domingo, 24 de maio de 2026

Saudades de um Mundo Imortal

 


Eu alimento saudades

De um tempo sem despedida

Quando o medo era suave

E mais leve era a vida

Levo colher à boca do afã 


O relógio corria outrora 

Sem pressa do amanhã 

A inocência dormia

Sem receio da aurora 

Hoje o peito é nostalgia


Fotografia empoeirada

Canção que o tempo assovia

Na janela da madrugada

Mas não reclamo do vento

Nem do peso que a idade traz

 

Pois a dor de cada momento

Deixou um palhaço lá para trás

Revoluções e novidades

Já estão na pauta do dia

Em meio às ansiedades


Respirar é alforria

O mundo gira depressa

Tudo muda de repente 

Às vezes a alma tropeça

Tentando ser coerente


Eu não tinha dificuldades

Para encontrar alegria;

Ela morava nas tardes,

Nos silêncios, na poesia

Ela ficava bem à vontade 


E, mesmo após tantas partidas,

Apesar de várias barbaridades

Mesmo após o tempo ruir

Ainda alimento saudades

De quando ninguém morria.



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