sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Notícias do interior

 



Nem sempre está certo 

Um fundo assertivo 

O futuro é um furto 

Um fluxo furtivo 

Inconscientemente penso


Nem sempre estou perto 

Na linha de frente, pêndulo 

O inconstante é pétreo 

Notícias do interior 

Do instante que não veio


Da noite anterior 

Do dia primeiro 

A saída da zona da culpa 

Para o lugar da responsabilidade 

Não funciona logo como atravessar a rua


É para se adaptar a uma nova cidade

O atraso exato da descoberta

Do padrão inato e repetitivo  

Cuja necessidade da quebra  

Deriva de tempos deveras idos


Contudo, tudo faz parte 

Do jogo esculpido de vida

Da culpa à realidade 

Foi uma bela saída 

Notícias dos bastidores


Que duram há milênios 

Bastam as dores dos leitores 

Eles ainda estão lendo

Notinhas decoradas dos interiores 

Apesar do dia que virá


Da noite que não está nos arredores 

No entanto vai pintar 

Nem sempre está perto 

O perfeito perfil perdido 

O sexto sentido é sutil feito susto


Um absurdo pululante e seletivo

Um alucinante crepúsculo 

De berros em cores, novas internas

Internacionais arrebóis de assuntos 

Na lentidão certa da voz da descoberta. 














sábado, 10 de janeiro de 2026

Os tempos são outros



Abandono do pensamento 

De como a vida deveria ser cinema

Abraço do novo tempo

Tentando se jogar na consciência

Os jornaleiros não têm mais conhecimento

Dos nomes dos logradouros

 

Há quem ignore o número do seu aparelho

Inegavelmente, os tempos são outros

Livramento do túmulo do passado 

Palavras de raiva e arrependimento 

Como pedras no sapato

Descalço na terra, no cimento

 

Não é mamão com açúcar 

Embora saiba andar há tempos 

Tropeço e tombo em algumas ruas

Tomara que fique o ensinamento 

A vontade nua e a realidade crua

Vociferam rara relevância

 

Revelam-se várias ruas

Que se rebelaram pela distância

A boa educação só parece

Uma espécie de submissão

Os ecos do novo século estão aos pés 

Não são netos da imaginação


O desperdício foi um cego investimento

E a perda, um tipo de tesouro

Os jornaleiros perderam o conhecimento 

Dos nomes dos logradouros

Renúncia do habitual tormento 

Na cuca, o ritual na velocidade em dobro


Com tempo eu gosto e contemplo

Agora entendo, são jogos loucos 

Tanto na selva quanto na jaula

Névoas da missão em emissão 

Colegas da nova era chegaram

Não são nuvens nem legos da ilusão


Não sou novinho em folha 

Tampouco nasci no dia anterior 

Renasci anteontem com uma força 

E uma fome de paz e amor

Aniquilamento do meu papel pequeno

E dos seus conselhos tolos


Foram apelos, bilhetes, momentos

Furo pedra por leite, os tempos são outros

Largo os dias cinzentos 

Sei como a vida é milagrosa e livre

Abraço do novíssimo tempo

Nos passos de quem goza e vive


A juventude vem e vai como vento

O bom senso evita o socorro

Os jornaleiros sem mais conhecimento 

Dos nomes dos logradouros

Não é mamão com açúcar 

Ter a noção do que se passa cá dentro 

 

Passado na sala escura e úmida

Outrora, os segundos eram mais lentos

Ao longo da desconexão jovem

Talvez sejam néctares vindouros

De mil novecentos e setenta e nove

Feliz ânimo novo, os tempos são outros.


 














quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Meus sentimentos são grandes demais para caberem onde me sinto seguro

 


Quanto mais sei de mim, ando

E fico menos suscetível 

À movimentação do bando

Preciso criar mais sentido


Do que mero conteúdo

Na erosão, mágoa e bad trip

Do nada, apreende-se tudo

Do transistor ao nanochip


Da intuição à inteligência

O vaso quebrou, paciência...

Devolvi a terra à planta

Lavei a varanda de lavanda 

 

À medida que me conheço

Fico cada vez mais teso 

Às futilidades da normose

Só é possível a metamorfose


Se me sentir inteiro

Eu sou aquilo que valorizo 

Eu sou aquilo que protejo

Com princípios, o amor é aprendido


O afeto tem necessidade 

Do merecimento da existência

Da memória à saudade 

Minhas comoções são imensas


Meus sentimentos são grandes demais

Para caberem onde me sinto seguro

As emoções se autorregulam

Minha dor nasce ao tentar me afirmar


Mas também é assim que eu curo

Minhas sensações são colossais

Quando alguma coisa dói, cresce; 

Quando alguma coisa cresce, dói


Da mentalização à prece

Da crista da onda ao cais de Niterói 

Minhas emoções são gigantescas

Pensar é uma forma de evitar


A perdição das estribeiras 

Interno oceano, outro lar

Mesma cisterna entre as beiras

Do rio manso e do revolto mar


A mente como amiga, 

Não mais como fuga 

Eu posso até postergar 

Porém não há saída


Emoções se autorregulam

Sonhos só operam

Quando dispostos 

Crises carregam


À sensatez dos novos portos

E não à ruptura externa

Nada acontece sem ser nomeado

Pensado ou interpretado


O amor se ensina com princípios 

Meus sentimentos são profundos

Do desatino ao tino

Do refúgio ao futuro 


Pensar é uma forma de levitar

Estreita margem, mesma cisterna 

Pela maturidade no meio do mar

Contra a ansiedade eterna 


A mente como sequaz, 

Não mais como subterfúgio 

Meus sentimentos são grandes demais

Para caberem onde me sinto seguro


Quanto menos me ignoro

Eu me torno mais forte

Meu silêncio é sonoro

Só é factível a metamorfose 


Caso me sinta protegido 

Meus sentimentos são imensos

O que penso, sinto

E o que sinto, penso


Eu decido com a razão 

Mesmo quando acho

Que é com o coração

Se algo não tem significado 

 

Não vai adiante, não adianta

Só há mudança com segurança 

Consigo até adiar o encontro marcado 

Contudo não escapo.
















sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Petricor

 



Franco passado

Contentamento melancólico

O costume está pasmo

Nos olhos a cor do caos


Por detrás dos óculos

Escuros e os degraus 

Galgo da escada rolante

De uma antiga galeria


Do centro da cidade grande 

Querida, como renascer 

Sem a garantia de deixar morrer?

Quem é que me garante?


Frango assado

Tela de cachorro

O praxe está passado

Se morri, nasço de novo


As ilusões estão enterradas

São alimentos para o solo

O cheiro da terra molhada

É um bilhete com que me desloco


O odor e a dor que eu bisbilhotava 

Dominavam junto com o oxigênio

Sem morte, camarada, 

Não há renascimento


O petricor me transporta

Para uma camada de outro milênio

O pretérito não volta

E me sinto mais perto do destino


O petricor abre as portas 

Com o perfume em forma de sentido

O passado não se altera

O que está feito não se desfaz


O momento é o leito da atmosfera 

O futuro não se mostra jamais

Meu amor, eu moro no petricor

Atrás dos óculos coloridos de sol


Nos meus olhos, nos dias de calor

O olor que lembra as presenças

E os milagres de pessoas 

Calorosas nas tardes lentas


Adoro a essência terrena 

Os ancestrais dependiam da chuva

Para a própria sobrevivência

Das profundezas do mar, beleza pura


O petricor em mim pousa

No ar gritantemente sorridente 

A fragrância voa, voa, voa

Com as coisas boas de sempre


Com os sonhos da velha infância

Um bom aroma da terra

Úmida povoa as lembranças 

Sou atualmente daquela época


Mesmo espaço, outra instância

Eu fico pensando, lembrando 

Viajando com o que vi

Achando hoje tudo estranho


O presente pode ser um souvenir

Passado franco, vento de ausência 

Avanço, todavia não fujo de mim

O vulto que a vontade inventa


As cinzas empilhadas num canto 

Agora revoam, não estão mais aqui

Sacando maravilhas do fundo do oceano

Sem falecimento, não há renascença


Sou do tempo em que o silêncio

Tinha perfume, luz e licença 

Subo a montanha cá dentro 

Meus pés possuem asas


Através de uma particular dança 

Ensaiadamente improvisada

Enquanto o petricor me alcança

Como renascer sem que morra nada?




















sábado, 6 de dezembro de 2025

O passado é um lugar

 

Há quem reze tanto

Que se recusa 

A crer nos encantos

Prefere o nunca

 

O passado é um lugar

Pulsado de referência

E não de residência

Outrora fica bem atrás

 

Eu já estive lá 

E não habito mais

Às vezes visito tal feudo

E me retiro cedo para não pernoitar


Amadurecimento não é santidade

Mas congruência com as necessidades

O passado é uma cidade milenar 

Não há possibilidade de busca


Com o desajuste da bússola

O passado é um bosque do interior 

Automóveis coloridos

Cujos nomes ainda sei de cor


Tão longe os tempos idos

Antigamente era um pântano 

Um estado de pânico 

Anestesia e delírio 


Toda doença conta uma história

Ah, meus vinte anos de boy...

A velha personalidade está morta

O renascimento dói


É o que tem de ser

E também foi em Niterói

Minha voz importa 

Minhas palavras têm o poder


Da inspiração e do contato

A antiga pessoa foi embora

Quando eu era pirralho 

Estava perto do pretérito

 

Em preto e branco

A vida é um longo momento

O passado que fique esperando 

Eu não volto mais a ser pequeno


Com ciência e fé 

Alcanço o desejo

E o sonho na dança das marés 

Não só quando me deito


Ausência presente  

A paz não fica lá fora

Frieza ardente

Ela está onde mora


Quem sabe sua origem

Prossegue firme

Quando a coragem é maviosa 

O violento vira sublime


O passado é anterior

Quando a estação fica pronta 

Em sintonia com o seletor

De frequências, o que se pensa


São vibrações, são ondas

Os pensamentos não nascem

Dentro das nossas mentes

O passado é uma fase


Agora é um extenso presente

Sem talvez nem quase

Na funilaria da cabeça 

O passado ficou na saudade


Agora é o auge, beleza?

Eu tenho a permissão

Para permanecer com firmeza 

E liderar com o coração

 

Audácia para transformar

Arrependimento em inspiração

Quando a alma se aprontar

As coisas acontecerão.


























terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Vestígios de Niterói



Nas curvas do MAC, o céu se inclina,

Espelhando um póstumo que já se desfaz,

O concreto persiste, mas o clima ensina

Que até o contemporâneo se curva à paz


As águas da Baía, outrora calmas,

Trazem marés que não sabem recuar,

E o Forte de Santa Cruz, entre lágrimas,

Observa o sal corroer seu olhar secular


No Morro do Palácio, o samba ecoava,

Voz de um povo, lembrança em canto,

Porém a chuva, que antes abençoava,

Desce em forma de estrago e pranto


As trilhas do Parque da Cidade

Perdem mais verde a cada voraz verão

E o mico-leão, guardião da amizade,

Busca asilo onde há desproteção


A canoa caiçara, saber ancestral,

Desaparece com o mangue

E o pescador, herdeiro do litoral,

Vê sua cultura submersa e estanque


Entre o mar e a memória, Niterói padece,

O tempo virou vilão, não é mais herói,

As águas sobem e os ventos desobedecem

Ao passado que suavemente se destrói


Na Ilha da Boa Viagem, o silêncio ecoa

Onde era encontro de festas e fé

Agora as pedras se partem à toa,

E os torós não deixam os altares de pé


Museus e praças, antigamente abrigos,

Sofrem com o calor inclemente

E as árvores caídas, em seus vestígios,

Contam biografias que o clima não desmente


Contudo há quem resista, quem registre,

Com câmeras, pincéis e palavras

Imagens e versos que ainda insistem

Em preservar o que o tempo lavra


Niterói, cristal de recordação e arte,

Grita por cuidado, por resguardo,

Pois cada grão, lugar e resgate

É raiz viva do nosso legado.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Algumas obras de arte



Salvam o circo

Da fome, do mofo e do declínio 

Algumas obras de arte

Porém nem todas são capazes

 

O desejo do desejo

É a morte personificada

As ideias perdem o desenho 

Na aldeia erma das palavras

 

E você me comenta que faz sol

Que cairá um toró ou que venta demais

Ao lhe perguntar como está 

Como você vai? Está melhor?


Talvez seja uma metáfora 

O estado pluvial ou solar

Vinte e cinco limões secos não transbordam

Um copo de suco à beira do mar


Algumas obras de arte

São mais do que boas redentoras

Algumas só, nem todas

São reais boias de resgate


O sonho toma forma

Quando se acorda 

O conhecimento soma na vivência 

O saber é sentido no sabor


O cotidiano vira cinema

O sentido sobrevive no amor

O sonho se transforma

Com determinadas obras

 

Uma mensagem divina

Mesada da viagem

Chamada da vida

Chama da coragem


Vivendo o momento 

O futuro será estupendo

Fariam falta ao mundo, à vila

Algumas obras de arte


Poupam o indivíduo 

Da solidão, da lassidão e do suicídio 

Algumas obras de arte

Poucas possuem tal capacidade


As ideias não são aproveitadas

Na privação das palavras

O vento prepara o penteado 

No passeio da orla


O sonho é concretizado

Quando se acorda

Poemas, danças, canções, quadros,

Peças e arquiteturas sempre agora


Vivendo o instante 

O futuro será brilhante

O sonho é descoberto 

Quando a lembrança colabora


O anseio do anseio

É o falecimento em pessoa 

Ns orla, o vento orna o passeio

Falando que hoje não tem garoa


Na quietude eu me reconecto

Com o meu espírito e confio

Na atitude invisível 

No caminho aberto


O sol nascente bate

Na cara de quem sente e olha 

O sonho é uma obra

Uma sobra da realidade