quarta-feira, 13 de março de 2013

Pelos canos do Vaticano


Na dança das cadeiras
Sob o volátil canto
Entre regalias e cadeias
Pelos canos do Vaticano
Sai um do exército
Da juventude hitlerista
E entra um adepto
Da ditadura argentina
E continua o funesto
Passado no papado
Bem afastado daquele papo.

terça-feira, 12 de março de 2013

Presente em tudo


Entre a ansiedade
Do sonolento futuro
E a saudade
Do passado profundo
Nunca é tarde
Para ficar presente em tudo
O que aufere eternidade
Antes que termine num minuto.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Plantas e pedras


As plantas são mais atentas
Do que essas antas que nunca tentam
Por medo

As pedras são mais transigentes
Do que merdas em forma de gente
Por arremedo

Já quis virar planta
E semeei pedras
Na minha terra
Ser humano me espanta.

sexta-feira, 8 de março de 2013

No fim das contas


Por mais que a aparência
Ditada por quem se pensa
Com suas fórmulas prontas
Deixe o corpo perfeito
No fim das contas
Todos viram esqueletos
A sete palmos da terra
Exceto os embalsamados
Os mumificados
E os poetas.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Um conserto desafinado


A cidade se tornou um canteiro de obras
Um conserto desafinado
Não pode mais ser um ninho de cobras
Destilando venenos açucarados
- Alguns aplaudem como focas -

O menino doce e sadio me saúda
Com saudades da infância
Agora parece uma pessoa muda
Ouvindo ecos de lembranças
- A alma carece ficar desnuda -

Niterói está um enorme estacionamento
Virou um imóvel transporte
Os imóveis daqui geram incremento 
Só para os alheios cofres
- E nós temos que lamber os beiços com os excrementos - 




segunda-feira, 4 de março de 2013

Para fora de casa


Barbeadores cegos
Benjamins nada elétricos
Pilhas quase derretidas
Comidas transvencidas

Jornais meramente datados
Assim como os calendários
Revistas banais de ontem:
Iguais às de hoje, nada de novo no front

Catálogos telefônicos
Agendas de um tempo que descarta o eletrônico
Manuscritos, negativos e fitas cassetes
Aparelhos e outros tatos antes da internet

Jogar para fora de casa
As energias paradas
É a parada




sexta-feira, 1 de março de 2013

Ainda às cegas


O que se quer?
E o que se faz
Torna singular
Um dia qualquer

O que se almeja?
E o que se amua
Mune e muda
Virando a mesa

O que se mira?
E o que se acerta
Ainda às cegas
Muito me admira.