quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

As Pirâmides de Gizé

 

O novo não se guarda

Apenas no dia posterior

Cada um aguarda até de madrugada 

A sua dose diária de amor


Para viver hoje

O novo não mora só 

Na aurora mesmo sem a luz do sol

O novo veio pois já se trouxe


Pelo anseio doce

Aparentemente pusilânime

Na firmeza silente da fé

Tudo se move na sua hora


Embora pareça tarde

As Pirâmides de Gizé

São o marco zero da humanidade

Que virou um sério banzé


Cara, você não quer mais pertencer:

Quer fazer sentido

Camarada, ser você agora é 

O seu caminho


Mesmo que frustre mofadas expectativas

Não precisa mais polir o lustre

Tem que confiar na intuição amiga

Não é um tempo de agradar o clube


Mas de ajustar a sua trajetória

Ou você se posiciona na zona da nuvem 

Ou lhe empurram para fora 

Da região da alucinação


Sem rigidez na estrutura

Disciplina sem autoanulação

Responsabilidade sem culpa

Você não quer mais caber na foto


Perante o desejo do êxito 

Não vai aparecer o novo

Somente quando abrir os olhos

Com zelo onde estiver


A peça nos seus trâmites 

Embora soe um papel ilusório 

Consoante a constelação de Órion

As Pirâmides de Gizé


Marco zero da humanidade

Na construção, trabalhadores livres

Eis o único milagre 

Do mundo ancião que sobrevive


As quatro faces laterais,

Da Grande Pirâmide de Gizé 

Estão conforme os pontos cardeais

Conectando Rá, o deus do sol, aos faraós


Blocos de até dez toneladas 

Deslocados por trenós

Sobre areia molhada 

Para facilitar o deslizamento


Usando artesãos, polés 

E engenheiros no erguimento

Das Pirâmides de Gizé

Velha Maravilha ainda de pé


O novo não irrompe

Apenas no dia seguinte 

Que logo será ontem

A dose diária de requinte.

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