terça-feira, 8 de novembro de 2022

A respeito do efeito do caos

 



Abrindo uns parentes

Fechando ásperas

Cabem umas vítimas

Desafio

Deus a fio

Joguetes

Foguetes

Na hora de colocar

Um ponto, afinal

Aonde vai

O pêndulo

Quando se distrai

O pensamento?

O tempo passa voando 

E não é mais quando 

Sabia de cor

A canção seguinte

Do disco favorito

Ou um pedaço de poesia pura

Para a prova de Literatura 

De fato admito

Que o entretenimento

É uma boa proteção

Uma das melhores marquises 

Contra as tempestades morais

Amparado pelo rock do Barão

Vermelho como os versos violentos 

De Vinícius de Moraes

Eu sigo sobrevivendo

No padrão, na contramão

Atores e atrizes

Nas coxias ou no proscênio 

Vamos nas diretrizes

De anos mais felizes

E sensacionais 

Com menos crises

Existenciais 

A hora da emissão

Da nota fiscal

Ou do próprio poema

A respeito do efeito do caos

Nas pessoas que pensam

A despeito e pelo coração

É uma convenção

É uma polêmica.


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Uma cilada nada singela

 



Na disputa da grana

Na luta com granada

Na labuta tacanha

Na fruta abocanhada


Faroeste de má categoria 

Em frente da casa

Bendita falta de pontaria 

Mas não se farta a máfia


É larga a família 

E armada a pátria 

Quem disse um dia

Que isso prestaria


Agora gargalha

E joga balas e balelas

À plateia alucinada

Por uma bíblia paralela


Uma cruzada

Uma cilada nada singela

Uma milícia 

Há tempos anunciada.





segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Os ossos dos fantasmas

 


No forno da cerâmica

No jogo de ser o ânimo

No piscar da lâmpada

No raspar da lâmina


Na mística quântica

Na faísca epifânica

Rasgam-se os panos

No inverno da chama


Atravesso a alma

Arrefeço o drama

Agradeço pela calma

Depois da tempestade


Salto do trauma

Saio da jaula

Ensaio a aula

Em prol da aprendizagem


Retiro os ossos dos fantasmas

Dentro do fosso do armário

Enquanto poucos se pasmam

Com o nosso noticiário


Não sei como desce a palavra

Mas me apetece o itinerário

Vindo maturada ou do nada

Na altura do vocabulário.












segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Quem me repara?

 



Será que para

E me olha?

Paranóia

Quem me repara?

Quem me conserta?

Será que agora

Alguém me acerta

E me leva à glória?

Perambulam

A bala, a bola

E a bela bula


Quem me aguarda

E me guarda a toda hora?

Quem me dirá?

Queimadura

Quem me dera

Quem me adora

Quem me deserta

Pode me aderir

Ao que durar

Será que na espera

Pinta a piora?






terça-feira, 4 de outubro de 2022

Perfumado desespero

 



Sem apelos

Para atrair

Atropelos

Para não seguir

Atrás de pêlo

Em corvo

Quem vai ouvir

O silêncio escroto?

Quem vai mofar

O pedido de socorro?

Embora no sofá 

Eu me locomovo

No mesmo lugar

O sol não pede desculpas 

Pela frieza no ar

Curto ficar na penumbra

Para me enxergar

Sempre, às vezes nunca

Mais telepáticos

Do que verborrágicos

Prorrogam e prosseguem

Os diálogos

Quando conseguem

Caminho com inimigos

Fantoches, mequetrefes 

Perfumado desespero

Acostamento de perigo

Enquanto explode

A tristeza sem exagero

Estrada de desvios 

Entre o chicote

E o terço de terno

Tradicional masoquismo

A escolha da morte

A escalada do império 

De medos e delírios 

Choque de desordem

No quintal do inferno

Em casa, no exílio

No aconchego que morde

Igual a um inseto

Com entrega a domicílio

Antes que a televisão mostre

O monstro ou o mistério.



 






quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Com o que houver

 


Se sou cover

Ou autoral

Se vai chover

Ou fazer sol

Agirei com o que houver 

Acho que não sei se sou

Poser ou low profile

Só sei que vou

Além da rede social 

Trezentos mil likes

Não trazem

Um gozo

Nem fazem

Um espírito solto

Um abraço apertado

O estudo é louco

E o estado, laico

Morrer sadio

É o maior desperdício

Se não for no orgasmo.







quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Querem que eu não pense

 






Querem que eu não pense

Peço perdão

Entretanto eu não

Posso fazer isso sempre


De tanto aviso

Eu já sei de cor

Que é pra ter juízo

E seguir o status quo


Talvez saia ileso

Com os freios, convenções 

Contenções e contrapesos

Não preferem, mas eu penso


E admito que não deveria 

Reclamar das minhas limitações 

Diante da alegria 

Dos atletas paralímpicos


Querem que eu não questione

Porém em qualquer dia

Alguém responde

E rompe o silêncio cínico.