sábado, 8 de novembro de 2025

Gole de ar

 



Gole de ar, meu anjo

Me ajuda pelo encanto

Vem a galope me ajudar

Não finge que quer se calçar


Enquanto me fisga feliz

Junto com os planos gentis

Meu anjo não pode se cansar 

Na rede, na rua, golpe haverá


Agora gosto de mim

Aprendi realmente a gostar

De cuidar do jardim

Talvez goste cada vez mais


Gole de ar, gole do gol

Gole do grito a degolar

Gole do diletante meio de ser quem sou

O grande segredo da mente


Se eu nasci descalço 

Sem gravata nem parênteses 

Eu renasço e, grato, me refaço 

Alvorada vasta e perene


Gole de suor, do que há 

De melhor, nem sempre

Meu anjo vem cá me salvar

Sabendo que sou eu somente


Para me deixar de um jeito

Impecavelmente imperfeito

Meu anjo não foge do que é sério 

Nem deixa que eu me afogue


Neste chão, oceano aéreo

Não quer que me sufoque

De insanos mistérios

Anjo, amor, minério forte


Meu plano, canto protetor

Planando por onde for

O sonho que quero tanto

No playground, em pleno voo


O plantão parece o mar

No balde sereno, manso

E também malemolente demais

Nas estrelas, futuro de antanho 


Se eu nasci inseguro e alucinado

Numa noite nada quente de junho 

Eu me redireciono e nado 

Em ondas de arte, meu sonho justo.












quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Mensageiro do indizível

 




Mensageiro do indizível
Entrego gestos e poemas
Escritos em correspondências
Comunicação com espíritos
Frequento muros e cinemas

Jardineiro do deserto
Cultivo menos incêndios
No solo, eu me refloresto
A solidão é um prêmio
E a solidez, um prédio.

A versão presente
É a melhor edição de mim
Sonho, suor, semente
Que emana do verão do porvir
Semana que vem de repente

Calma diserta
Escuridão que sempre vi
Pausa maior do que a conversa
Canção que toca por aí
Na calada discoteca

Semeio versos e pensamentos
Floricultor no meio da aridez
Viro árvore de milênio
Visitada mês após mês
A solução do silêncio

Sentença reticente
Telepatia que sempre entendi
Olhar eloquente
Relato do que não se diz
Estalo que pinta de repente.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Coragem e carinho

 



Não é ideologia 

Mas um tipo de seita

Perfeita lobotomia

Loucura à espreita

História ao vivo todo dia


O paraíso se povoa

De intenções nada boas

O olimpo é a moradia

De bênçãos, besteiras

Utopias e armadilhas 


À margem, no caminho 

Com a bússola interior 

Coragem e carinho

Não soube mais ser inferior

Luz, baque, saída, bom dia 


Descoberta do cadinho 

Cuja substância eu sou

Coragem e carinho 

Do embaçamento sobe o esplendor

E se vê o que não se via


Pleno, eu não me sinto vazio

Lendo, viajo lindo por aí 

Coragem e carinho 

Consigo me digerir e dirigir

A vida é uma película, um livro 


Não se trata de política 

Mas de politicagem 

Espectros de uma antiga

Programação da mesma grade

Está gravando? Tudo se grita!


Descoberta do caminho 

Cuja alternância eu sou

Coragem e carinho 

Da desconfiança sairá o que for

A ancoragem é minha.







domingo, 21 de setembro de 2025

O motivo e o motor


 



Já existem o motivo
E o motor do veículo
Eu moro no volante
Não ando mais claudicante

Uso o santo de segurança
O sentido ousa na dança
Dos dias e das cadeiras
Parecia brincadeira

Eu comecei por lazer
Para deixar de ser criança
E parei de beber pra me zelar
Pra não ser mais um bebê

Já resistem o motim
E o mote dentro de mim
Estou firme aqui neste instante
Não mofo mais tão distante

Sem relógio tampouco hora
Mas não me importo, tenho tempo
Rogo para abrir logo a porta
Para o grande momento

Já há o grito do motor
E o motivo da trama, do tremor
Uma parte de mim vive na estante
Não chafurda na lâmina dando vexame

Ganhei algumas chaves nestes anos
E me livrei de quilos
De danos em pensamentos levianos
Agora é um passatempo tranquilo

Há quem siga tanto um modelo
A ponto de querer mordê-lo
Eu comecei por prazer
Para ingressar no mundo adulto

E desisti de me deter
Para sair do labirinto escuro
Laboriosamente brilham
O motivo e o motor no indivíduo

Eu não entendia em tempos idos
Porque enjoava ou me entediava
No entanto hoje em dia, pelo amor,
As ilusões rangem às claras

A mente se arranja na trilha
Da montanha onde sou
Mais do que ilha, península,
O motivo e o motor.




domingo, 7 de setembro de 2025

O que fui já

 




Não temo as sombras
Elas contêm lampejos
Questão de honra
É o contente silêncio
De fazer bem as coisas

A paciência ensina
Que a alma se refina
Através do tempo
Só agora entendi e ainda entendo
Nada melhor do que uma crise

Para impor limites
E me importar comigo
Sozinho me conheci
Quando lutei pra ser meu amigo
Apenas soube de mim

Quando fui aguerrido
E virei o que sou
A melhor decisão
Da minha vida me estragou
O castelo de papelão

Não há necessidade
Nenhuma de conserto em mim
Mas de reconhecimento
Do que já está aqui
Entendi só nesta idade

Não se trata de perfeição
Mas de crescimento
O que exige rompimento
De antigos padrões
Apenas hoje compreendo

A distância de dentro
Mantém a elegância
E gera desapontamento
É um grande certame
Entre o céu e o tatame

A escolha da vereda
Que seja uma escola
De desejos com verdade verdadeira
Compartilho a dor com arrojo
O que fui já foi embora

Expressão leve de ânsia
Abertura a quem me revele o propósito
Afirmação com confiança
E ação intuitivamente criteriosa
O que fui já era: só ficou na foto

Uma nova forma de pensar
Pinta para riscar o fósforo
Ao rasgar o fantasma da tela
Eu resgato nenhum avatar
Reparo da aquarela

As ilusões se dissolvem no ar
Eis o convite à verdade espiritual
Tarefa com mais bravura
A ferida é a força, afinal
A dor é um portal de cura.







domingo, 24 de agosto de 2025

Fico pensando


 


O desenvolvimento se alastra

Na expansão da consciência

Progresso é aumento da casta

Antes grosseiras advertências

Do que maciças ressacas


Dos maços de cigarro 

Para as latas e garrafas 

Uns progenitores são pais 

Outros, bancos letárgicos 

Todos os dias, incomuns e banais


Fico pensando, profano e santo

Não foi perda de tempo 

Mas um ensinamento, um espanto

O caos sabe ser sereno

Mediano filmaço


Há uma dezena de mandamentos 

E uma dúzia de passos

Nunca é desperdício de novembro

O álcool deve ser o novo tabaco 

Progresso nem sempre é avanço


Em algum momento do dia

Santo ou profano, fico pensando

Como fui, como serei, como seria

Cônscio do jurássico juízo 

Civilizada selvageria


A ganância não quer os avisos

Dos malefícios do cigarro nas bebidas

O lobby prosseguirá forte

(Fico pensando sob um céu fechado)

Enquanto durarem os estoques


Sem fincar meus pés chatos

Agora sei como sou

Desprovido da energia vazia

Aluno e professor

Alucinação e valentia


Voltei a ser como era

Antes dos quinze anos

Mas não como adolescera 

Eu me chamo, eu me desmancho

Focando a chama da vela


Achei a chave da cela

O sol não se descumpre

Por sombras e nuvens

Lá em cima, do pensamento

A chuva também ensina


Epifania, meu bem, é silêncio

Acorda, é bomba! A corda é fina

Fico enquanto tiver saúde 

Filtro a onda, há oxigênio 

Fico encantado, tem vida ainda


Fico pensando no que penso

O veneno me dava alegria

No entanto eu tinha depressão 

Apocalipse nos trópicos 

Bebo com moderação


Bebo nada alcoólico

Agora tenho ânimo

Fico pensando com o coração

Passado contemporâneo

A maturidade é lei


Consciência em expansão

Certezas, enganos

Voltei a ser como serei

Amnésias, descansos

Fico pensando como passei


Epifania, meu amor, é uma revelação 

Voltei a ser pacato como sei

No sapato, com os pés no chão 

Coerentemente insano

Fico pensando e nem pensei.























segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Vamos acolher

 



Vamos acolher as oscilações

Na busca da praia e do equilíbrio

Os fracassos são bons

Capítulos do livro

Em todas as bruscas traduções

Vamos olhar para as sombras


Pela vidência do espírito

Vibrações, frequências, ondas

No frescor da rede e do equilíbrio

Realidade, redenção, afronta

Eu me lembro daquele menino

De cabelinho boi lambeu


Embora não exista mais

Continuo na pista ardente, sendo eu

Agora prudente, numa boa, em paz

Matemática da constelação do signo

Questões práticas esclarecidas

Desde ontem me desloco do abismo


Horizonte em foco, perto da vista

Meu nome completo é o título

A onda se levanta e vai me levando

Estou na varanda, mas não sou planta

Sou quem, como, onde, porque e quando

Através dos apoios, reparto os pesos


Bora colher os sonhos e planos

Em caso de vitória ou tropeço

A onda bate, recolhe e levanta

Cada aurora é um recomeço

E a arte, uma senhora criança

Agora me acolho e me reconheço.














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