quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Entre o X, o Ípsilon e o Zê

 

Preso entre as três dimensões flácidas 

Na geometria rasa da filosofia superficial,

Mergulho — sem máscara —

Nas profundezas da ignorância

Na fronteira, sou o próximo fiscal


Luzes vermelhas

De viaturas e ambulâncias

Costuram a noite aparentemente perene

E iluminam de sirene

Tudo além da minha varanda


Dali intuo: em breve,

O pensamento esverdeja 

Brotam musgos na memória,

Folhas no que passou pela cabeça,

Raízes no que ardeu na pele


Talvez um dia, do nada,

Para a surpresa que se demora,

A dor encadernada

Vire best-seller ou um filme

Convite não é algo que se intime


Negar o eclipse

É fechar a porta entreaberta 

É preferir as coisas difíceis 

Às mãos dadas da manhã em festa

Que, discreta, já aconteceu


As catedrais eternas,

- são apenas torres no céu -

Casernas e cavernas

Desmancham-se podres no ar:

Papel, papelão, isopor


Cenografia peculiar

E eu, que me declaro poeta,

Sei: o corpo é instituição e intelecto 

O sentido só faz sentido no amor

Com a alma na coordenação do gesto


Não entrei no elevador

Desci as escadas,

Entendi num sonho o trajeto 

Pronto para onde for

Levo comigo a casa


Dobrada no peito

Nos ombros ou na fachada

Estará aqui ao meu lado

No elevador eu não entrei 

Permeavelmente confinado


Entre o X, o Ípsilon e o Zê,

Meu nome — meu chassi —

Estrutura do invisível 

Sólido no que sinto,

Esvanecente no que sou e serei


Levo a casa comigo

Entre a dimensão tripla

E o que ainda não sei

Faço da tribo coração 

Um convite não se intima.










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