétrea
De outras eras.
Eu também gosto de ler
Quando estou só
E nas vezes que quero ser
Jogador de futebol
Talvez não me faça entender
Tampouco o sol
Que teima em esconder
O verdadeiro farol.
Compilação randomicamente ordenada dos versos meus ou de Tchellonious ou de Tchello Melo ou de Marciano Macieira ou de algum lugar.
sábado, 19 de janeiro de 2008
Eu não me deixo
Estou com os pés
Apontados à porta
Caso não tenha vez
Para as chaves tortas
Estou com a voz quase
Nula de tanto gritar
A inata frase
Que se mata no ar
Eu uso a caneta
No lugar do cigarro
E a minha veneta
Contra qualquer pitaco
Na boa mesmo
Estou bem assim
Eu não me deixo
Nem por mim.
Apontados à porta
Caso não tenha vez
Para as chaves tortas
Estou com a voz quase
Nula de tanto gritar
A inata frase
Que se mata no ar
Eu uso a caneta
No lugar do cigarro
E a minha veneta
Contra qualquer pitaco
Na boa mesmo
Estou bem assim
Eu não me deixo
Nem por mim.
Alternativa
Através de palavras
Não consigo dizer
O que quero que saiba
Não é mesmo pra perceber
Nem que seja na marra
Ou de modo cortês
Cada um vive
Como bem entende
Na loucura, feliz e livre
A vida se faz na lente
E a alternativa num clique
Revela-se pertinente.
Não consigo dizer
O que quero que saiba
Não é mesmo pra perceber
Nem que seja na marra
Ou de modo cortês
Cada um vive
Como bem entende
Na loucura, feliz e livre
A vida se faz na lente
E a alternativa num clique
Revela-se pertinente.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Pombos, pipocas e carnaval
Pombos não voam quando
Há pipocas, ainda que poucas,
No chão esquentando
Na cidade carioca
Mal começa o ano
E não ouço outra prosa
Em todos os cantos
Em todas as rodas
É carnaval enquanto
A vida dá escolhas
E eu nem opto tanto
Depois tudo se acorda.
Há pipocas, ainda que poucas,
No chão esquentando
Na cidade carioca
Mal começa o ano
E não ouço outra prosa
Em todos os cantos
Em todas as rodas
É carnaval enquanto
A vida dá escolhas
E eu nem opto tanto
Depois tudo se acorda.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Tenho que arrancar
Tenho que arrancar de casa
Os sacos plásticos cheios
De cinzas, de cacos, de mágoa
E os e-mails da caixa de correio
Tenho que arrancar de mim
As fezes, os medos, os suicídios
A poeira, o gesso, o motim
E esta pessoa da tabela de indivíduos.
Os sacos plásticos cheios
De cinzas, de cacos, de mágoa
E os e-mails da caixa de correio
Tenho que arrancar de mim
As fezes, os medos, os suicídios
A poeira, o gesso, o motim
E esta pessoa da tabela de indivíduos.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Não mais
Não mais peço
Apenas agradeço
A cada manhã
Que acordo
Não mais desço
Já sei o preço
Amargo da maçã
Que mordo
Não mais meço
O que perco
E as posses vãs
Que engodo
Não mais esqueço
O meu endereço
De nunca pra amanhã
Eu transbordo.
Apenas agradeço
A cada manhã
Que acordo
Não mais desço
Já sei o preço
Amargo da maçã
Que mordo
Não mais meço
O que perco
E as posses vãs
Que engodo
Não mais esqueço
O meu endereço
De nunca pra amanhã
Eu transbordo.
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Sou uma pessoa
Tirei o dedo da tomada
Rasguei o medo e a camisa
Sou uma pessoa aguerrida
E a decisão está tomada
Larguei a bola de ferro
Recebi alta do hospital
Sou uma pessoa capital
Se não for, eu me ferro.
Rasguei o medo e a camisa
Sou uma pessoa aguerrida
E a decisão está tomada
Larguei a bola de ferro
Recebi alta do hospital
Sou uma pessoa capital
Se não for, eu me ferro.
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