segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Quem me repara?

 



Será que para

E me olha?

Paranóia

Quem me repara?

Quem me conserta?

Será que agora

Alguém me acerta

E me leva à glória?

Perambulam

A bala, a bola

E a bela bula


Quem me aguarda

E me guarda a toda hora?

Quem me dirá?

Queimadura

Quem me dera

Quem me adora

Quem me deserta

Pode me aderir

Ao que durar

Será que na espera

Pinta a piora?






terça-feira, 4 de outubro de 2022

Perfumado desespero

 



Sem apelos

Para atrair

Atropelos

Para não seguir

Atrás de pêlo

Em corvo

Quem vai ouvir

O silêncio escroto?

Quem vai mofar

O pedido de socorro?

Embora no sofá 

Eu me locomovo

No mesmo lugar

O sol não pede desculpas 

Pela frieza no ar

Curto ficar na penumbra

Para me enxergar

Sempre, às vezes nunca

Mais telepáticos

Do que verborrágicos

Prorrogam e prosseguem

Os diálogos

Quando conseguem

Caminho com inimigos

Fantoches, mequetrefes 

Perfumado desespero

Acostamento de perigo

Enquanto explode

A tristeza sem exagero

Estrada de desvios 

Entre o chicote

E o terço de terno

Tradicional masoquismo

A escolha da morte

A escalada do império 

De medos e delírios 

Choque de desordem

No quintal do inferno

Em casa, no exílio

No aconchego que morde

Igual a um inseto

Com entrega a domicílio

Antes que a televisão mostre

O monstro ou o mistério.



 






quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Com o que houver

 


Se sou cover

Ou autoral

Se vai chover

Ou fazer sol

Agirei com o que houver 

Acho que não sei se sou

Poser ou low profile

Só sei que vou

Além da rede social 

Trezentos mil likes

Não trazem

Um gozo

Nem fazem

Um espírito solto

Um abraço apertado

O estudo é louco

E o estado, laico

Morrer sadio

É o maior desperdício

Se não for no orgasmo.







quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Querem que eu não pense

 






Querem que eu não pense

Peço perdão

Entretanto eu não

Posso fazer isso sempre


De tanto aviso

Eu já sei de cor

Que é pra ter juízo

E seguir o status quo


Talvez saia ileso

Com os freios, convenções 

Contenções e contrapesos

Não preferem, mas eu penso


E admito que não deveria 

Reclamar das minhas limitações 

Diante da alegria 

Dos atletas paralímpicos


Querem que eu não questione

Porém em qualquer dia

Alguém responde

E rompe o silêncio cínico.



















terça-feira, 30 de agosto de 2022

Dançando com as bestas

 Dançando com as bestas


Pensando que é uma festa


Este calvário que jaz


Na sexta geração


A fome posta à mesa


Festival de gastronomia e de jazz


 


Não tem filosofia que se meça


Ou que peça demissão


Caso não tenha comida para a cabeça


Não se faz revolução


O clima parece tão suave


Que o copo se parte


 


Tirar leite da perda


É tiro e queda


Tirolesa sem cinto


Sobre a festa


Com temática de abismo


Eu vou nessa


 


Estrada cujo destino


Meu coração atravessa


Sujo de poeira, poesia e perigo


Sem mais delongas


Nem alegres tristezas


Tudo vai e vem em ondas


 


Questão de frequência


A caminhada é longa


A chegada do viajante


Embora se esconda


Está mais perto do que antes


O caos se instala


 


Na casa, na nave redonda,


No meio da sala


O avião passa


Rente ao prédio


Ao passo que o vizinho põe as


Gaiolas no gancho do teto.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

O que me faz rir

 


O que me faz rir

Não é a claque

Posso ter o baque 

Do tempo pela canção 

Que deixa menos vasta

Toda a devastação

O que dá vontade de aplaudir

Sem ironia

Uma necessária ira

Alguns vão reduzir

À mera heresia

Mais do que anteontem

Anti-ontem

No nadar da carruagem

Na chama e no chamado do horizonte 

Negação do saudosismo passado

Para chegar na outra margem 

Do rio com forte corrente

Na diagonal nado

Em vez de ir reto, em frente 

E direto ao outro lado 

O que me faz rir

Não é a humilhação

Dos humildes

Mas quem comete a opressão

Sentir o revide

Da comédia no ringue 

Através de um humor

Que critique o opressor

Não há elite

Que se livre

Do mais potente calibre.








quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Eu sou homem

 



Eu sou homem

Em vez de macho

Quem se esconde

Por debaixo

Da ponte

E por cima

Do murro

Enterro

Cada ser

É cadáver

Decerto 

Encerro

Em erros

Deserto

De acertos

Bacanas

Em cachos

Não sou banana

Tampouco macho

Eu sou homem

Sou quem emana

Sou mais do que um nome

Sou igual a quem ama

Sou quem acho.