domingo, 10 de dezembro de 2023

Se você

 


Se você acha

Que só tem a mesma cara

Quem faz a barba

De forma diária


Se você pensa

Que o cromo compensa 

A cor da desistência 

Por falta de força e crença


Se você deduz

Que não há luz

Nem céus azuis 

Para os seus tabus


Se você supõe 

Que não tem sobrenome 

Nem sobremesa para a fome

Azeda que não some


Se você infere

Que salvará a sua pele

Em plena febre

Da falsidade alegre


Se você concorda 

Que está curta a corda

Curta a vida toda

Porque não se recruta a volta.



domingo, 3 de dezembro de 2023

Não aperte



Não aperte

A minha mente

Nem me acerte

As costas ou de frente 

Se perder a aposta


Talvez aperte a dor

Talvez alerte a minha mão

Ou somente o botão 

Do elevador

Sem abrir a porta


Para qualquer andar

O centésimo, o térreo 

A casa de máquinas, a cobertura 

A mágica pra não me torrar

O cérebro na abertura


Não venha me apertar 

A mente, aventura 

Já basta a minha própria 

Ala paranoica na avenida e na rua

Aba clara do mistério.



quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Vestido de vestígios

 


Vestido de vestígios 

E visões vertiginosas

Eu me dispo, me roubo, me livro

Me disponho e me despeço 

Robô com coração vai embora


Como o passado em cinemascope

Que nunca ouve

As lamúrias, as estórias

Das duras e doces memórias

Escolhas, escórias e flores 


Feito de faltas

E falas espalhafatosas

O mangue se asfalta

O consolo é fértil 

No sertão após certas horas 


Pra friend é que se anda

O presente não se estanca

O eufemismo das grandes mídias 

Menciona propinas 

Como recursos não contabilizados 


Retalho de versões 

Rasgado pelos versos

Infernos, ensaios e verões 

Eu desligo o rádio

Viro o disco e recomeço.



quarta-feira, 15 de novembro de 2023

A esfera é poda

 


Se é fato

Não rui o real

Mas com tantas 

Falácias e inverdades 

Cabe a redundância


Veterano e novato 

Deslumbre ficcional

Uma sede insana

Desbundes familiares 

Bandeide para a criança 


Fumaça não é nuvem

As cruéis paisagens 

São fuligens úteis

Outros ângulos

Blasfêmias santas


Loucos anjos

Cantando numa boa

Tocando banjo

Nos bailes de boda

Uma beleza de banda


A esperança é uma déspota 

Na popa, na proa

A espera se esbanja

Na polpa da fruta

Radical da planta


Na manga da roupa suja

Em qualquer época

Feras, fé e planos

A esfera é poda

Tocando anjos.


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

O interesse do interior

 

O interesse do interior 

Não é infame

Nem alheamento ao que for

Nem sempre

O jogo se vence


Contudo eu venho

Treinando para o exame 

Para o reconhecimento 

Para o jantar dançante 

E lidando com o dissabor


Deixar de ganhar, garanto,

É um merecimento 

Eu não sei quantos 

Desenganos tive

Foram tantos dias


Entretanto sou esfinge 

E besta o bastante 

Aéreo navegante

Fundo de garantia 

Por tempo de ser isso


Livro aberto 

Livre arbítrio

Instante longevo

Motores, temores

Delirantes desejos


Tranquilos descontroles

Equilibrados desesperos 

Razoáveis compulsões 

Demônios interiores 

Essenciais decorações


Para amanhã que não veio

Haja hoje

Uma geração nova

Crianças nomofóbicas

Não são plantas nem flores. 



terça-feira, 17 de outubro de 2023

Revisão dos textos

 


O poema sempre desmonta

Qualquer protocolo 

Pura imposição

O cinema é mais que uma telona 

O tráfego é pesado


A resenha não se fatiga

A antena tem todos os olhos 

O dilema é uma ficção 

Ainda que não se diga

O trânsito é ditado


Distribuição dos pesos

Para as bases no chão

Revisão dos textos

Do berço ao caixão

O transporte é cuidado 


Mudança de rota

De humor, de dança

Da rotina rota

Dói quando não arranha

O trabalho é errático 


Sem desespero 

Para cometer o que quiser

Os mesmos acertos 

No cometa, a pé ou no VLT

O trato é válido 


Alteração da retina

Das nuvens na linha

Do horizonte, marco zero

A humildade é uma ponte

O atraso é exato.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

A sociedade

 

Alguma coisa se distancia 

Da data corrente

Enquanto correm os dias

Diafragma, o ideal

E se rompe a corrente 


Falamos o mesmo idioma

Estamos noutras mídias

Live and let dial

Em nada neutras ondas

Alguma coisa se aproxima


O sistema sempre funciona

A elite civilizada se livra

Desde o período colonial 

Os tubarões com pompas

Comem as sardinhas


Alguma coisa cretina

Que alucina e assombra

Filosofia superficial 

Gentileza mesquinha 

Maquiagem de honra 


A sociedade é hedionda

A sociedade é uma convenção

A sociedade é um bacanal

A sociedade é uma redoma 

A sociedade é uma prisão


No coletivo apertado

Com uma fome medonha

E uma fé medieval

O povo está cansado

Demais para uma revolução.