quarta-feira, 20 de junho de 2007

Combinados encontros casuais

Eu bem me lembro
Dos idos de setembro
Combinados encontros casuais
Pareciam nada demais

Depois do chamado
Pelo telefonema
Que esperava ser teu
Entendi todo o recado
Quando foste a primeira
A saber o que me aconteceu.

Eu nunca me esqueço
Do convulso começo
Das invasões consentidas
Das orientações invertidas

Tantas intempéries
Nós superamos
Entre o fado e o arrojo
As ondas em infindas séries
E nos seguramos
Se não por amor, ignoro como.

sábado, 16 de junho de 2007

Fortuna

No primeiro instante
O sério semblante

Tão pulcros os cílios
Que parecem postiços

O olhar raio xis
A sacar o que não se diz

Pacotes de sal
E de glicose para todo mal

O prato que limpa
De fato com a língua

O pé que não pára
E a guimba imaginária

Tartarugas, sapos
Cobras e lagartos

O humor selvagem
Por ter sagacidade

A amizade canina
E a vaidade de menina

O amor sempiterno
Do céu ao inferno

E a alma despida
Capta toda a vida

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Só o tempo é perfeito

Sem beligerância
E com a antena
Em sintonia ampla
Limpa, leve e densa

O espírito é desarmado
E não desalmado
Para colher flores
No lugar de dissabores

Larguemos as pedras
Quase perpétuas das mãos
E seguremos as rédeas
Que no vôo nos dão chão

Sob o mesmo teto
Sob o mesmo céu
Só o tempo é perfeito
E nós, você e eu.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Nada rasos

Ciente de que não me redimo
Com os futuros versos
Ainda que sinceros
Admito que um mimo
Meu é o mínimo
Para que alcancemos
O que unidos somos
A par dos nossos passos
Aparentemente anacrônicos
Mas nada rasos
No resgate dos sonhos
Reféns do acaso.

domingo, 10 de junho de 2007

Após agora

Engaiolado na pasta
Setecentos e quatro
A comoção me alça
Ao som de pássaros

Éramos Pangéia
Uma lírica idéia
Antes das ilhas
Autônomas e ridículas

Após agora
Ignoro a bóia
Tanto para o almoço
Quanto para o socorro.

Sei

A mudança não veio
De ti
Todavia foste o meio
De distinguir
Nalgum dia
Sem sacar
O que já sabia
Como respirar

O que olvidei
E ainda sei

Eu me abrolho
Para fazer jus
Ao logradouro
Onde me dou à luz
Líquido amniótico
Vira vinho ao brinde
E que os copos
Não nos duvidem

Como duvidei
Mas agora sei.

sábado, 9 de junho de 2007

Delírios sãos

Sincronicidade demais
Para se reduzir à coincidência
Diante do que demos
Entre o sono e a dança
Delírios sãos de tão iguais
Ao que se dá apenas
Para nós dois dentro
Da paciência e da ânsia.