quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Gisa

 Foi na casa da avó dela

Em Santa Rosa

Que comecei a animar festas

Com a minha seleção sonora

Num remoto oitenta e nove

Trilha da novela Top Model


Quando eu tomei bomba

No primeiro vestibular

Para Comunicação Social

Ela me deu a dica e a carona

Ao IACS, mítico lugar

Onde nos graduamos em Produção Cultural


Do milênio passado, do Marília,

Via Salê, à Universidade Federal Fluminense

A bordo da Esquadrilha

Minha amada amiga da primeira série

Desde mil novecentos e oitenta e seis para sempre

É Gisa, Gi, Canjica, Gisella Chinelli!

domingo, 27 de setembro de 2020

O futum do futuro

 O futum do futuro

Já está presente

No ar poluto

Realidade nonsense

Eis o fruto da semente

Lançada pelo progresso

Embora se queime

Até quem tem acesso

No interior das nuvens

Ao redor do furdunço

A despeito do perfume

Do velho discurso

Permanece fétido

E cada vez mais perto 

Do fim deste mundo

Pintado e cadavérico.


sábado, 26 de setembro de 2020

Bião

 Fabiano Ribeiro 

Froes da Cruz

É meu amigo, parceiro

Cheio de graça e luz

Rubro-negro

Muitos Fla X Flus

Já torcemos contra e juntos

E também com a peça compus

Raps sobre qualquer assunto

Aprendi com o colega de classe

Em mil novecentos e noventa e quatro

A comer a carne

Misturada com arroz e feijão

Fomos repórteres cinematográficos

No Haras São Sebastião

Gaiato e desenhista

Ele já me salvou uma porção

De vezes, inclusive a vida

Quando eu não via mais solução

Na praia de Piratininga

Ou no apê do Ingá

Pai de Ozzy, tio de Mathias

Não consigo chamar

O libriano de Fabiano, só de Bião.


domingo, 13 de setembro de 2020

Quem sou eu na fila do pão?

Quem sou eu

Na fila do pão?

Teatro, museu

Cinema, televisão

Para onde vou

Com minha carcaça?

Morro, praia, show

Casa, bar, praça

Quem eu sou?

Na escuta, à espera

Da consulta ou

Da live da guerra

Eu vou aonde

Com meu coração?

Poema e sobrenome

Qual é a cotação?

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Sob telhados de vidro

 Somos parecidos

Sob telhados de vidro

Para o brilho solar

Eliminar a obscuridade

Embora a claridade

Possa virar pedra

- Faz parte da vereda -


Somos semelhantes

Como vogais e consoantes

Que precisam se acoplar

A fim de que se apalavrem

Em sentido e identidade

Mais do que só uma letra

Faces da mesma moeda.

sábado, 15 de agosto de 2020

Não dá mais

 Não dá mais

Para voltar

A ponte arde

Balança e cai

Olhar para trás

Só não é tarde

Para quem traz

Espelho e saudade

Não podemos mais

Continuar iguais

Ao que éramos

O jeito é irmos em frente

O eterno altera sempre

Que erramos.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Carne exposta





 

Carne exposta

No açougue

É a resposta

Da longa noite

Rasgando o dia

Que as sombras sobrem

Para o sol do meio-dia

Agora só pode ser hoje.