Preso entre as três dimensões flácidas
Na geometria rasa da filosofia superficial,
Mergulho — sem máscara —
Nas profundezas da ignorância
Na fronteira, sou o próximo fiscal
Luzes vermelhas
De viaturas e ambulâncias
Costuram a noite aparentemente perene
E iluminam de sirene
Tudo além da minha varanda
Dali intuo: em breve,
O pensamento esverdeja
Brotam musgos na memória,
Folhas no que passou pela cabeça,
Raízes no que ardeu na pele
Talvez um dia, do nada,
Para a surpresa que se demora,
A dor encadernada
Vire best-seller ou um filme
Convite não é algo que se intime
Negar o eclipse
É fechar a porta entreaberta
É preferir as coisas difíceis
Às mãos dadas da manhã em festa
Que, discreta, já aconteceu
As catedrais eternas,
- são apenas torres no céu -
Casernas e cavernas
Desmancham-se podres no ar:
Papel, papelão, isopor
Cenografia peculiar
E eu, que me declaro poeta,
Sei: o corpo é instituição e intelecto
O sentido só faz sentido no amor
Com a alma na coordenação do gesto
Não entrei no elevador
Desci as escadas,
Entendi num sonho o trajeto
Pronto para onde for
Levo comigo a casa
Dobrada no peito
Nos ombros ou na fachada
Estará aqui ao meu lado
No elevador eu não entrei
Permeavelmente confinado
Entre o X, o Ípsilon e o Zê,
Meu nome — meu chassi —
Estrutura do invisível
Sólido no que sinto,
Esvanecente no que sou e serei
Levo a casa comigo
Entre a dimensão tripla
E o que ainda não sei
Faço da tribo coração
Um convite não se intima.
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