Mais do que saudade
Nutro uma curiosidade
Sobre o meu passado
Quando a responsabilidade
Era apenas ser aprovado
Para aproveitar as férias
De três meses, ou seja, eternas
Para quem a vida era uma festa
Agora sou movido pela ansiedade
E pela insatisfação
Penso que são coisas da idade
Ou da minha revolução
Que não precisa ser da sociedade
Nem da televisão
Mais do que nostalgia
Tenho ânsia da alegria
Da minha infância
Jogando bola descalço
Na quadra da vizinhança
E nas ruas do bairro proletário
O futebol só se interrompia
Quando passava algum carro
Fato raro, friso, salvo
Os churrascos feitos pelo meu pai
Regados a caipirinha e Mineirinho
Que meu avô tinha em engradados
E os papos na calçada com os vizinhos
Quando o sol ficava alaranjado?
As lágrimas são tão polidas
Que fazem abrigo das palavras
Pra não afogarem a poesia
Que nada, que nada, que nada...
Compilação randomicamente ordenada dos versos meus ou de Tchellonious ou de Tchello Melo ou de Marciano Macieira ou de algum lugar.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Uma paz
A poeira do asfalto
E a buzina dos carros
Não são mais visitas indesejadas
Na minha nova casa
No final da Doutor Sardinha
Apesar do policiamento
Dos olhos das vidraças
Estou curtindo o apartamento
E as cervejas baratas
Das biroscas vizinhas
No Alto Santa Rosa
Cercado de arquiteturas
Antigas e de agora
Observo porcos na rua
E uma paz que há tempos não tinha.
E a buzina dos carros
Não são mais visitas indesejadas
Na minha nova casa
No final da Doutor Sardinha
Apesar do policiamento
Dos olhos das vidraças
Estou curtindo o apartamento
E as cervejas baratas
Das biroscas vizinhas
No Alto Santa Rosa
Cercado de arquiteturas
Antigas e de agora
Observo porcos na rua
E uma paz que há tempos não tinha.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Depois de um gesto de amor
Quando o conhecimento
Adquirido em enciclopédias
For útil pro orçamento
Ficarei mais calmo na selva de pedra?
A torneira é homeopática
Tanto quanto a chuva
É-me uma tarefa ingrata
Tirar o gelo sem virar o recipiente pra pia suja
O ar condicionado volta
A funcionar por vontade própria
Depois de um gesto de amor
E eu manuscrevo de cócoras
Fazendo de mesa onde deixo o cocô
Porque eu respiro agora.
Adquirido em enciclopédias
For útil pro orçamento
Ficarei mais calmo na selva de pedra?
A torneira é homeopática
Tanto quanto a chuva
É-me uma tarefa ingrata
Tirar o gelo sem virar o recipiente pra pia suja
O ar condicionado volta
A funcionar por vontade própria
Depois de um gesto de amor
E eu manuscrevo de cócoras
Fazendo de mesa onde deixo o cocô
Porque eu respiro agora.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Como como
A realidade é crua
E eu gosto dela bem passada
Aos dentes do presente que tritura
O futuro vindo aparentemente do nada
Em qualquer horário
Contanto que esteja em ponto
Inclusive o próprio atraso
Que não hesita em contar como como
As cordas no pescoço
As algemas nos pulsos
As cédulas no bolso
E os perigos do impulso
Não me negarão uma realidade com recheio
De sonhos que não sejam os da confeitaria
Mas feitos com aquele tempero
Preparado pelo tempo em fatias de dias.
E eu gosto dela bem passada
Aos dentes do presente que tritura
O futuro vindo aparentemente do nada
Em qualquer horário
Contanto que esteja em ponto
Inclusive o próprio atraso
Que não hesita em contar como como
As cordas no pescoço
As algemas nos pulsos
As cédulas no bolso
E os perigos do impulso
Não me negarão uma realidade com recheio
De sonhos que não sejam os da confeitaria
Mas feitos com aquele tempero
Preparado pelo tempo em fatias de dias.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Sociabilidades
Não sou eunuco
Embora não possua mais saco
Para sociabilidades cujos
Sorrisos programados
Não escondem os dentes sujos
De vinho tinto e barato
De miolos do pão
E do cérebro cenográfico
Além das pedras
Rolam os ossos
E várias merdas
Longe dos olhos
Vidrados nas moedas
Tenho medo dos bons modos
E dos apertos de mãos
Fracos, frios e frouxos.
Embora não possua mais saco
Para sociabilidades cujos
Sorrisos programados
Não escondem os dentes sujos
De vinho tinto e barato
De miolos do pão
E do cérebro cenográfico
Além das pedras
Rolam os ossos
E várias merdas
Longe dos olhos
Vidrados nas moedas
Tenho medo dos bons modos
E dos apertos de mãos
Fracos, frios e frouxos.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Chega
Pra mim chega
Uma ideia
Que ninguém tem ideia
De como vem ela
Chega pra mim
Um insight nada light
É tão pesado o danado
Que só acalmo em versos
Eu moro numa rua
Que tem estrada
No nome do vereador
Ver é a dor.
Uma ideia
Que ninguém tem ideia
De como vem ela
Chega pra mim
Um insight nada light
É tão pesado o danado
Que só acalmo em versos
Eu moro numa rua
Que tem estrada
No nome do vereador
Ver é a dor.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
A vida
A vida não é só
Trabalho
Horário
Prazo
E outros assuntos
Que no fundo são rasos
A vida é cada sol
Que se iça
E se põe
Aliás, é mais do que isso:
É aço, osso e essa fome
De urso, fácil e difícil
A vida pode ser melhor
Do que se reflete
Através do espelho
Da televisão e da internet
E do próprio cerebelo
A vida segue, convida e consegue.
Trabalho
Horário
Prazo
E outros assuntos
Que no fundo são rasos
A vida é cada sol
Que se iça
E se põe
Aliás, é mais do que isso:
É aço, osso e essa fome
De urso, fácil e difícil
A vida pode ser melhor
Do que se reflete
Através do espelho
Da televisão e da internet
E do próprio cerebelo
A vida segue, convida e consegue.
Assinar:
Comentários (Atom)