A placa
No chão
Prenunciava
A minha saída
Quem não me conteve
Foi quem me contou
É quem escreve
Sobre o que sou
Se algum conselho
Servir de consolo
Procura-se espelho
Para se ver no olho
A palma
Da mão
Predizia
As minhas palavras.
Compilação randomicamente ordenada dos versos meus ou de Tchellonious ou de Tchello Melo ou de Marciano Macieira ou de algum lugar.
A placa
No chão
Prenunciava
A minha saída
Quem não me conteve
Foi quem me contou
É quem escreve
Sobre o que sou
Se algum conselho
Servir de consolo
Procura-se espelho
Para se ver no olho
A palma
Da mão
Predizia
As minhas palavras.
As minhas mãos
Despejam todas
As coisas, boas e más
Os dados destoam
Da música da dúvida
Os meus pés
Pisam nas folhas
Amarelas dos ipês
Que a chuva molha
E eu sinto culpa.
É melhor estar do que estiar
Do que este ar
Perfumado
Vou me tatuar
Pra não me esquecer
Do desenho
Vou me tatear
Quando não puder
Ver o tempo
Vou só atuar
Pra deixar de ser
Vero tento
Vou me atar
Ao que me acontecer
Ver atento
Vou me hastear
Bandeira total, pode crer
Ver a tempo
É melhor nadar do que nada
Do que se danar
Perfurado.
Surto de casos
Furto de cabos
Carnaval e trem
Cancelados
É o inferno
Ou é a versão
Deste verão
Vigarista
Eu me declaro
Quando me calo
Quando convém
Eu abstraio
É afeto
Ou é aversão
Uma questão
De lovística.
Você não mora
Na minha cabeça
Embora
Meu pensamento esteja
Em você
Emborca
Minha embarcação
Muita onda
Pensar no que se sonda
Eis a estação.
Quem ficou tão à vontade
Ficou só na vontade
Sempre volta a tempestade
Do nada ou mais tarde
Um novo tempo
No novelo do vento
E tal desenvolvimento
Não vai acabar em dezembro
Não me preocupo com o fim da viagem
Preciso ver a paisagem
Não me culpo com o fim do passeio
Prefiro ser eu mesmo.
Necessária centelha
Para sair do escuro
E seguir o que escuto
Não vem pela orelha
Pode ser um rumo
Qualquer rima ou futuro
Mas se a luz me espelha
Quem sou eu sem tê-la?
Na fila do pão duro
Na fala das estrelas
Nas entrelinhas do discurso
No disco girando mudo
No mundo em labaredas
Quem sou eu, centelha?