Surto de casos
Furto de cabos
Carnaval e trem
Cancelados
É o inferno
Ou é a versão
Deste verão
Vigarista
Eu me declaro
Quando me calo
Quando convém
Eu abstraio
É afeto
Ou é aversão
Uma questão
De lovística.
Compilação randomicamente ordenada dos versos meus ou de Tchellonious ou de Tchello Melo ou de Marciano Macieira ou de algum lugar.
Surto de casos
Furto de cabos
Carnaval e trem
Cancelados
É o inferno
Ou é a versão
Deste verão
Vigarista
Eu me declaro
Quando me calo
Quando convém
Eu abstraio
É afeto
Ou é aversão
Uma questão
De lovística.
Você não mora
Na minha cabeça
Embora
Meu pensamento esteja
Em você
Emborca
Minha embarcação
Muita onda
Pensar no que se sonda
Eis a estação.
Quem ficou tão à vontade
Ficou só na vontade
Sempre volta a tempestade
Do nada ou mais tarde
Um novo tempo
No novelo do vento
E tal desenvolvimento
Não vai acabar em dezembro
Não me preocupo com o fim da viagem
Preciso ver a paisagem
Não me culpo com o fim do passeio
Prefiro ser eu mesmo.
Necessária centelha
Para sair do escuro
E seguir o que escuto
Não vem pela orelha
Pode ser um rumo
Qualquer rima ou futuro
Mas se a luz me espelha
Quem sou eu sem tê-la?
Na fila do pão duro
Na fala das estrelas
Nas entrelinhas do discurso
No disco girando mudo
No mundo em labaredas
Quem sou eu, centelha?
Caí da cadeira
Prendi o dedo
Vi estrelas
Suei degelos
Perdi a cor
Pedi gelo
Pra aliviar a dor
E o medo
Com a pressão baixa
Comi queijo
Mais um trauma
Que não passa cedo
Cadeira de praia
Não é brinquedo
Mordeu uma lasca
Do anelar direito.
Azuis e pretas
As borboletas
Rodeiam
Passeiam
E deixam minha cabeça
Altamente submersa
A queda massageia
E voo com elas
Belas letras
No ar aquarelas
Também das amarelas
Nada se estreita
Perto das borboletas
Telas da natureza.
É uma pena
E uma vergonha
Este cinema
Que não funciona
É um problema
É uma onda
Que bate e queima
O filme e a persona
Um esquema
Uma conta
É o sistema
Que nos detona
É um poema
É uma afronta
É uma cena
De quem sonha.